Agentes abrem fogo após alegado uso de veículo como arma
Vítima era colombiano com permissão legal para trabalhar nos EUA; ICE alega que homem usou veículo contra agentes em legítima defesa. Testemunha descreveu SUV branco colidindo repetidamente contra carro menor antes dos disparos; cerca de 200 manifestantes protestaram contra o ICE.
- Vítima: cidadão colombiano de 26 anos com permissão legal para trabalhar nos EUA
- Local e data: Biddeford, Maine, por volta das 7h30 da manhã de segunda-feira
- Segunda morte: agentes do ICE mataram cidadão mexicano no Texas uma semana antes
- Protestos: cerca de 200 manifestantes se reuniram em Biddeford contra o ICE
Agentes do ICE mataram um cidadão colombiano de 26 anos em Biddeford, Maine, após alegado uso de veículo como arma. É o segundo caso de morte por disparo de agentes de imigração em uma semana.
Na manhã de segunda-feira em Biddeford, Maine, uma cidade de pouco mais de 21 mil habitantes na costa leste americana, agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA abriram fogo contra um homem, deixando-o morto. O incidente ocorreu por volta das 7h30 da manhã, quando uma testemunha ouviu o que parecia ser fogos de artifício vindos da rua. Ao correr para a janela, viu um SUV branco colidindo repetidamente contra um carro branco menor, desviando-o de sua trajetória. Um agente saiu do veículo maior, abriu a porta do carro menor e retirou um homem de dentro dele — jovem, com sangue no rosto e na cabeça.
Organizações de defesa dos direitos humanos identificaram a vítima como um cidadão colombiano de 26 anos que possuía permissão legal para trabalhar nos Estados Unidos e um número de identificação do Serviço de Segurança Nacional. Sua identidade completa não foi divulgada. De acordo com o senador pelo estado Angus King, o secretário de Segurança Interna do governo Trump, Markwayne Mullin, informou que os agentes abriram fogo depois que o homem "usou seu veículo como arma" contra eles. A testemunha descreveu um dos agentes como estando "muito transtornado, quase em estado de choque", alegando que a vítima havia tentado atropelá-lo ou atingi-lo. O ICE não se manifestou publicamente sobre o ocorrido.
O episódio marca a segunda morte causada por disparos de agentes de imigração em menos de uma semana. Sete dias antes, em uma operação no Texas, agentes do ICE mataram Lorenzo Salgado Araujo, um cidadão mexicano que estava em situação irregular nos EUA. Segundo a agência, Salgado bateu em um veículo federal, ignorou ordens para parar e tentou atropelar um dos agentes. O ICE alegou legítima defesa. Ronaldo Salgado, que se apresentou como filho da vítima, contou à emissora Telemundo Houston que seu pai estava procurando trabalhadores para contratar quando foi baleado. Salgado foi levado a um hospital, mas não sobreviveu aos ferimentos.
A morte em Maine desencadeou protestos imediatos. Cerca de 200 manifestantes se reuniram em um parque local, segurando cartazes e entoando palavras de ordem, antes de marchar até o escritório de Biddeford da senadora republicana Susan Collins, que concorre à reeleição este ano. Dez deles entraram no saguão do prédio gritando "Fora, ICE!" e "Tirem-na do cargo pelo voto!", além de proferirem palavrões. Um representante do gabinete de Collins saiu e tentou conversar com alguns manifestantes. Não houve prisões nem violência durante o protesto.
Este não é um padrão isolado. No início de 2026, dois cidadãos norte-americanos foram mortos por disparos de agentes de imigração em Minneapolis. A poeta Renee Nicole Good, de 37 anos e mãe de três filhos, foi alvejada por um agente quando passou de carro por uma área residencial onde ocorria uma operação do ICE. Semanas depois, o enfermeiro Alex Pretti, também de 37 anos, morreu após ser baleado por um agente do Departamento de Segurança Interna durante uma patrulha em um protesto contra a política migratória do governo Trump.
Os relatos iniciais de agências de imigração sobre operações semelhantes têm sido contestados por evidências posteriores. Em outubro, Marimar Martinez, moradora da região de Chicago, foi acusada de atingir agentes com seu carro e levou cinco tiros, mas sobreviveu. As acusações foram retiradas após imagens de câmeras indicarem que os próprios agentes poderiam ter provocado a colisão. Esses casos sugerem um padrão de discrepâncias entre as versões oficiais do ICE e o que câmeras e outras provas documentam, levantando questões mais amplas sobre o uso de força durante operações de imigração.
Notable Quotes
Agentes abriram fogo depois que o homem usou seu veículo como arma contra eles— Senador Angus King, citando o secretário de Segurança Interna Markwayne Mullin
O agente parecia estar muito transtornado, quase em estado de choque— Testemunha do incidente em Biddeford
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que essa morte em Maine importa agora, especialmente vindo uma semana após o caso no Texas?
Porque não é mais um incidente isolado. Quando dois casos de morte por disparo de agentes de imigração acontecem em uma semana, você começa a ver um padrão — e padrões exigem explicação.
A alegação do ICE é que o homem usou seu carro como arma. Isso é uma defesa legítima para disparar?
Tecnicamente, sim — se for verdade. Mas aqui está o problema: em casos anteriores, as câmeras mostraram que a versão oficial não correspondia aos fatos. Em Chicago, os agentes disseram que a mulher os atingiu com o carro. As imagens sugeriram o oposto.
Então como sabemos o que realmente aconteceu em Biddeford?
Não sabemos ainda. A testemunha viu um carro branco colidindo contra outro. Viu sangue. Viu um agente aparentemente perturbado. Mas não vimos câmeras, não vimos a sequência completa. E o ICE não falou.
O colombiano tinha permissão legal para estar aqui. Por que ele estava sendo abordado?
Boa pergunta. Ele tinha documentação, tinha direito de trabalhar. Então por que agentes de imigração estavam envolvidos? Não sabemos se foi uma operação direcionada ou um encontro casual que escalou.
Os protestos em Biddeford foram violentos?
Não. Duzentas pessoas, cartazes, palavras de ordem, alguns entraram em um prédio gritando. Ninguém foi preso. Foi raiva, mas foi ordeira.
O que muda agora?
Investigações, provavelmente. Pressão política. E a questão maior: se câmeras já contradisseram o ICE antes, por que continuamos aceitando suas versões sem ceticismo imediato?