SUS disponibiliza vacina pneumocócica 20-valente mais potente contra pneumonia

Pneumococo causa até 50% dos casos de meningite bacteriana em crianças com mortalidade de cerca de 30%; nova vacina visa reduzir internações e óbitos por doenças pneumocócicas.
O pneumococo causa metade de todos os casos de meningite bacteriana em crianças
A nova vacina 20-valente do SUS visa reduzir internações e mortes por uma doença que mata 30% dos infectados.

Em junho de 2026, o Sistema Único de Saúde deu um passo silencioso, mas de grande alcance, ao introduzir uma vacina pneumocócica capaz de proteger contra vinte sorotipos da bactéria que responde por metade dos casos de meningite bacteriana infantil no país. A substituição de três imunizantes anteriores por um único e mais abrangente reflete a lógica perene da saúde pública: antecipar o sofrimento antes que ele se instale. O gesto, porém, convive com uma contradição inquietante — enquanto a ciência avança na oferta de proteção, a adesão da população a outras campanhas, como gripe e dengue, permanece muito abaixo do necessário para que a imunidade coletiva cumpra seu papel.

  • O pneumococo mata cerca de 30% das crianças que desenvolve meningite bacteriana, e a vacina anterior deixava descobertos justamente os sorotipos 19A e 3, responsáveis por um número crescente de casos graves.
  • A nova Pneumo 20 substitui três imunizantes de uma só vez, exigindo que famílias e serviços de saúde revisem e adaptem esquemas vacinais já iniciados, criando uma transição que demanda atenção individual.
  • Crianças de 2 meses a 5 anos incompletos e portadores de doenças crônicas são os grupos prioritários, mas a vacinação dos adultos com comorbidades depende de solicitação ativa nas unidades de saúde.
  • Ao mesmo tempo, no Espírito Santo, apenas 38% da população se vacinou contra a gripe e 43% das crianças-alvo recebeu a primeira dose contra dengue — números que ficam muito aquém da meta de 90% do Ministério da Saúde.
  • A baixa adesão às campanhas em curso revela que ampliar o arsenal de vacinas disponíveis não resolve, por si só, o desafio de convencer a população a utilizá-las.

O SUS passou a oferecer este mês a vacina pneumocócica conjugada 20-valente, substituindo três imunizantes anteriores — a Pneumo 10, a Pneumo 13 e a Pneumo 23 — que protegiam contra um espectro mais restrito de sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae. A mudança fecha lacunas importantes, como a ausência de cobertura contra os sorotipos 19A e 3, associados ao aumento de casos de meningite pneumocócica, conforme explicou Danielle Grillo, enfermeira e referência técnica do Programa Estadual de Imunizações.

O público-alvo são crianças de 2 meses até 5 anos incompletos e pessoas com doenças crônicas ou condições clínicas especiais. O esquema vacinal varia conforme o histórico de cada criança: quem nunca recebeu nenhuma dose seguirá uma sequência específica combinando a Pneumo 20 e a Pneumo 10; quem já iniciou a imunização terá o esquema revisado individualmente. A infectologista Rúbia Miossi recomenda que as famílias procurem a unidade de saúde para essa avaliação.

A relevância da atualização fica clara nos números: o pneumococo é responsável por até metade dos casos de meningite bacteriana em crianças, com mortalidade de cerca de 30%. Além de proteger diretamente os vacinados, as vacinas conjugadas bloqueiam a colonização da bactéria na nasofaringe, reduzindo também a transmissão para não vacinados.

O avanço, porém, contrasta com o cenário de outras campanhas no Espírito Santo. A cobertura contra gripe chegou a apenas 38% da população — e 40% entre os idosos —, enquanto a vacina contra dengue alcançou 43% das crianças entre 10 e 14 anos. Ambas as metas estão muito distantes dos 90% estabelecidos pelo Ministério da Saúde. O enfermeiro Claudemir Lemos da Silva, 67 anos, que se vacinou contra a gripe para proteger seu sistema respiratório e cardiovascular, resume bem o apelo: a saúde individual é também uma responsabilidade coletiva, e as mais de 700 salas de vacinação do estado permanecem abertas enquanto durarem os estoques.

O Sistema Único de Saúde começou a oferecer este mês uma vacina pneumocócica mais potente, capaz de proteger contra um espectro muito mais amplo de infecções graves causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae. A nova vacina conjugada 20-valente substitui três imunizantes anteriores — a Pneumo 10, a Pneumo 13 e a Pneumo 23 — que ofereciam proteção mais limitada contra os sorotipos responsáveis por meningite, infecções na corrente sanguínea e pneumonia bacteriana.

A mudança representa uma reorganização significativa da estratégia de imunização nacional. Danielle Grillo, enfermeira e referência técnica do Programa Estadual de Imunizações da Secretaria Estadual da Saúde, explicou que o objetivo central é reduzir o número de quadros graves da doença. Ela apontou especificamente para o aumento de casos de meningite pneumocócica causados pelos sorotipos 19A e 3, que não estão presentes na Pneumo 10 — uma lacuna que a nova vacina fecha. Com a substituição gradual, o ganho na imunização contra essas cepas será enorme, segundo a profissional.

O público-alvo inclui crianças de 2 meses até 5 anos incompletos e pessoas portadoras de doenças crônicas ou condições clínicas especiais. Para as crianças, a vacinação começará ao longo deste mês. Aqueles com doenças crônicas precisam solicitar a imunização na unidade de saúde mais próxima, onde o pedido será analisado caso a caso. O esquema vacinal varia conforme o histórico de imunização de cada criança. Aquelas que ainda não receberam nenhuma dose contra doenças pneumocócicas receberão uma dose da Pneumo 20, seguida de uma da Pneumo 10, complementada por um reforço da nova vacina. Para crianças que já começaram a imunização com a Pneumo 10, o esquema será analisado e adequado individualmente, conforme explica a médica infectologista Rúbia Miossi. O ideal é que as famílias compareçam à unidade de saúde para que o esquema seja revisado de acordo com quantas doses já foram administradas.

A importância dessa mudança fica clara quando se considera o peso da doença pneumocócica. Estima-se que o pneumococo seja responsável por até 50% de todos os casos de meningite bacteriana em crianças, com uma taxa de mortalidade de cerca de 30%. Além das crianças pequenas, idosos e indivíduos com comorbidades como diabetes e hipertensão são particularmente vulneráveis. As vacinas pneumocócicas conjugadas oferecem um benefício adicional: impedem que o pneumococo se instale na nasofaringe, bloqueando a transmissão e proporcionando proteção indireta até mesmo para pessoas não vacinadas.

Porém, enquanto o SUS expande sua proteção contra doenças pneumocócicas, outras campanhas de vacinação enfrentam desafios significativos de adesão. No Espírito Santo, a cobertura vacinal contra gripe e dengue permanece muito abaixo das metas. Apenas 38% da população estadual se vacinou contra a gripe, quando a meta do Ministério da Saúde é de 90%. Entre os idosos especificamente, apenas 40% receberam a imunização. Para a dengue, a situação é igualmente preocupante: apenas 43% do público-alvo — crianças entre 10 e 14 anos — recebeu a primeira dose.

Claudemir Lemos da Silva, enfermeiro de 67 anos, recebeu a vacina contra a gripe há um mês e compreende bem a importância. Ele buscou a imunização para evitar complicações do aparelho respiratório e cardiovascular, particularmente relevantes para portadores de doenças crônicas. Sua mensagem é direta: não deixem de buscar a vacina, pois a saúde individual importa não apenas para o indivíduo e sua família, mas para toda a sociedade. Toda a população acima de 6 meses pode se vacinar contra a gripe nas mais de 700 salas de vacinação espalhadas pelo estado, enquanto durarem os estoques dos imunizantes.

Com a nova vacina, o Ministério da Saúde vai deixar de usar outras três que utilizava contra essas doenças, que ofereciam menos proteção. O objetivo é reduzir o número de quadros graves.
— Danielle Grillo, enfermeira e referência técnica do Programa Estadual de Imunizações
É importante receber a vacina contra a gripe para evitar complicações do aparelho respiratório e cardiovascular, principalmente para os portadores de doenças crônicas.
— Claudemir Lemos da Silva, enfermeiro de 67 anos
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o SUS decidiu trocar três vacinas por uma só agora?

Model

Porque os sorotipos que causam as piores infecções — meningite, sepse — estão mudando. A Pneumo 10 não cobre os tipos 19A e 3, que estão aumentando. Uma vacina mais abrangente reduz internações e mortes.

Inventor

E as crianças que já começaram com a Pneumo 10? Precisam recomeçar tudo?

Model

Não. O esquema é adaptado caso a caso. Se uma criança já tomou duas doses da Pneumo 10, ela completa com pelo menos uma dose da Pneumo 20. Por isso as famílias precisam ir à unidade de saúde para revisar o histórico.

Inventor

Qual é o risco real se uma criança não for vacinada?

Model

O pneumococo causa metade de todos os casos de meningite bacteriana em crianças. A mortalidade é de cerca de 30%. Além disso, causa pneumonia, infecções no sangue. É uma bactéria que mata.

Inventor

Mas a adesão à gripe e dengue está baixa. As pessoas não confiam em vacina?

Model

Não é desconfiança necessariamente. É inércia, dificuldade de acesso, falta de informação. No Espírito Santo, apenas 40% dos idosos se vacinaram contra gripe. A meta é 90%.

Inventor

O que a vacina pneumocócica faz além de proteger quem toma?

Model

Impede que a bactéria se instale na nasofaringe, bloqueando a transmissão. Então protege também quem não foi vacinado — é proteção coletiva.

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