A fatia dos EUA nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, o menor patamar desde 1997
Num momento em que as fronteiras comerciais voltam a ser redesenhadas pela política, o Brasil viu sua presença no mercado americano recuar ao menor patamar em quase três décadas. As tarifas impostas por Donald Trump reduziram as exportações brasileiras aos Estados Unidos a US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2026 — uma queda de 13% que encolheu a fatia americana no comércio exterior brasileiro para apenas 9,4%. O episódio revela como decisões tomadas em Washington reverberam nas lavouras de café, nas plataformas de petróleo e nas fábricas de suco de todo um continente, enquanto o Brasil, pragmático, busca novos caminhos pelo mundo.
- As tarifas de Trump funcionaram como uma barreira real: produtos sobretaxados despencaram 16,6%, com sucos de frutas perdendo quase metade de suas remessas aos EUA e o café não torrado caindo 34,8%.
- O comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos encolheu 12,8% no período, e as importações brasileiras de máquinas e motores americanos sofreram uma queda brutal de 76%, apagando US$ 2,7 bilhões do fluxo comercial.
- O horizonte se torna ainda mais nebuloso: o USTR discute ampliar tarifas adicionais a partir de 15 de julho, no âmbito de uma investigação da Seção 301, o que pode aprofundar ainda mais as perdas brasileiras.
- O Brasil reage redirecionando rotas — as exportações para a China saltaram 21,9% e para a União Europeia cresceram 12,8%, enquanto as vendas globais do país avançaram 11,5% no semestre.
- Junho ofereceu um lampejo de alívio com alta de 3,7% em valor nas exportações aos EUA, encerrando dez meses consecutivos de queda, mas o crescimento em volume ainda foi negativo e os itens taxados continuaram recuando.
As tarifas impostas por Donald Trump deixaram uma marca profunda no comércio entre Brasil e Estados Unidos. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para o mercado americano caíram 13%, chegando a US$ 17,4 bilhões — o menor volume registrado desde 1997. Com isso, a participação dos EUA nas vendas externas do Brasil encolheu para 9,4%, também um recorde negativo. Os dados são da Amcham Brasil e revelam o peso concreto das políticas comerciais de Trump sobre a economia brasileira.
O impacto foi desigual. Produtos sobretaxados sofreram quedas de 16,6%, enquanto os não taxados recuaram apenas 8,7%. Entre os mais afetados estão o café não torrado (-34,8%), o petróleo bruto (-30,4%) e os sucos de frutas (-48,2%), que desapareceram da lista dos dez principais itens exportados. Por outro lado, aeronaves (+32,9%), carne bovina (+41%) e equipamentos de engenharia (+23,8%) cresceram — justamente por escaparem das sobretaxas. Esses ganhos, porém, não compensaram as perdas. O comércio bilateral total encolheu 12,8%, somando US$ 36,4 bilhões, e as importações brasileiras de produtos americanos também caíram 12,5%.
Enquanto a relação com os EUA se deteriorava, o Brasil encontrou outros caminhos. As exportações globais do país cresceram 11,5% no semestre, com avanços expressivos para a China (+21,9%) e para a União Europeia (+12,8%). A reorientação comercial é uma resposta prática a um mercado americano cada vez menos atrativo.
Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, reconheceu que os dados confirmam um período de forte pressão e reforçou a necessidade de um acordo para evitar novas tarifas. A preocupação tem fundamento: o USTR estuda ampliar as sobretaxas a partir de 15 de julho. Junho trouxe um pequeno respiro — as exportações subiram 3,7% em valor, encerrando dez meses de queda consecutiva —, mas em volume o resultado ainda foi negativo. O cenário à frente, agravado pelo conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre o mercado de óleo e gás, permanece incerto.
As tarifas impostas por Donald Trump fizeram o Brasil perder terreno no mercado americano de forma dramática. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram para US$ 17,4 bilhões — uma queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior e o menor volume registrado desde que a série começou a ser acompanhada, em 1997. Com isso, a participação dos EUA no total das vendas brasileiras para o exterior encolheu para 9,4%, também um recorde negativo. Os números vêm de um levantamento da Amcham Brasil, a câmara de comércio americana no país, e revelam o peso real das políticas comerciais de Trump sobre a economia brasileira.
O impacto não foi uniforme. Produtos que receberam sobretaxação do governo americano sofreram quedas muito mais severas do que aqueles que escaparam da tributação adicional. As mercadorias taxadas registraram recuo de 16,6% nas vendas, enquanto as não taxadas caíram apenas 8,7%. Entre os principais itens de exportação brasileira, cinco dos dez mais vendidos encolheram — todos eles alvo de tarifas. O café não torrado despencou 34,8%, o petróleo bruto caiu 30,4%, e os semi-acabados de ferro ou aço recuaram 21,7%. Mas alguns produtos sofreram golpes ainda mais duros: os sucos de frutas viram suas remessas aos EUA cortadas quase pela metade, com queda de 48,2%, caindo de US$ 153,1 milhões e desaparecendo da lista dos dez principais produtos exportados.
Nem tudo foi perdido. Cinco dos dez principais itens de exportação brasileira conseguiram crescer nas vendas para os americanos, justamente porque não foram alvo de tarifação. As aeronaves subiram 32,9%, a carne bovina cresceu 41%, os óleos combustíveis avançaram 13,7%, os equipamentos de engenharia saltaram 23,8% e as máquinas de energia elétrica aumentaram 16%. Esses ganhos, porém, não foram suficientes para compensar as perdas em setores inteiros. O comércio bilateral entre Brasil e EUA encolheu 12,8% no período, totalizando US$ 36,4 bilhões. As importações brasileiras de produtos americanos também caíram 12,5%, com máquinas e motores registrando uma queda brutal de 76%, equivalente a menos US$ 2,7 bilhões.
Enquanto isso, o Brasil redirecionou suas exportações para outros parceiros com sucesso. As vendas globais do país cresceram 11,5% no primeiro semestre, com saltos significativos para a China (21,9%) e para a União Europeia (12,8%). A mudança de rotas comerciais é clara: na medida em que os EUA se tornam um mercado menos atrativo por causa das tarifas, o Brasil encontra oportunidades em outros lugares.
Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, vê nos dados uma confirmação do que já era esperado. "O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão", disse em nota, reforçando a necessidade de um acordo que evite novas tarifas. A preocupação é real: o Representante Comercial dos EUA (USTR) está discutindo a possibilidade de ampliar as tarifas adicionais a partir de 15 de julho, no âmbito de uma investigação da Seção 301. Se implementadas, essas novas sobretaxas podem comprometer ainda mais as trocas entre os dois países.
Junho trouxe um pequeno alívio. Após dez meses consecutivos de queda nas exportações brasileiras para os EUA, impulsionados pelas tarifas impostas em agosto do ano anterior, as vendas subiram 3,7% em valor naquele mês. Mas o crescimento foi apenas em valor nominal — em volume, houve decréscimo. E os itens sobretaxados continuaram registrando quedas. O horizonte adiante, segundo a Amcham, é de incerteza. Além da possível ampliação das tarifas americanas, o conflito no Oriente Médio pressiona os preços de produtos derivados de óleo e gás, criando um cenário complexo para as exportações brasileiras nos próximos meses.
Citas Notables
O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas— Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que as tarifas de Trump afetaram tanto alguns produtos e outros não?
Porque o governo americano foi seletivo. Taxou café, petróleo, aço, sucos — produtos que considera estratégicos ou que quer proteger da concorrência. Aeronaves e carne bovina não entraram na lista, então continuaram crescendo. É uma escolha política, não um efeito aleatório.
O Brasil está realmente perdendo mercado ou apenas redirecionando as vendas?
Ambas as coisas. As exportações globais do Brasil cresceram 11,5%, então há demanda lá fora. Mas o mercado americano encolheu de verdade — é a menor fatia desde 1997. O Brasil está compensando com China e Europa, mas perder 13% de vendas para o maior mercado do mundo não é negligenciável.
Qual é o risco real se as tarifas aumentarem ainda mais?
O risco é que setores inteiros fiquem inviáveis. Sucos de frutas já caíram 48%. Se as tarifas dobrarem, alguns produtores podem simplesmente desistir de vender para os EUA e realocar investimentos. Isso muda a estrutura do comércio de forma permanente.
Por que as importações brasileiras dos EUA também caíram tanto?
Porque quando o comércio bilateral encolhe, vai nos dois sentidos. Máquinas e motores caíram 76% — provavelmente porque empresas brasileiras estão investindo menos, comprando menos equipamento. É um efeito cascata.
Junho mostrou recuperação. Isso muda o cenário?
Não muito. Junho foi um mês isolado, e mesmo assim o crescimento foi só em valor, não em volume. Os produtos taxados continuaram caindo. É mais um suspiro do que uma reversão de tendência.