Thiago Silva será capitão do Brasil pela terceira Copa; veja histórico dos líderes

Thiago Silva segue como um elo vivo entre gerações
Aos 38 anos, o zagueiro permanece em atividade enquanto muitos capitães históricos já se foram.

Desde que Preguinho ergueu a braçadeira pela primeira vez em 1930, o Brasil construiu uma linhagem de capitães que espelha não apenas a evolução do futebol, mas a própria história humana — com suas glórias, perdas e continuidades. Thiago Silva, ao vestir a braçadeira pela terceira Copa consecutiva no Qatar, torna-se um elo raro entre o passado e o presente: um líder ainda em atividade, carregando o peso e a honra de quase um século de tradição. Sua longevidade como capitão convida a refletir sobre o que significa liderar uma nação inteira através do esporte.

  • A braçadeira do Brasil no Qatar recai sobre Thiago Silva pela terceira vez seguida, uma continuidade incomum numa história marcada por revezamentos e incertezas de liderança.
  • Vários dos maiores capitães brasileiros já não estão mais entre nós — Bellini, Carlos Alberto Torres e Sócrates deixaram legados imensos e mortes que revelaram fragilidades humanas profundas, como o dano cerebral crônico encontrado no crânio do campeão de 1958.
  • Em momentos de crise, como 1966 e 1974, o Brasil dividiu a braçadeira entre dois jogadores, sinal de que a liderança nem sempre foi consenso dentro do grupo.
  • O rodízio de 2018 — entre Marcelo, Miranda e Thiago Silva — dissolveu-se com o tempo: dos três, apenas o zagueiro do Chelsea sobreviveu às convocações e chegou ao Qatar como capitão único.
  • Enquanto ex-capitães como Raí transitam pela política e Cafu atua como embaixador do torneio, Thiago Silva permanece em campo, representando uma geração que ainda não encerrou sua história.

Thiago Silva entra em campo contra a Sérvia com a braçadeira brasileira pela terceira Copa do Mundo consecutiva. Aos 38 anos, o zagueiro do Chelsea consolida uma liderança que começou oficialmente em 2014, no torneio disputado em solo brasileiro, e que resistiu ao rodízio promovido por Tite em 2018, quando Marcelo e Miranda também vestiram a faixa. Nenhum dos outros dois foi convocado para o Qatar — Marcelo defende o Olympiacos, Miranda se despediu do São Paulo — e Thiago Silva segue como o único elo vivo daquela tríade.

A história dos capitães brasileiros começa em 1930, com Preguinho, e atravessa quase um século de futebol e humanidade. Bellini, que liderou o tri de 1958, morreu em 2014, e o estudo de seu cérebro revelou encefalopatia traumática crônica em grau severo — uma descoberta perturbadora sobre o preço pago por gerações de atletas. Carlos Alberto Torres, capitão da seleção de 1970 considerada a melhor de todos os tempos, faleceu em 2016. Sócrates, o médico-jogador que comandou a equipe de 1982, morreu em 2011, levando consigo a memória de um time brilhante que nunca conquistou o título.

Nem sempre a liderança foi exercida por um único homem. Em 1966 e 1974, dois jogadores dividiram a braçadeira em cada edição, reflexo de momentos de transição e instabilidade dentro do grupo. Dunga, capitão do tetra em 1994 ao lado de Raí, voltaria em 1998 e depois como técnico em 2010 e 2014. Raí, por sua vez, integra hoje a equipe de transição do governo Lula. Cafu, que usou a braçadeira em 2002 e 2006, trabalha como embaixador da Copa do Qatar.

O que distingue Thiago Silva de quase todos os seus antecessores é simples e poderoso: ele ainda joga. Enquanto muitos capitães históricos já partiram ou se afastaram do futebol há décadas, ele segue competindo no mais alto nível europeu. Sua terceira braçadeira em Copa do Mundo é, antes de tudo, um testemunho de longevidade — e uma aposta renovada de uma comissão técnica que o vê como peça essencial na busca pelo hexacampeonato.

Thiago Silva calçará a braçadeira azul e amarela pela terceira vez consecutiva quando o Brasil enfrentar a Sérvia nesta quinta-feira, às 16h, na estreia da Copa do Mundo do Qatar. Aos 38 anos, o zagueiro do Chelsea retoma um papel que já havia exercido em 2014 e 2018, consolidando-se como uma das figuras mais duradouras da liderança brasileira em Mundiais — um feito que merece ser visto à luz de quase um século de história.

Desde 1930, quando Preguinho ergueu a braçadeira na edição inaugural do torneio, o Brasil passou por 22 capitães em suas campanhas de Copa. Alguns deles se tornaram lendas do futebol mundial. Bellini, que comandou a seleção no tricampeonato de 1958, morreu em 2014 aos 83 anos, e sua morte revelou um detalhe perturbador: seu cérebro, doado pela família para pesquisa, apresentava encefalopatia traumática crônica em grau maior que o Alzheimer — a mesma condição que afetou boxeadores como Maguila e Éder Jofre. Carlos Alberto Torres, o lateral direito que liderou o tri de 1970, considerado por muitos a melhor seleção de todos os tempos, faleceu em 2016 aos 72 anos. Cafu, que usou a braçadeira em 2002 e 2006, permanece vivo aos 52 anos e hoje trabalha como embaixador da Copa do Qatar.

A história dos capitães brasileiros revela também momentos de incerteza e divisão de poder. Em 1966, Orlando e Bellini compartilharam a responsabilidade, revezando-se nas partidas enquanto o Brasil caía precocemente na fase de grupos. Em 1974, Piazza e Marinho Peres dividiram o cargo — o primeiro, ídolo do Cruzeiro, ainda vive aos 79 anos, enquanto o segundo, agora com 75, construiu uma longa carreira como treinador após pendurar as chuteiras. Em 1978, Rivellino e Emerson Leão foram os líderes, e décadas depois Rivellino, aos 76 anos, comentava a Copa de 2022 pela rádio Cultura.

Alguns capitães marcaram suas épocas de forma indelével. Sócrates, o médico que liderou a seleção em 1982, morreu em 2011 aos 57 anos, levando consigo a memória daquela equipe repleta de craques que não conquistou o título. Dunga, que começou como capitão na campanha do tetra em 1994 ao lado de Raí, retornou ao cargo em 1998 e depois comandou a seleção como técnico em 2010, antes de uma passagem menos feliz entre 2014 e 2016. Raí, seu companheiro de liderança naquele 1994, integra hoje a equipe de transição do governo Lula.

Em 2014, no Brasil, Thiago Silva vestiu pela primeira vez a braçadeira oficial em uma Copa do Mundo. Quatro anos depois, em 2018, o técnico Tite optou por um rodízio de capitães, promovendo Marcelo, Thiago Silva e Miranda para compartilhar a liderança. Dos três, apenas Thiago Silva foi convocado novamente para o Qatar. Marcelo, o lateral esquerdo de 34 anos, agora defende o Olympiacos, enquanto Miranda, aos 38 anos, acaba de se despedir do São Paulo.

A trajetória de Thiago Silva como capitão contrasta com a de seus antecessores em um aspecto fundamental: ele permanece em atividade, ainda jogando no mais alto nível europeu. Enquanto muitos dos capitães históricos do Brasil já se foram — Preguinho em 1979, Martim Silveira em 1972, Leônidas da Silva em 2004 — Thiago Silva segue como um elo vivo entre gerações. Sua terceira braçadeira em Copa do Mundo não é apenas um número; é um testemunho de longevidade, consistência e confiança renovada de uma comissão técnica que o vê como essencial para a liderança do grupo em busca do hexacampeonato.

Bellini ameaçou abandonar a seleção caso não fosse escalado na formação inicial em 1962
— Histórico da seleção brasileira
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Thiago Silva merecia ser capitão pela terceira vez, e não outro jogador mais jovem?

Model

Porque ele já havia feito isso duas vezes e saído bem. Tite conhece seu trabalho, confia nele. Aos 38 anos, ele ainda joga em alto nível na Europa. Não é só sobre idade — é sobre experiência acumulada.

Inventor

Olhando para trás, qual capitão você acha que deixou o legado mais pesado?

Model

Bellini, talvez. Ele conquistou o título em 1958, depois voltou em 1962 e ameaçou abandonar a seleção se não fosse escalado. Aquela determinação marca. E depois, décadas depois, descobrimos que seu cérebro carregava cicatrizes que ninguém via.

Inventor

Muitos desses capitães já morreram. Como você explica isso?

Model

Futebol de alto nível é violento. Cabeçadas, choques, pancadas — tudo isso acumula. Bellini desenvolveu encefalopatia traumática crônica. Outros simplesmente envelheceram. Mas o ponto é que eles deixaram marca.

Inventor

E Cafu? Ele ainda está vivo e ativo.

Model

Cafu é diferente. Aos 52 anos, ele é embaixador da Copa, faz tours com a taça, trabalha para empresas. Ele transformou a braçadeira em carreira pós-futebol. Thiago Silva pode estar no caminho para algo parecido.

Inventor

Qual é a diferença entre um capitão que divide o cargo e um que fica sozinho?

Model

Quando divide, há confusão. Em 1966, Orlando e Bellini revezavam e o Brasil caiu na fase de grupos. Em 2018, Tite tentou rodízio com três capitães — Marcelo, Thiago Silva e Miranda. Só Thiago Silva voltou. Parece que concentrar a liderança funciona melhor.

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