Sondagens apontam Marine Le Pen como favorita para presidência francesa em 2027

A condenação não teve impacto negativo. O anúncio da candidatura teve efeito positivo.
Analista explica por que a sentença judicial não prejudicou Le Pen nas sondagens.

À medida que a França se aproxima das presidenciais de 2027, as sondagens revelam uma democracia em tensão consigo mesma: Marine Le Pen lidera com folga, mesmo após uma condenação criminal, enquanto o centro e a esquerda se fragmentam em candidaturas concorrentes. O momento recorda-nos que as instituições judiciais e as urnas nem sempre falam a mesma língua, e que a força política pode crescer precisamente onde a adversidade deveria enfraquecê-la. O que se desenha em Paris é menos uma eleição do que um espelho sobre o estado da confiança coletiva europeia.

  • Le Pen foi condenada a um ano de prisão por desvio de fundos europeus — e, em vez de recuar, formalizou imediatamente a sua candidatura para 2027.
  • As sondagens mostram que a condenação não apenas não a prejudicou, como o anúncio da candidatura gerou um efeito positivo nas intenções de voto, colocando-a entre 34% e 36%.
  • O campo centrista está dividido entre Édouard Philippe e Gabriel Attal, dois ex-primeiros-ministros de Macron que se canibalizam mutuamente nas projeções eleitorais.
  • Mélenchon, o nome mais forte da esquerda, ficará provavelmente fora da segunda volta, enquanto socialistas, verdes e comunistas disputam um eleitorado disperso.
  • Ségolène Royal, aos 72 anos, regressa às primárias socialistas quase duas décadas depois da sua derrota histórica, num partido que ainda não encontrou o seu rosto para 2027.

As sondagens publicadas pelo Les Échos traçam um retrato inequívoco das presidenciais francesas de abril de 2027: Marine Le Pen, líder da União Nacional, lidera com 34% a 36% das intenções de voto, numa posição que se consolidou mesmo depois de uma condenação judicial. Na semana anterior à divulgação dos dados, o Tribunal de Recurso de Paris sentenciou-a a um ano de prisão — com possibilidade de pulseira eletrónica — por desvio de fundos públicos europeus. Le Pen recorreu da decisão e anunciou a candidatura no mesmo dia. Bruno Jeanbard, da OpinionWay, resumiu o paradoxo: a condenação não teve impacto negativo, e o anúncio da candidatura teve, pelo contrário, um efeito mobilizador.

No centro, o cenário é de divisão. Édouard Philippe, ex-primeiro-ministro e presidente da Câmara de Le Havre, seria o candidato mais forte a solo, com 22%, mas a presença de Gabriel Attal — outro ex-primeiro-ministro do ciclo Macron — reduziria ambos, deixando Philippe com 18% e Attal com apenas 7%. A fragmentação penaliza os dois.

À esquerda, Jean-Luc Mélenchon projeta entre 13% e 15%, insuficiente para a segunda volta. Atrás dele, Raphaël Glucksmann, Marine Tondelier e Fabien Roussel dividem um eleitorado que não encontrou unidade. No Partido Socialista, Ségolène Royal — 72 anos, candidata em 2007 — anunciou a sua participação nas primárias de outubro, onde enfrentará dois deputados do partido. François Hollande mantém-se à margem, como alternativa de recurso caso o impasse persista. À direita tradicional, Bruno Retailleau foi indicado pelos Republicanos. O quadro geral é o de uma eleição em que Le Pen parte na frente, enquanto os seus adversários ainda procuram forma de se unir.

As sondagens mais recentes sobre o comportamento eleitoral dos franceses desenham um cenário claro para as eleições presidenciais de abril de 2027: Marine Le Pen, à frente da União Nacional, partido de extrema-direita, emerge como a candidata com maior intenção de voto. Os números apontam para uma votação entre 34% e 36% para a líder, segundo dados recolhidos pelo jornal Les Échos — uma posição de força que se mantém apesar de circunstâncias que poderiam ter enfraquecido a sua candidatura.

Na terça-feira anterior à publicação destas sondagens, Le Pen foi condenada pelo Tribunal de Recurso de Paris a um ano de prisão, com possibilidade de usar pulseira eletrónica, por desvio de fundos públicos europeus. A sentença não a demoveu. Anunciou imediatamente que recorreria da decisão e formalizou a sua candidatura para 2027. Bruno Jeanbard, vice-presidente da OpinionWay, ofereceu uma interpretação surpreendente dos números: "A sua condenação não teve qualquer impacto negativo. Pelo contrário, o anúncio da sua candidatura teve um efeito positivo e isso foi o mais relevante." Jeanbard acrescentou que Le Pen se encontra num nível de apoio comparável ao de Jordan Bardella, presidente do seu próprio partido, nos seus melhores momentos.

O panorama para os restantes candidatos revela-se mais fragmentado. No campo centrista, Édouard Philippe, ex-primeiro-ministro e atual presidente da Câmara de Le Havre, apresenta-se como a figura mais forte. Se fosse o único candidato centrista na primeira volta, obteria 22% dos votos. Mas a presença de Gabriel Attal, outro ex-primeiro-ministro do Governo Macron, complica o cenário. Numa disputa entre ambos, Philippe ficaria com 18% e Attal com apenas 7%. Se Attal concorresse sozinho, subiria para 16%, o que o colocaria potencialmente na segunda volta.

Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de esquerda França Insubmissa, é amplamente considerado o candidato mais forte da esquerda, mas as sondagens sugerem que ficará fora da segunda volta. Os números apontam para uma votação entre 13% e 15%, insuficiente para avançar independentemente de qual candidato centrista o enfrentar. Atrás dele, o eurodeputado Raphaël Glucksmann (9-10%), a conselheira regional Marine Tondelier (5%) e o secretário-geral do Partido Comunista Fabien Roussel (2%) completam um espectro de esquerda disperso.

No Partido Socialista, a dinâmica também se caracteriza pela incerteza. Esta sexta-feira, Ségolène Royal, de 72 anos e ex-candidata presidencial em 2007, anunciou a sua participação nas primárias do partido para tentar novamente a nomeação. Royal perdeu para Nicolas Sarkozy há quase vinte anos, quando tentou tornar-se a primeira mulher presidente de França. Agora, o Partido Socialista marcou primárias para outubro, onde Royal enfrentará os deputados Philippe Brun e Jérôme Guedj. François Hollande, ex-presidente, recusa-se a participar nas primárias, posicionando-se como uma opção alternativa caso o partido permaneça num impasse até ao final do ano.

À direita, Bruno Retailleau, ministro do Interior até há poucos meses, foi indicado como candidato pelo partido conservador Os Republicanos, que lidera. O quadro geral aponta para uma eleição em que Le Pen parte com uma vantagem significativa, enquanto os restantes campos políticos enfrentam fragmentação e incerteza sobre quem será o seu representante na corrida final.

A condenação não teve qualquer impacto negativo. Pelo contrário, o anúncio da candidatura teve um efeito positivo.
— Bruno Jeanbard, vice-presidente da OpinionWay
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Como é que uma condenação por desvio de fundos não prejudica uma candidata, mas aparentemente a ajuda?

Model

As sondagens sugerem que o anúncio da candidatura teve mais peso do que a sentença. Para muitos eleitores da União Nacional, a condenação pode até reforçar a narrativa de que Le Pen é perseguida pelo establishment.

Inventor

Os números de Le Pen — 34 a 36% — parecem muito altos para uma primeira volta. Isso significa que ela ganha logo na primeira volta?

Model

Não. Nas eleições presidenciais francesas, a primeira volta é apenas uma triagem. Se ninguém tiver mais de 50%, os dois candidatos mais votados vão para a segunda volta. Le Pen lidera, mas a segunda volta é onde tudo se decide.

Inventor

E quem é que provavelmente a enfrenta na segunda volta?

Model

Tudo depende de quem se candidata no centro. Se Édouard Philippe for o único candidato centrista, ele fica com 22% e passa à segunda volta. Se Gabriel Attal também concorrer, Philippe fica com 18% e Attal com 7%, o que deixa espaço para Mélenchon. Mas Mélenchon fica entre 13 e 15%, o que não é suficiente.

Inventor

Portanto, o mais provável é Le Pen contra Philippe na segunda volta?

Model

Sim, esse parece ser o cenário mais provável com base nestas sondagens. Mas há ainda muitos meses até abril de 2027, e as dinâmicas podem mudar.

Inventor

E o Partido Socialista? Parece estar completamente perdido.

Model

Está fragmentado. Ségolène Royal volta à arena, há outros candidatos nas primárias, e François Hollande fica à margem como plano B. O partido ainda não tem uma figura clara que possa competir com Le Pen ou Philippe.

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