Brasil é forte, mas tem que passar por muitos adversários antes
Às vésperas da Copa do Mundo de 2022, três instituições de peso — Oxford, XP Investimentos e Serasa Experian — entregaram ao acaso a tarefa de prever o futuro e receberam de volta a mesma resposta: o Brasil era o favorito. Não por fé ou tradição, mas por algoritmos alimentados de história e probabilidade. Os números, porém, eram honestos o suficiente para lembrar que favoritismo não é destino — e que a Argentina respirava no mesmo pescoço.
- Três modelos matemáticos independentes, construídos com milhões de simulações, convergem para o Brasil como principal candidato ao título — um raro consenso entre ciência e esperança.
- A margem é estreita e inquietante: Oxford separa Brasil e Argentina por menos de 0,4%, o que estatisticamente equivale a um empate técnico entre as duas maiores potências do torneio.
- A XP Investimentos lança uma sombra sobre o otimismo: nas suas 25 mil simulações, o Brasil aparece apenas em 6º lugar entre os favoritos a chegar à final, apesar de ter 63% de chances de vencer se lá chegar.
- Todos os modelos apontam a Argentina como o obstáculo central — e sugerem que o confronto entre os dois países pode ser o verdadeiro jogo decisivo da Copa, antes mesmo da final.
- Com a estreia contra a Sérvia marcada para quinta-feira, os algoritmos já disseram o que tinham a dizer; agora o campo assume o papel de árbitro entre a matemática e o imprevisível.
Três instituições independentes — Oxford, XP Investimentos e Serasa Experian — rodaram seus modelos matemáticos antes da Copa 2022 e chegaram a uma conclusão semelhante: o Brasil era o favorito. Não era otimismo patriótico. Era cálculo.
O pesquisador Joshua Bull, de Oxford, simulou mais de um milhão de cenários de fase de grupos e mais de cem mil resultados para cada jogo eliminatório. O veredito: 14,7% de chances para o Brasil — a maior do torneio, mas separada da Argentina por menos de 0,4%. Um empate técnico. No cenário de Oxford, Brasil e Argentina se encontrariam na semifinal, com a seleção canarinho saindo vitoriosa e enfrentando a Bélgica na final com 61% de chances de título.
A Serasa Experian foi ligeiramente mais otimista. Seu DataLab, usando aprendizado de máquina, calculou 53,4% de chance de o Brasil chegar à final e 20,9% de erguer a taça. A Argentina, mais uma vez, aparecia em segundo lugar.
A XP Investimentos trouxe o contraponto. Em 25 mil simulações, seu modelo via Argentina e França na final — com os hermanos com 55% de chances de vencer o atual campeão. O Brasil, porém, guardava um trunfo: se chegasse à decisão, teria 63% de probabilidade de vitória, a maior entre todos os times. O problema era o caminho: a XP colocava a seleção apenas em 6º lugar entre os favoritos a chegar lá.
Os três estudos concordavam no essencial — o Brasil era forte o suficiente para vencer uma final. Divergiam sobre a probabilidade de chegar até ela. E todos apontavam a Argentina como o principal obstáculo. A estreia contra a Sérvia, na quinta-feira, seria o primeiro teste entre a previsão e a realidade.
Três instituições independentes — a Universidade de Oxford, a XP Investimentos e a Serasa Experian — rodaram seus modelos matemáticos nas semanas anteriores à Copa 2022 e chegaram a uma conclusão semelhante: o Brasil era o favorito para levantar a taça. Não se tratava de otimismo patriótico ou palpite de bar. Cada uma delas havia construído algoritmos sofisticados, alimentado com dados históricos e probabilidades, e deixado que os números falassem.
O pesquisador Joshua Bull, da Universidade de Oxford, criou um modelo estatístico que simulou mais de um milhão de possibilidades diferentes dos confrontos de grupos. Depois, para cada jogo da fase eliminatória, o algoritmo sorteou resultados mais de cem mil vezes, testando cada cenário. O resultado final apontava o Brasil com 14,7% de chances de vencer a Copa. Era a melhor probabilidade do torneio — mas apenas por uma margem fina. A Argentina vinha logo atrás, com menos de 0,4% de diferença, o que em termos estatísticos significava um empate técnico entre as duas seleções. Segundo o modelo de Oxford, se ambas chegassem à semifinal, o Brasil sairia vencedor e enfrentaria a Bélgica na final, marcada para 18 de dezembro. Nesse cenário, a seleção canarinho teria 61% de chances de conquistar o hexacampeonato.
A Serasa Experian, por seu turno, usou técnicas de aprendizado de máquina para analisar as probabilidades. Seu DataLab chegou a números ligeiramente mais otimistas: a seleção brasileira tinha 53,4% de chance de chegar à final e 20,9% de erguer a taça. A Argentina também aparecia em segundo lugar nas previsões da Serasa, reforçando a ideia de que o confronto entre os dois países seria decisivo.
A XP Investimentos rodou 25 mil simulações usando um modelo matemático próprio, combinando aprendizado de máquina com raspagem de dados para prever cada confronto. Seu cenário mais provável era diferente: Argentina e França se enfrentariam na final, com os hermanos tendo 55% de chances de derrotar o atual campeão. Mas havia um detalhe importante nos números da XP. Se o Brasil conseguisse chegar à final — e esse era o grande "se" — teria a maior probabilidade de vitória entre todos os times: 63%. O problema era que, segundo as simulações da instituição financeira, a seleção brasileira estava em apenas 6º lugar entre os favoritos para chegar ao jogo decisivo.
Os três estudos, portanto, concordavam em um ponto fundamental: o Brasil era forte o suficiente para vencer se chegasse à final. Discordavam, porém, sobre a probabilidade de chegar lá. Oxford e Serasa viam um caminho mais direto para a seleção; XP era mais cética. Todos, no entanto, apontavam a Argentina como o principal obstáculo — seja na semifinal, seja em outras fases do torneio.
A seleção brasileira faria sua estreia na Copa contra a Sérvia na quinta-feira, 24 de novembro, às 16 horas. Os números estavam postos. Agora era questão de o campo confirmar ou desmentir o que os algoritmos haviam previsto.
Citas Notables
Em termos estatísticos, há um empate técnico com os hermanos— Análise do modelo de Oxford sobre Brasil e Argentina
O Brasil tem a maior chance de vencer se chegar à final, mas chegar lá é que vai ser o problema— Conclusão da pesquisa da XP Investimentos
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que três instituições tão diferentes chegaram a conclusões parecidas sobre o Brasil?
Porque estavam olhando para os mesmos dados brutos — histórico de confrontos, desempenho das seleções, força relativa dos times. Os modelos diferem na forma como processam essas informações, mas a realidade subjacente é a mesma.
A diferença entre 14,7% e 20,9% é significativa?
Em termos de confiança, não. Ambos dizem que o Brasil era favorito, mas não era uma certeza. Havia muita incerteza embutida. A diferença maior estava em como cada modelo via o caminho até a final.
Por que a XP colocava o Brasil em 6º lugar para a final se tinha 63% de chance de vencer lá?
Porque chegar à final é muito mais difícil do que vencer uma final. A XP estava dizendo: o Brasil é forte, mas tem que passar por muitos adversários antes. Se conseguir, é praticamente imbatível.
E a Argentina? Por que aparecia sempre em segundo?
Porque tinha um elenco comparável ao do Brasil. Oxford viu isso tão claramente que considerou um empate técnico. A diferença era pequena demais para ser significativa.
Esses modelos levam em conta fatores como moral do time ou lesões?
Não. Trabalham com números históricos e padrões. É por isso que servem como referência, mas nunca como verdade absoluta. O futebol tem variáveis que nenhum algoritmo consegue capturar completamente.