Títulos prefixados de longo prazo lideram renda fixa com melhor desempenho em 9 anos

A primeira liderança dos prefixados em quase uma década
O IRF-M 1+ encerrou 2025 com ganho de 20,07%, marcando o retorno dos títulos de longo prazo ao topo da renda fixa.

Ao longo de 2025, investidores que confiaram nos títulos públicos prefixados de longo prazo foram recompensados com o melhor desempenho da renda fixa em nove anos — um sinal de que o mercado, antes mesmo de qualquer corte oficial, já havia começado a reescrever sua leitura sobre o futuro dos juros no Brasil. O IRF-M 1+ encerrou o ano com alta de 20,07%, liderando todos os indicadores da Anbima pela primeira vez desde 2017, numa demonstração de que a antecipação coletiva pode ser tão poderosa quanto o próprio evento que ela pressente. A questão que 2026 herda é clássica: quando a expectativa vira realidade, ainda há prêmio a colher?

  • Após anos na sombra de ativos mais curtos e indexados, os prefixados de longo prazo irromperam em 2025 com força que o mercado não via desde a era de cortes agressivos de 2017.
  • A virada se concentrou no segundo semestre, quando operadores passaram a precificar um ciclo de queda da Selic — ainda que a taxa tenha encerrado o ano em 15% ao ano, longe de um patamar baixo.
  • O ganho de 20,07% do IRF-M 1+ superou debêntures, LFTs, papéis atrelados à inflação e toda a renda fixa privada, redesenhando o ranking de desempenho da Anbima.
  • Economistas alertam que o prêmio deve permanecer atrativo em 2026, mas a dúvida que paira é se o mercado já antecipou demais — e se os cortes efetivos de juros ainda terão algo novo a oferecer aos investidores.

No encerramento de 2025, os títulos públicos prefixados de longo prazo protagonizaram a maior surpresa da renda fixa brasileira em quase uma década. O IRF-M 1+, índice que acompanha papéis com vencimento superior a um ano, registrou ganho de 20,07% — a primeira liderança de um índice prefixado entre todos os indicadores da Anbima desde 2017. Para quem acompanha o mercado, o resultado marcou um ponto de inflexão depois de anos em que outros ativos dominavam o topo do ranking.

A virada não foi linear. Foi no segundo semestre que o movimento ganhou tração, quando o mercado começou a precificar o início de um ciclo de queda nas taxas de juros. A Selic encerrou 2025 em 15% ao ano, e esse cenário alimentou a recuperação dos prefixados. Marcelo Cidade, economista da Anbima, avaliou que o prêmio desses ativos deve continuar atrativo em 2026, mesmo após o início efetivo dos cortes pelo Banco Central.

O paralelo com 2017 é revelador: naquele ano, a Selic caiu de 13% para 7% em doze meses — um movimento muito mais acentuado. Ainda assim, o desempenho de 2025 iguala ou supera aquele ciclo, evidenciando o poder da antecipação do mercado.

Os demais segmentos da renda fixa também avançaram, mas em ritmo menor. O IRF-M 1, de prazos mais curtos, subiu 14,76%. O IMA, que reflete a dívida pública federal, ganhou 14,83%. As LFTs avançaram 14,55%, e os papéis atrelados à inflação renderam entre 11,65% e 14,20%, conforme o prazo. Na renda fixa privada, as debêntures comuns lideraram com alta de 16,49%, enquanto o IDA consolidado fechou em 15,66%.

Mais do que os números, o que o resultado de 2025 revela é uma reconfiguração do apetite do mercado: a volta dos prefixados longos ao topo sugere confiança renovada em uma trajetória de juros em queda. A pergunta que fica para 2026 é se essa confiança resistirá quando os cortes de fato chegarem — ou se o mercado já precificou tudo o que havia para precificar.

No final de 2025, os investidores que apostaram em títulos públicos prefixados de longo prazo colheram a melhor colheita da renda fixa em quase uma década. O IRF-M 1+, o índice que acompanha esses papéis com vencimento superior a um ano, fechou o período com ganho de 20,07% — a primeira vez desde 2017 que um índice prefixado lidera todos os indicadores monitorados pela Anbima. Para quem acompanha o mercado, esse resultado marca um ponto de inflexão: durante anos, outros ativos roubaram a cena, mas em 2025 os prefixados voltaram ao topo.

O movimento não foi uniforme ao longo do ano. A virada aconteceu no segundo semestre, quando os operadores de mercado começaram a precificar o que muitos esperavam — o início de um ciclo de queda nas taxas de juros. A Selic, que é a taxa básica de juros da economia, encerrou 2025 em 15% ao ano, criando o cenário que alimentou essa recuperação. Marcelo Cidade, economista da Anbima, observou que essa dinâmica deve persistir. Mesmo quando o Banco Central começar efetivamente a reduzir as taxas, ele avalia que o prêmio oferecido por esses ativos continuará atrativo para os investidores em 2026.

O paralelo histórico é revelador. Em 2017, a última vez que o IRF-M 1+ havia liderado o ranking, a Selic caiu de 13% em janeiro para 7% em dezembro — um movimento de queda bem mais acentuado. Ainda assim, o ganho de 20,07% em 2025 iguala ou supera aquele desempenho, sugerindo que o mercado antecipou com força a mudança de direção das taxas.

Os títulos prefixados de prazo mais curto também tiveram seu momento. O IRF-M 1, que acompanha papéis com vencimento de até um ano, acumulou alta de 14,76% no período — um resultado sólido, embora menor que o dos prazos mais longos. Entre os demais títulos públicos, o IMA, índice que reflete a composição da dívida pública federal, subiu 14,83%. As LFTs, títulos que acompanham a Selic, avançaram 14,55%. Nos papéis atrelados à inflação, aqueles com vencimento acima de cinco anos renderam 14,20%, enquanto os de prazo mais curto cresceram 11,65%.

Na renda fixa privada, as debêntures comuns — aquelas sem incentivo fiscal — foram as estrelas, com ganho de 16,49%. As debêntures incentivadas, que oferecem isenção de Imposto de Renda, avançaram 16,03%, e os títulos indexados ao DI subiram 16,05%. No consolidado, o IDA, que reúne todos os papéis de dívida privada acompanhados pela Anbima, fechou 2025 com valorização de 15,66%.

O que torna esse resultado significativo é menos o número em si e mais o que ele representa: uma reconfiguração do apetite do mercado. Depois de anos em que investidores buscavam ativos mais curtos ou indexados a indicadores de curto prazo, a volta dos prefixados de longo prazo ao topo sugere confiança renovada em uma trajetória de juros em queda. Para 2026, a questão que paira é se essa confiança se sustentará quando as reduções de taxa começarem de fato — ou se o mercado já precificou tudo o que havia para precificar.

A tendência é que o prêmio desses ativos permaneça atrativo para investidores em 2026, mesmo após o início do ciclo de queda
— Marcelo Cidade, economista da Anbima
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que os títulos prefixados de longo prazo demoraram tanto para voltar ao topo? Parece que desde 2017 eles estavam fora de moda.

Model

Porque quando a Selic está alta e instável, os investidores preferem não travar uma taxa por muito tempo. Eles querem flexibilidade. Mas em 2025, o mercado começou a ver claramente que os juros iam cair, então travar uma taxa alta por dez anos virou um negócio muito bom.

Inventor

E esse ganho de 20% — é muito ou pouco para renda fixa?

Model

Para renda fixa, é extraordinário. Normalmente você vê ganhos de 8% a 12% em um ano bom. Vinte por cento é o tipo de resultado que você só consegue quando o mercado muda de direção de forma clara e o timing está certo.

Inventor

Marcelo Cidade da Anbima disse que o prêmio deve permanecer atrativo em 2026. O que ele quer dizer com prêmio?

Model

A diferença entre o que você ganha em um título prefixado e o que você ganharia em um título que acompanha a Selic. Mesmo que os juros caiam, essa diferença pode continuar compensadora.

Inventor

Então o investidor que entrou agora em janeiro de 2026 ainda tem chance de ganhar?

Model

Tem, mas não vai ser 20% de novo. O mercado já precificou boa parte da queda. Agora é mais sobre ganhar com a queda efetiva dos juros e com o fluxo de cupons.

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