Enfim, daremos uma solução definitiva para a duplicação integral da rodovia da morte
Estradas que por décadas carregaram o peso de tragédias e promessas adiadas receberam, na quarta-feira, um passo concreto em direção à transformação: o Tribunal de Contas da União aprovou por unanimidade o edital de concessão da BR-381 e da BR-262, abrindo caminho para um leilão previsto entre outubro e novembro de 2021. Com R$ 7,3 bilhões em obras e um contrato de trinta anos, o projeto toca uma questão mais ampla sobre o papel do Estado em converter infraestrutura negligenciada em bem público duradouro. O histórico de atrasos, porém, lembra que entre a aprovação e a realização há sempre um trecho ainda por percorrer.
- A BR-381, apelidada de 'rodovia da morte' por décadas de acidentes fatais, finalmente tem um edital aprovado por unanimidade pelo TCU — um sinal de que a transformação deixou de ser promessa e ganhou forma jurídica.
- O julgamento havia sido suspenso na semana anterior para que dois ministros do tribunal alinhassem seus pareceres sobre concessões semelhantes, revelando a complexidade técnica e política que cerca projetos dessa magnitude.
- Com R$ 7,3 bilhões em duplicações, faixas adicionais e o contorno de Manhuaçu, o projeto representa um dos maiores investimentos em infraestrutura rodoviária do centro-sul do país em anos recentes.
- O leilão adota critério híbrido — menor pedágio vence, com outorga como desempate —, e o governo espera disputa acirrada por um corredor estratégico para cargas e passageiros.
- O Ministério da Infraestrutura, queimado por previsões anteriores que não se cumpriram, recusa-se a fazer novas promessas públicas e aguarda a publicação do acórdão pela ANTT antes de confirmar datas.
Na noite de quarta-feira, o TCU deu aval unânime ao edital de concessão da BR-381 e da BR-262, abrindo caminho para um leilão que o Ministério da Infraestrutura espera realizar entre outubro e novembro de 2021. A aprovação encerra uma etapa longa e acidentada de um projeto que já acumula meses de atraso.
O escopo é expressivo: R$ 7,3 bilhões em obras ao longo de mais de 670 quilômetros, incluindo 402 km de duplicação e 228 km de faixas adicionais na BR-381 — a chamada 'rodovia da morte', que liga Belo Horizonte a Governador Valadares. A BR-262, conectando Minas Gerais ao Espírito Santo, também integra o lote. O município de Manhuaçu ganhará um contorno para aliviar o tráfego urbano. Outros R$ 4,7 bilhões serão destinados à operação das rodovias durante os trinta anos de contrato.
O julgamento havia sido adiado na semana anterior para que o ministro Walton Alencar, relator de um processo paralelo sobre a Rodovia Presidente Dutra, harmonizasse seu parecer com o do ministro Raimundo Carreiro, responsável pela BR-381. A semelhança entre os dois casos justificou a pausa.
O leilão seguirá critério híbrido: vence quem oferecer a menor tarifa de pedágio, com o valor de outorga servindo de desempate. Marcello Costa, secretário nacional de Transportes Terrestres, descreveu o corredor como um dos eixos logísticos mais relevantes do centro-sul e manifestou esperança em uma disputa acirrada.
O histórico, porém, pesa. O edital deveria ter sido publicado no primeiro semestre de 2020; chegou ao TCU apenas no fim daquele ano. Uma nova data marcada para março de 2021 também não foi cumprida. Agora, o ministério evita novas promessas e aguarda a publicação do acórdão pela ANTT — o próximo passo antes de o leilão, enfim, poder acontecer.
Na noite de quarta-feira, o Tribunal de Contas da União deu seu aval unânime a um projeto que promete transformar dois dos principais corredores de transporte do país. O edital para concessão da BR-381 e BR-262 foi aprovado sem objeções, abrindo caminho para um leilão que o Ministério da Infraestrutura espera realizar entre outubro e novembro deste ano.
O projeto é ambicioso em escala. Serão investidos R$ 7,3 bilhões em duplicações e melhorias ao longo de mais de 670 quilômetros de rodovia — a BR-381 ligando Belo Horizonte a Governador Valadares, e a BR-262 conectando João Monlevade em Minas Gerais a Viana no Espírito Santo. Outros R$ 4,7 bilhões serão destinados à operação das rodovias durante um contrato de três décadas. A BR-381, conhecida historicamente como a "rodovia da morte" por seus altos índices de acidentes, receberá atenção especial: 402 quilômetros serão duplicados, 228 quilômetros ganharão faixas adicionais, e o município mineiro de Manhuaçu terá um contorno construído para desviar o tráfego do centro urbano.
O caminho até essa aprovação não foi direto. O julgamento havia sido adiado na semana anterior quando o ministro Walton Alencar, relator de outro processo de concessão envolvendo a Rodovia Presidente Dutra no Rio de Janeiro, solicitou mais tempo para harmonizar os detalhes de seu parecer com o do ministro Raimundo Carreiro, responsável pela análise da BR-381. A semelhança entre os dois casos justificou a pausa estratégica.
O leilão seguirá um critério híbrido: vence quem oferecer a menor tarifa de pedágio. Se houver empate, o desempate vai para quem se dispuser a pagar mais em outorga ao governo federal. Marcello Costa, secretário nacional de Transportes Terrestres, expressou esperança de que a disputa seja acirrada. Ele descreve o complexo como um dos eixos mais importantes para logística de cargas e transporte de passageiros na região centro-sul do país.
Mas há um histórico de atrasos que paira sobre o projeto. A previsão original era que o edital fosse publicado no primeiro semestre de 2020, com a concessão iniciando ainda naquele ano. O edital só chegou ao TCU no final de 2020. Uma nova data foi marcada para março de 2021, mas também não se cumpriu. Agora, o Ministério da Infraestrutura adota uma postura mais cautelosa, evitando fazer novas promessas públicas. A pasta diz que aguardará a publicação do acórdão pelo tribunal e somente então avaliará os impactos no cronograma. Cabe agora à Agência Nacional de Transportes Terrestres publicar o edital com as regras finais do leilão — o próximo passo em um processo que já acumula meses de espera.
Citas Notables
Este complexo é um dos mais importantes eixos de logística de cargas e de transporte de passageiros da região centro-sul do país— Marcello Costa, secretário nacional de Transportes Terrestres
Está aprovado também o leilão da BR-381 com a BR-262 pelo TCU com R$ 7,3 bi em duplicações e melhorias. Enfim, daremos uma solução definitiva para a duplicação integral da rodovia da morte— Tarcísio de Freitas, ministro da Infraestrutura
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que essa rodovia em particular ganhou tanta atenção do governo? Qual é a urgência?
A BR-381 é um corredor crítico entre Minas Gerais e o Espírito Santo. Ela carrega muito do comércio e da logística da região, mas ganhou fama negativa pelos acidentes. Chamar de "rodovia da morte" não é exagero — é um apelido que pegou porque o problema era real.
E por que o TCU precisava aprovar isso? Não é uma decisão do governo?
O TCU fiscaliza como o dinheiro público é gasto. Quando o governo quer conceder uma rodovia a uma empresa privada, precisa garantir que o edital — as regras do leilão — está bem feito, que os termos são justos, que o investimento faz sentido. É um controle.
Então R$ 7,3 bilhões é dinheiro público?
Não exatamente. É o compromisso que a empresa vencedora do leilão terá que fazer em investimentos. O governo não está pagando isso; está transferindo a responsabilidade para quem ganhar a concessão. Em troca, essa empresa cobra pedágio dos usuários por 30 anos.
E esses atrasos — por que aconteceram?
Não está claro no documento. Mas o padrão sugere que processos dessa complexidade — envolvendo múltiplos estados, muita infraestrutura — levam mais tempo do que o planejado. O governo prometeu, não cumpriu, prometeu de novo, não cumpriu. Agora está sendo mais discreto.
O que muda para quem dirige nessas rodovias?
Se tudo correr bem, as estradas ficarão melhores — duplicadas, mais seguras. Mas também terão pedágio. Quem usa essas rodovias vai pagar mais, mas em troca terá uma via melhor mantida. É o trade-off da concessão.