Sueco Svante Pääbo vence Nobel de Medicina por sequenciar genomas ancestrais

Aproximadamente 2% dos genes que carregamos vieram de nossos ancestrais extintos
Descoberta de Pääbo revela que humanos modernos herdam material genético de Neandertais através de encontros ocorridos há milhares de anos.

Na fronteira entre o passado profundo e o presente vivo, o paleogeneticista sueco Svante Pääbo recebeu o Nobel de Medicina de 2022 por decifrar o genoma do Neandertal e revelar a existência do hominídeo de Denisova — seres extintos que, descobriu-se, ainda habitam silenciosamente em nós. Seu trabalho demonstrou que cerca de 2% do nosso material genético foi herdado desses ancestrais desaparecidos, moldando desde nossa imunidade até as perguntas mais antigas da humanidade: o que nos faz, afinal, humanos?

  • Por décadas, a ciência não sabia quais diferenças genéticas separavam o Homo Sapiens de seus parentes extintos — Pääbo quebrou esse silêncio com sequenciamento pioneiro do genoma neandertal.
  • A descoberta do hominídeo de Denisova ampliou ainda mais o mapa da nossa origem, revelando uma espécie inteiramente desconhecida a partir de fragmentos ósseos e análise de DNA antigo.
  • Aproximadamente 2% dos genes humanos modernos vieram de cruzamentos com esses hominídeos extintos, e esse legado influencia concretamente como nosso sistema imunológico combate infecções hoje.
  • Pääbo, que havia sumido das listas de favoritos, foi anunciado vencedor na abertura da temporada Nobel 2022, recebendo 10 milhões de coroas suecas — e tornando-se filho de outro Nobel de Medicina, Sune Bergström, laureado em 1982.
  • O prêmio reacende o debate sobre representatividade: todas as categorias científicas do Nobel 2021 foram concedidas a homens, e a tendência de domínio europeu e americano permanece praticamente inalterada.

Na manhã de 3 de outubro de 2022, o mundo soube que Svante Pääbo, paleogeneticista sueco de 67 anos radicado na Alemanha, havia vencido o Prêmio Nobel de Medicina. O Comitê Nobel reconheceu nele o cientista que abriu uma janela inteiramente nova para a compreensão da evolução humana — ao sequenciar o genoma do Neandertal e identificar a existência do hominídeo de Denisova, uma espécie que a ciência simplesmente desconhecia.

Antes de seu trabalho, não havia resposta científica precisa para uma das perguntas mais fundamentais: quais diferenças genéticas nos separam de nossos parentes extintos mais próximos? Pääbo não apenas formulou a pergunta com rigor — ele a respondeu. E a resposta trouxe uma surpresa: cerca de 2% dos genes que carregamos hoje chegaram até nós por meio de cruzamentos entre o Homo Sapiens e esses hominídeos desaparecidos. Esse fluxo genético antigo tem consequências reais, influenciando diretamente a forma como nosso sistema imunológico reage a infecções.

O Neandertal conviveu com o homem moderno na Europa por milênios, antes de desaparecer há cerca de 30 mil anos. Esse período de coexistência deixou marcas permanentes e invisíveis em nosso genoma — marcas que Pääbo tornou visíveis pela primeira vez.

Há uma dimensão pessoal notável na trajetória do laureado: seu pai, Sune Bergström, também venceu o Nobel de Medicina, em 1982, tornando Svante parte de uma raridade histórica — uma linhagem familiar de premiados. O prêmio de 2022 inclui 10 milhões de coroas suecas, equivalentes a cerca de 900 mil dólares.

O anúncio de Pääbo inaugurou a temporada Nobel daquele ano, que se estenderia ao longo da semana com os prêmios de Física, Química, Literatura e Paz. O contexto mais amplo, porém, permanece como pano de fundo: a representação feminina entre os laureados científicos continua sendo notavelmente baixa, e o domínio de cientistas europeus e americanos nas categorias técnicas segue praticamente intocado.

Na segunda-feira, 3 de outubro, o paleogeneticista sueco Svante Pääbo, aos 67 anos, foi anunciado como vencedor do Prêmio Nobel de Medicina. A honraria reconhece seu trabalho extraordinário de sequenciar o genoma do Neandertal e descobrir a existência do hominídeo de Denisova — realizações que abriram uma janela inteiramente nova para compreender quem somos e de onde viemos.

O Comitê Nobel descreveu suas descobertas como fundamentais para entender o que nos distingue de nossos parentes extintos mais próximos. Ao revelar as diferenças genéticas entre o Homo Sapiens e esses ancestrais desaparecidos, Pääbo forneceu a base científica para explorar aquilo que nos torna exclusivamente humanos. Antes de seu trabalho, simplesmente não sabíamos quais eram essas diferenças genéticas. Agora sabemos.

Vivendo há décadas na Alemanha, Pääbo fez uma descoberta que redefine nossa compreensão da evolução humana: aproximadamente 2% dos genes que carregamos vieram de transferências genéticas entre esses hominídeos extintos e nossos ancestrais diretos. Esse fluxo antigo de material genético não é meramente uma curiosidade histórica. Ele tem consequências reais e mensuráveis em nossa biologia contemporânea. Por exemplo, influencia fundamentalmente a forma como nosso sistema imunológico responde a infecções — uma herança que moldou nossa capacidade de sobreviver a doenças ao longo de milhares de anos.

O Neandertal coabitou com o homem moderno na Europa antes de desaparecer completamente há 30 mil anos. Durante esse período de convivência, houve encontros que deixaram marcas permanentes em nosso genoma. Essas marcas ainda estão ali, invisíveis mas presentes, influenciando como nossos corpos funcionam hoje.

O reconhecimento é particularmente notável porque Pääbo havia sido considerado um candidato potencial em anos anteriores, mas havia desaparecido das listas de favoritos nos últimos tempos. O prêmio inclui uma quantia de 10 milhões de coroas suecas, equivalentes a aproximadamente 900 mil dólares. Há um elemento pessoal na história: seu pai, Sune Bergström, também venceu o Prêmio Nobel de Medicina, em 1982, tornando Svante parte de uma linhagem rara de laureados.

O anúncio de Pääbo marca o início da temporada de prêmios Nobel de 2022. O Prêmio de Física será anunciado na terça-feira, seguido pelo de Química na quarta-feira. Literatura e Paz serão atribuídos na quinta e sexta-feira, respectivamente, durante cerimônia em Oslo. O de Economia fechará a série na segunda-feira seguinte.

No ano anterior, o prêmio havia sido dividido entre os americanos Ardem Patapoutian e David Julius por suas descobertas sobre como o sistema nervoso percebe temperatura e toque. A premiação de Pääbo continua uma tendência: os cientistas americanos e europeus dominam as categorias científicas dos prêmios Nobel, e a representação feminina permanece notavelmente baixa — em 2021, apenas uma mulher, a jornalista Maria Ressa, foi laureada entre todos os prêmios, enquanto todos os prêmios científicos foram concedidos a homens.

Ao revelar as diferenças genéticas que distinguem todos os seres humanos vivos dos hominídeos extintos, suas descobertas fornecem a base para explorar o que nos torna exclusivamente humanos
— Comitê Nobel
As diferenças genéticas entre o Homo Sapiens e nossos ancestrais mais próximos agora extintos não era conhecidas até que foram identificadas graças ao trabalho de Pääbo
— Comitê Nobel
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que sequenciar um genoma antigo é tão difícil? O DNA não deveria estar completamente degradado após milhares de anos?

Model

Exatamente. O DNA se degrada com o tempo, especialmente em ambientes quentes e úmidos. Pääbo desenvolveu técnicas para trabalhar com fragmentos minúsculos, danificados, contaminados. Era como tentar ler um livro queimado, página por página.

Inventor

E quando ele descobriu que 2% do nosso genoma vem de Neandertais — como isso muda o que sabemos sobre nós mesmos?

Model

Muda tudo. Significa que não somos uma espécie isolada que simplesmente substituiu outras. Significa que cruzamos, que houve encontros reais entre populações. E esses encontros deixaram marcas biológicas que ainda carregamos.

Inventor

Essas marcas — você mencionou o sistema imunológico. Isso significa que Neandertais nos tornaram mais fortes contra doenças?

Model

Em alguns casos, sim. Mas é mais complexo. Alguns genes que herdamos nos ajudaram a lidar com infecções locais na Europa. Outros podem ter contribuído para problemas de saúde modernos. É uma herança mista.

Inventor

Então estamos literalmente carregando nossos ancestrais dentro de nós?

Model

Não apenas literalmente — biologicamente. Cada vez que seu corpo combate uma infecção, está usando ferramentas que Neandertais nos deixaram. É uma conexão profunda com o passado que ninguém sabia que existia.

Inventor

Por que levou tanto tempo para alguém fazer isso? Parece óbvio em retrospectiva.

Model

Porque era impossível até recentemente. A tecnologia de sequenciamento de DNA só se tornou poderosa e acessível nos últimos 20 anos. Pääbo foi um dos primeiros a pensar: e se tentássemos isso com ossos antigos? E depois teve a obsessão e a habilidade para fazer funcionar.

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