O grande prêmio é ganhar a Copa, não gosto disso de chegou aqui e está tudo bem
Na véspera de um confronto histórico, o técnico Mohamed Ouahbi apresentou Marrocos ao mundo não como uma equipe resignada à derrota, mas como uma nação que aprendeu a diferença entre reconhecer a realidade e se curvar a ela. Com Saibari fora por lesão na coxa, o time africano chega às quartas de final da Copa do Mundo diante da favorita França carregando uma ambição que não cabe em narrativas de consolação. É nesse espaço entre o realismo e a recusa ao conformismo que Marrocos encontra sua identidade neste torneio.
- A ausência de Saibari — artilheiro marroquino com três gols — abre uma ferida real no ataque antes do jogo mais difícil da Copa.
- A França pesa sobre Marrocos não apenas em qualidade, mas no peso simbólico do favoritismo declarado pelo próprio técnico adversário.
- Ouahbi recusa transformar o reconhecimento do favoritismo francês em aceitação silenciosa da derrota, exigindo 100% dos seus jogadores.
- Soufiane Rahimi assume o lugar de Saibari, e Marrocos reorganiza suas peças sem abandonar o objetivo maior: levantar a taça.
- O técnico vê evolução real em relação a 2022 e chega a Boston com confiança no trabalho feito — sólido, digno, ainda inacabado.
Mohamed Ouahbi chegou à coletiva de imprensa com duas verdades nas mãos: Saibari não jogaria, e a França era favorita. A lesão na coxa direita sofrida contra o Canadá não cicatrizou a tempo, e o atacante que havia marcado três gols em cinco partidas ficaria fora das quartas de final. Soufiane Rahimi seria seu substituto.
Mas o técnico não veio para falar de perdas. Veio para falar de propósito. Reconheceu o futebol francês com respeito genuíno — funciona bem, trabalha bem —, mas traçou uma linha clara entre admitir um favoritismo e aceitar uma derrota antes de jogar. "Não gosto da sensação de enfrentar um muro", disse. "O grande prêmio é ganhar a Copa." Para ele, o sucesso só se mede no final, não em discursos de quem chegou longe e ficou satisfeito.
Ouahbi também olhava para 2022 com olhos de quem evoluiu. O time que leva a Boston é mais maduro, mais sólido. Há coisas a melhorar, sempre há — inclusive, reconheceu, na relação com a arbitragem, que pode influenciar resultados. Mas o que construíram até aqui merece confiança.
A mensagem era ao mesmo tempo simples e exigente: Marrocos não entra em campo para cumprir tabela. Entra para disputar, para não deixar nada a dever. O objetivo não mudou desde o início da competição. É a Copa do Mundo.
Mohamed Ouahbi sentou diante dos microfones na véspera de um dos jogos mais importantes da Copa do Mundo e fez duas coisas ao mesmo tempo: reconheceu a realidade e recusou se render a ela. Saibari, o atacante marroquino que havia marcado três gols em cinco partidas até ali, não estaria em campo contra a França. A lesão na coxa direita sofrida no sábado anterior, durante o confronto com o Canadá, não cicatrizou a tempo. Soufiane Rahimi entraria em seu lugar.
Mas o técnico não veio para falar de desfalques. Veio para falar de ambição. A partida aconteceria na quinta-feira às 17h, no Estádio de Boston, transmitida pela TV Globo, sportv e ge tv. A França era, sim, a favorita — Ouahbi não tinha ilusões sobre isso. O futebol francês funciona bem, trabalha bem, e ninguém deveria se surpreender com a qualidade que Marrocos enfrentaria. Mas havia uma diferença entre reconhecer um favoritismo e aceitar uma derrota antecipada, e era exatamente nessa lacuna que o técnico plantava sua bandeira.
"Não gosto da sensação de enfrentar um muro," disse ele, com a clareza de quem já havia pensado muito sobre essas palavras. "O grande prêmio é ganhar a Copa, não gosto disso de chegou aqui e está tudo bem." Não era conformismo que ele buscava em seus jogadores. Era luta até o fim, disputa a 100%, tudo que tivessem para dar. O sucesso, insistiu, só se media ao final da competição, não em declarações de pré-jogo ou em narrativas de quem chegou longe e ficou satisfeito.
Ouahbi também olhava para trás, para 2022, e via diferença. Não era questão de ter mais ou menos pontos fortes — era questão de evolução. O time que Marrocos levava para Boston não era o mesmo que havia jogado quatro anos antes. Havia coisas a melhorar, claro, sempre havia. Mas o que tinham feito até ali não era ruim. Era sólido. Era digno de confiança.
Quando perguntado sobre o árbitro — um profissional experiente que dirigiria o jogo —, Ouahbi manteve a tranquilidade. Já havia trabalhado com árbitros de várias nacionalidades naquela Copa. Um holandês antes de enfrentar a Holanda. Outro que falava pouco e dava muitos cartões contra o Canadá. Outro ainda que raramente punia infrações. Essas variações podiam influenciar o resultado, pensava ele, e havia espaço para melhora nesse aspecto. Mas nada além disso. Os árbitros estavam no nível esperado.
A mensagem final era simples e complexa ao mesmo tempo: Marrocos não entraria em Boston para cumprir tabela. Entraria para jogar, para competir, para não deixar nada a dever. A França era favorita, sim. Mas o objetivo permanecia intacto. E esse objetivo não era chegar às quartas de final. Era ganhar a Copa do Mundo.
Citas Notables
Não gosto da sensação de enfrentar um muro. O grande prêmio é ganhar a Copa, não gosto disso de chegou aqui e está tudo bem.— Mohamed Ouahbi, técnico de Marrocos
França é favorita, mas faremos o possível para ganhar o jogo de amanhã.— Mohamed Ouahbi
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que o técnico insiste tanto em dizer que não quer conformismo? Parece uma mensagem para fora ou para dentro do vestiário?
Provavelmente para os dois. Mas principalmente para dentro. Quando você perde um jogador como Saibari — três gols em cinco partidas — há um risco real de o grupo se encolher, de pensar que já fez o suficiente. Ouahbi está dizendo: não. Não é assim que funciona aqui.
E quanto ao reconhecimento de que a França é favorita? Não é estranho um técnico admitir isso tão abertamente?
Não quando você está sendo honesto. Ele não está sendo fraco — está sendo realista. E há força nisso. Ele está dizendo: sabemos quem vocês são, sabemos que é difícil, e vamos tentar mesmo assim. Não há ilusão, só determinação.
Ele menciona 2022 várias vezes. O que mudou em Marrocos desde então?
O time evoluiu. Não é mais aquele que chegou às semifinais por acaso. Agora há estrutura, há confiança no que fazem. Ouahbi está dizendo que essa evolução é real, que não é só retórica.
E a questão dos árbitros? Por que ele traz isso à tona?
Porque árbitros influenciam jogos. Um que dá muitos cartões muda o ritmo. Um que não marca nada muda também. Ele está sinalizando que Marrocos está atento, que não vai reclamar depois, mas que sabe que essas coisas importam.
No fim, qual é o verdadeiro recado?
Que Marrocos veio para competir, não para participar. Que a ausência de Saibari dói, mas não quebra nada. Que a França é grande, mas Marrocos também acredita em si mesmo.