S&P 500 tem melhor dia desde abril com acordo EUA-Irão; SpaceX dispara 19,6%

A incerteza que paralisava os mercados há meses desapareceu
Após o anúncio do memorando de entendimento entre EUA e Irão, Wall Street respondeu com ganhos significativos em todos os índices principais.

Quando a diplomacia abre uma porta que a guerra havia fechado, os mercados respondem com a linguagem que lhes é própria: o avanço. O memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerão no domingo prometeu reabrir o estreito de Ormuz e abriu igualmente o apetite dos investidores pelo risco, levando Wall Street a registar ganhos expressivos e o Dow Jones a bater um novo recorde histórico. Não é a paz definitiva — são 60 dias de negociações e uma promessa frágil —, mas num mundo habituado à incerteza, mesmo uma pausa na tensão vale uma sessão de euforia.

  • Meses de volatilidade geopolítica evaporaram-se numa única sessão após o anúncio do acordo EUA-Irão, com o S&P 500 a registar a sua melhor performance desde abril.
  • O Nasdaq Composite disparou 3,07%, arrastado pela euforia do acordo e pelo contínuo entusiasmo em torno da inteligência artificial, com a Nvidia a subir 3,54%.
  • O petróleo recuou abruptamente para os 82 dólares por barril, aliviando o fantasma inflacionista que pairava sobre os mercados antes da reunião da Reserva Federal.
  • A SpaceX protagonizou o movimento mais espetacular do dia, disparando 19,6% na sua segunda sessão em bolsa, consolidando-se entre as cotadas mais valiosas do mundo.
  • Analistas alertam que a volatilidade pode persistir enquanto os mercados avaliam a implementação real do acordo, mas mantêm uma visão construtiva sobre o crescimento económico.

Na manhã de segunda-feira, Wall Street abriu com um novo enquadramento geopolítico: no domingo, 14 de junho, os Estados Unidos e o Irão assinaram digitalmente um memorando de entendimento que promete encerrar meses de tensão em torno do estreito de Ormuz. A assinatura formal está marcada para esta sexta-feira em Genebra, e Donald Trump confirmou na cimeira do G7 que navios já atravessam o estreito. O acordo prevê 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano, com Trump a deixar claro que os ataques poderão retomar caso as conversações falhem — mas por agora, a incerteza que paralisava os mercados dissipou-se.

Os índices responderam com vigor. O S&P 500 subiu 1,61% para 7.551,18 pontos, o Dow Jones bateu um novo recorde intradiário nos 51.945,89 pontos e o Nasdaq Composite foi o mais expressivo, avançando 3,07% para 26.683,94 pontos, beneficiando também da euforia contínua em torno da inteligência artificial. Michael Landsberg descreveu o acordo como um avanço genuíno na redução da incerteza, enquanto Ulrike Hoffmann-Burchardi, da UBS, admitiu volatilidade de curto prazo mas manteve uma visão positiva sobre lucros e crescimento.

O petróleo regressou aos níveis pré-conflito, com o WTI e o Brent a negociarem perto dos 82 dólares por barril, aliviando as preocupações inflacionistas antes da reunião da Reserva Federal desta semana — onde o novo presidente Kevin Warsh terá a oportunidade de definir a sua agenda. Entre os destaques individuais, a SpaceX avançou 19,6% na sua segunda sessão em bolsa, e a Nvidia subiu 3,54% após anunciar uma emissão de obrigações de 25 mil milhões de dólares com procura três vezes superior à oferta.

Os mercados de Nova Iorque acordaram segunda-feira com notícias que levaram os investidores a abrir posições de risco. No domingo, 14 de junho, os Estados Unidos e o Irão assinaram digitalmente um memorando de entendimento — um documento que promete reescrever meses de tensão geopolítica em poucas linhas. A assinatura formal acontecerá esta sexta-feira em Genebra, na Suíça, e com ela virá a reabertura do estreito de Ormuz, um dos canais marítimos mais críticos do mundo. O presidente Donald Trump confirmou na cimeira dos G7 que navios já estão a atravessar o estreito.

O acordo não resolve tudo de uma vez. Prevê 60 dias de negociações entre Washington e Teerão para discutir o programa nuclear iraniano e quem controlará efetivamente o estreito — uma travessia que terá um custo fixo a ser ainda definido. Trump deixou claro que se as conversações fracassarem, os ataques podem retomar. Mas por enquanto, a incerteza que paralisava os mercados há meses desapareceu.

Wall Street respondeu com entusiasmo. O S&P 500 subiu 1,61% para 7.551,18 pontos, registando a melhor sessão desde abril. O Dow Jones, o índice industrial, bateu um novo recorde nos 51.945,89 pontos antes de encerrar com ganhos de 0,91% nos 51.671,03 pontos. Mas foi o Nasdaq Composite que mais se destacou, disparando 3,07% para 26.683,94 pontos. O Nasdaq 100 também ultrapassou a marca dos 3% de ganho, fechando nos 30.543,92 pontos, impulsionado tanto pelo otimismo do acordo como pela contínua euforia em torno da inteligência artificial.

Os analistas veem o acordo como um alívio genuíno. Michael Landsberg, da Landsberg Bennett Private Wealth Management, descreveu-o como um avanço importante que reduz a incerteza que tinha alimentado a volatilidade. Ulrike Hoffmann-Burchardi, da UBS, alertou que a volatilidade pode persistir no curto prazo enquanto os mercados avaliam como o acordo será implementado, mas mantém a convicção de que o crescimento económico resiliente e os lucros robustos continuarão a impulsionar as ações para cima.

O preço do petróleo caiu abruptamente. O WTI e o Brent negociavam perto dos 82 dólares por barril, regressando aos níveis anteriores ao conflito. Esta queda aliviou as preocupações dos especialistas sobre uma possível escalada da inflação — uma questão que pairava sobre os mercados e que será novamente discutida na reunião da Reserva Federal esta semana. A instituição deverá manter as taxas de juro em níveis restritivos, pelo menos por enquanto. A reunião será também uma oportunidade para avaliar como o novo presidente da Fed, Kevin Warsh, pretende definir a sua agenda de longo prazo.

Entre os movimentos individuais mais notáveis, a SpaceX disparou 19,6% para 192,5 dólares por ação, prolongando os ganhos na sua segunda sessão de negociação após uma estreia em bolsa que a colocou imediatamente entre as empresas cotadas mais valiosas do mundo. A Nvidia também escalou, subindo 3,54% para 212,45 dólares por título, beneficiando do anúncio de uma venda de obrigações de 25 mil milhões de dólares que registou uma procura três vezes superior ao oferecido.

O acordo entre os EUA e o Irão constitui um importante avanço e um fator positivo para os mercados, uma vez que o vaivém nas negociações apenas causaram mais incerteza e volatilidade
— Michael Landsberg, Landsberg Bennett Private Wealth Management
A volatilidade poderá persistir no curto prazo, à medida que os mercados avaliam a implementação e a durabilidade do acordo, mas mantemos a nossa opinião de que o crescimento resiliente e os lucros robustos deverão continuar a impulsionar as ações para subidas
— Ulrike Hoffmann-Burchardi, UBS
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Porque é que um acordo entre os EUA e o Irão move tanto os mercados?

Model

Porque durante meses, ninguém sabia se aquele estreito ia ficar aberto ou fechado. O Ormuz é por onde passa uma grande parte do petróleo mundial. Quando há incerteza sobre isso, os investidores congelam — vendem ações, compram ouro, esperam. Um acordo reduz essa incerteza.

Inventor

Mas o acordo não resolve tudo, certo?

Model

Exato. Há 60 dias de negociações ainda pela frente sobre o programa nuclear iraniano. Trump deixou claro que se falharem, os ataques podem retomar. Portanto, é um alívio, mas não é uma solução permanente.

Inventor

Porque é que o petróleo caiu tanto?

Model

Se o estreito reabre, há mais oferta de petróleo no mercado. Menos escassez, menos preço. E isso é bom para a inflação — menos pressão nos custos de energia.

Inventor

A SpaceX subiu quase 20%. Isso tem a ver com o acordo?

Model

Não diretamente. A SpaceX está numa segunda sessão de negociação após a sua estreia em bolsa. O mercado inteiro estava otimista, e as ações de crescimento como a SpaceX beneficiam desse sentimento.

Inventor

E a Nvidia?

Model

A Nvidia está a aproveitar o otimismo geral, mas também tem notícias próprias — uma venda de obrigações de 25 mil milhões de dólares que teve três vezes mais procura do que o oferecido. Isso mostra confiança dos investidores na empresa.

Inventor

O que vem a seguir?

Model

A reunião da Reserva Federal esta semana. Os mercados querem saber se as taxas de juro vão cair, e como o novo presidente da Fed vai definir a sua agenda. Enquanto isso, todos estão de olho em Genebra, à espera da assinatura formal de sexta-feira.

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