Soraya Thronicke mantém pré-candidatura ao Senado pelo PSB após reunião com Alckmin

Mantém sua pré-candidatura, mas divide votos com Vander
Soraya recusa suplência e segue na disputa ao Senado, fragmentando candidaturas da esquerda em MS.

Em política, a unidade proclamada raramente sobrevive ao encontro com a ambição legítima. A senadora Soraya Thronicke, após reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin e lideranças do PSB em Brasília, confirmou que manterá sua própria pré-candidatura ao Senado Federal por Mato Grosso do Sul, recusando o convite de Vander Loubet para integrar sua chapa como suplente. O episódio revela como os arranjos eleitorais, mesmo quando anunciados como acordos, permanecem frágeis até que o partido — e não apenas os indivíduos — os sancione. O campo democrático sul-mato-grossense entra em 2026 dividido na prática, ainda que unido no discurso.

  • Em menos de 24 horas, um suposto acordo entre Soraya e Vander desmoronou: o que o deputado anunciou como entendimento firmado, a senadora tratava apenas como possibilidade em aberto.
  • A reunião que selaria o pacto — um encontro com o presidente Lula — nunca aconteceu, e o PSB encerrou as conversas antes que ela pudesse ocorrer.
  • Soraya saiu do encontro com Alckmin com a candidatura intacta, deixando Vander sem a aliada que havia apresentado publicamente como parte de seu projeto.
  • Agora, PT e PSB disputarão a mesma vaga no Senado, fragmentando votos e potencialmente entregando a cadeira a um candidato fora do campo democrático.
  • Vander respondeu com diplomacia, mas o dano político ao projeto de unificação da esquerda em Mato Grosso do Sul já está feito.

A quarta-feira começou com uma versão dos fatos e terminou com outra. Na véspera, o deputado federal Vander Loubet havia anunciado ao Campo Grande News que ele e Soraya Thronicke haviam chegado a um entendimento: ela seria sua suplente na disputa pelo Senado Federal, unificando as candidaturas da esquerda em Mato Grosso do Sul. A oficialização, segundo Vander, dependia apenas de uma reunião com o presidente Lula — encontro já comunicado ao PT.

Mas essa conversa nunca aconteceu. Soraya reuniu-se em Brasília com o vice-presidente Geraldo Alckmin e lideranças do PSB, e o resultado foi outro. Em nota divulgada no início da noite, a senadora confirmou que recebeu o convite de Loubet com honra, mas que, após o diálogo com o partido, optaria por manter sua própria pré-candidatura ao Senado. A assessoria esclareceu que as conversas anteriores tratavam apenas de uma possibilidade — nunca de uma decisão.

Vander respondeu com equanimidade, afirmando respeitar a autonomia de Soraya e do PSB, e reforçando seu compromisso com a reeleição de Lula e o desenvolvimento sustentável do estado. O tom foi cordial, mas o efeito prático é concreto: Mato Grosso do Sul terá dois candidatos da esquerda disputando a mesma vaga no Senado. Unidos na retórica, divididos nas urnas.

A senadora Soraya Thronicke chegou à quarta-feira com uma decisão a tomar. Horas antes, o deputado federal Vander Loubet havia anunciado que ela concordara em integrar sua chapa ao Senado como suplente — um arranjo que unificaria as candidaturas da esquerda em Mato Grosso do Sul e, teoricamente, aumentaria as chances de eleger alguém do campo democrático. Mas quando Thronicke saiu de uma reunião em Brasília com o vice-presidente Geraldo Alckmin e lideranças do PSB, a história havia mudado.

Em nota divulgada no início da noite, a senadora confirmou que havia recebido o convite de Loubet com honra. A proposta era clara: ela seria suplente dele na disputa pelo Senado Federal. Mas após o diálogo com Alckmin e o partido, a decisão foi outra. Manteria sua pré-candidatura. Seguiria na disputa com o apoio da legenda, afirmou, reiterando que continuaria unida com Vander em prol do fortalecimento democrático e do desenvolvimento de Mato Grosso do Sul.

O recuo marca uma reviravolta em menos de 24 horas. Na terça-feira, Vander havia relatado ao Campo Grande News que ele e Soraya haviam chegado a um entendimento. Segundo o deputado, a senadora havia proposto a suplência para ampliar as chances de vitória. A oficialização, disse Vander, dependeria apenas de uma reunião presencial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília — encontro que já havia sido comunicado ao presidente da República e ao presidente nacional do PT, Edinho Silva.

Essa conversa com Lula nunca aconteceu. Quando a assessoria de Soraya foi questionada sobre o motivo, a resposta foi que a reunião de quarta-feira havia sido restrita a Alckmin e às lideranças do PSB. Mais importante: não havia uma decisão definitiva de que ela desistiria da candidatura. As conversas tratavam apenas dessa possibilidade — uma possibilidade que o partido, ao final, descartou.

Vander respondeu com tranquilidade. Em nota, o deputado afirmou que sempre respeitou a autonomia de Soraya para decidir seus rumos junto ao partido. Ele reforçou que seu envolvimento nas articulações tinha como objetivo construir uma aliança para a eleição ao Senado, mas que recebia com muita tranquilidade a decisão da senadora e do PSB. Quanto ao futuro, Vander disse estar trabalhando pela reeleição do presidente Lula, pela defesa da democracia e pela eleição de pessoas comprometidas com o desenvolvimento sustentável do estado e do país.

O resultado prático é que Mato Grosso do Sul terá agora dois candidatos da esquerda disputando uma vaga ao Senado Federal — Soraya pelo PSB e Vander pelo PT. A fragmentação de votos entre eles pode reduzir as chances de o campo democrático eleger um representante. Mas por enquanto, ambos seguem em suas trajetórias, unidos na retórica, divididos na prática eleitoral.

Recebi com muita honra o convite do amigo e pré-candidato Vander Loubet para compor uma chapa ao Senado na condição de sua suplente. No entanto, após um amplo diálogo com as lideranças e com o nosso vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ficou definida a manutenção da minha pré-candidatura.
— Soraya Thronicke, em nota
Sempre respeitei a autonomia da Soraya para decidir seus rumos, juntamente com seu partido, de maneira que recebo com muita tranquilidade a decisão da senadora e do PSB em relação à manutenção da sua pré-candidatura.
— Vander Loubet, em nota
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Soraya mudou de ideia tão rapidamente? Vander anunciou terça à noite que ela havia concordado.

Model

A assessoria dela diz que nunca houve uma decisão definitiva — apenas conversas sobre a possibilidade. O que mudou foi que o PSB, após falar com Alckmin, decidiu manter o projeto dela independente.

Inventor

E por que Lula não entrou nessa conversa? Vander disse que tudo dependia de uma reunião com o presidente.

Model

Essa reunião simplesmente não aconteceu. A decisão foi tomada no nível do PSB, sem necessidade de passar por Lula. Talvez isso tenha sido proposital.

Inventor

Vander parece estar bem com tudo isso. Ele não está frustrado?

Model

Publicamente, não. Ele diz que sempre respeitou a autonomia dela. Mas a realidade é que agora ele e Soraya vão dividir votos da esquerda em um estado onde eleger alguém desse campo já é difícil.

Inventor

Então quem sai ganhando com isso?

Model

Depende de como você vê. O PSB mantém sua candidata independente e visível. Vander segue seu caminho. Mas eleitoralmente, a fragmentação pode prejudicar ambos.

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