A Lua oscila em sua distância, e quando se aproxima na fase cheia, temos uma superlua
Uma vez mais, o céu convida a humanidade a pausar e contemplar o que sempre esteve acima dela. Na noite desta terça-feira, a Lua completa uma de suas aproximações periódicas à Terra, coincidindo com a fase cheia para produzir o que chamamos de superlua — 11% maior, 20% mais brilhante, e potencialmente tingida de vermelho pelas condições atmosféricas de junho. É um lembrete silencioso de que a imperfeição das órbitas, longe de ser uma falha, é o que torna possível esses encontros entre o olhar humano e a grandeza do cosmos.
- A Lua estará mais próxima da Terra do que o normal nesta terça-feira, criando uma janela rara de beleza astronômica acessível a qualquer pessoa que olhe para cima.
- A poluição luminosa das cidades ameaça reduzir o impacto visual do fenômeno, tornando urgente a escolha de um bom ponto de observação.
- Físicos recomendam os momentos do nascimento e do pôr da Lua como os ideais, quando uma ilusão de ótica no horizonte amplifica ainda mais a percepção do tamanho do astro.
- O fenômeno se estende por toda a noite, sem exigir equipamentos ou proteção, colocando o espetáculo ao alcance de todos a partir das 18 horas.
Na noite desta terça-feira, a Lua se apresentará 11% maior e 20% mais brilhante do que em uma lua cheia comum. As condições atmosféricas de junho podem ainda tingir o astro em tons avermelhados, tornando o fenômeno ainda mais impressionante.
A explicação está na geometria da órbita lunar, que não é um círculo perfeito. Como esclarece o físico Renato Las Casas, a Lua oscila em sua distância da Terra ao longo do ciclo orbital, e quando essa aproximação coincide com a fase cheia — com o satélite próximo ao perigeu, a cerca de 362 mil quilômetros — surge a superlua.
Para observar, não é preciso equipamento especial. Os melhores momentos são o nascimento da Lua no horizonte leste, no início da noite, e o seu ocaso no horizonte oeste, já na madrugada. Próxima à linha do horizonte, uma ilusão de ótica faz o astro parecer ainda maior do que já é. Las Casas recomenda também se afastar dos grandes centros urbanos: a poluição luminosa reduz o contraste do céu e diminui a intensidade da experiência.
A Lua nasce às 18 horas. Basta encontrar um bom lugar, olhar para cima e deixar o momento acontecer.
Na noite de terça-feira, vale a pena levantar os olhos para o céu. A Lua estará 11% maior e 20% mais brilhante do que em uma noite comum de lua cheia — um fenômeno que os astrônomos chamam de superlua, e que as condições atmosféricas de junho podem tornar ainda mais impressionante, tingindo o astro em tons avermelhados.
O que torna isso possível é uma característica fundamental da órbita lunar: ela não é um círculo perfeito. Conforme explica o físico Renato Las Casas, a Lua oscila em sua distância da Terra ao longo de seu ciclo orbital. Em certos momentos, ela se aproxima; em outros, se afasta. Quando essa aproximação coincide com a fase de lua cheia — especificamente quando o satélite está próximo ao perigeu, a cerca de 362 mil quilômetros de distância — ocorre o que chamamos de superlua. Nesta terça-feira, essa convergência acontece, e a Lua estará mais próxima do nosso planeta do que o normal.
Para quem quer observar o fenômeno, há uma vantagem: ele se estende por toda a noite, sem necessidade de equipamento especial ou proteção ocular. Mas há horários ideais. Las Casas recomenda observar quando a Lua nasce no horizonte leste, no início da noite, ou quando se põe no horizonte oeste, já no final da madrugada. Há uma razão para isso que vai além da física: nosso cérebro nos engana quando vemos a Lua próxima à linha do horizonte, criando uma ilusão de ótica que a faz parecer ainda maior do que realmente é.
O local de observação também importa. De qualquer cidade, é possível ver a superlua desde que se escolha um ponto elevado. Mas Las Casas oferece uma sugestão melhor: sair dos grandes centros urbanos. A poluição luminosa das cidades reduz drasticamente o contraste do céu noturno, diminuindo a intensidade visual do fenômeno. Quanto mais longe das luzes artificiais, mais vívida será a experiência.
A Lua nascerá às 18 horas. Não há nada a fazer além de encontrar um bom lugar, olhar para cima e deixar o momento acontecer. Fotografar é permitido — e provavelmente será tentador.
Notable Quotes
A órbita da lua em torno da Terra não é uma órbita perfeita. Isso faz com que, em determinados momentos, a lua se aproxime do nosso planeta e em outros se afaste.— Renato Las Casas, físico
Quando vemos a lua perto da linha do horizonte, o nosso cérebro nos passa uma peça, em que temos a impressão que ela é maior do que quando está no céu.— Renato Las Casas, físico
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a órbita da Lua não é circular? Parece uma falha no design do universo.
Não é falha — é consequência da gravidade agindo em um sistema dinâmico. A órbita é uma elipse porque a Lua não foi "colocada" em um ponto fixo; ela está em movimento constante, equilibrando forças. Essa elipse é o que permite que superluas aconteçam.
E por que junho especificamente? Há algo de especial nesta época do ano?
Não é junho em si. O que torna esta superlua especial é a coincidência: a Lua está na fase cheia exatamente quando passa pelo perigeu. Isso não acontece todo mês. Além disso, as condições atmosféricas de junho — a friagem, a umidade — podem criar aqueles tons avermelhados que tornam o espetáculo visual ainda mais marcante.
A ilusão de ótica que você mencionou — o cérebro nos enganando — é real ou é só uma desculpa para parecer maior?
É real. Quando a Lua está no horizonte, nosso cérebro a compara com objetos terrestres próximos — árvores, prédios — e isso amplifica a percepção de tamanho. No céu alto, não há referência, então ela parece menor. É por isso que os melhores momentos são no nascimento e no pôr.
Então a poluição luminosa é o inimigo aqui?
Completamente. A luz artificial das cidades cria um "ruído" no céu que reduz o contraste. A Lua fica menos brilhante em comparação com o fundo. Longe da cidade, o céu é escuro o suficiente para que aquele brilho extra de 20% realmente faça diferença.