Uma geologia surpreendentemente complexa que revela segredos da formação planetária
A quatro anos do seu lançamento, a sonda Lucy da NASA aproximou-se do asteroide Donaldjohanson a apenas 960 quilómetros, revelando um objeto celeste mais vasto e mais complexo do que a ciência antecipava. As imagens captadas sugerem que este asteroide é o resultado da fusão de dois corpos menores, e a estrutura que os une pode guardar memórias dos primeiros momentos de formação do Sistema Solar. Num cosmos onde cada pedaço de rocha é um arquivo do tempo, este sobrevoo transforma um ensaio técnico numa janela inesperada para as origens do nosso mundo.
- As imagens do Donaldjohanson chegaram e imediatamente reescreveram o que se sabia: o asteroide é maior do que previsto — 8 km de comprimento — e revela uma geologia surpreendentemente complexa.
- A estrutura que une as duas metades fundidas do asteroide concentra agora a atenção dos investigadores, pois pode conter pistas sobre os materiais e processos que deram origem aos planetas.
- A equipa da NASA aguarda ainda cerca de uma semana para receber a totalidade das fotografias, mantendo a tensão científica em aberto enquanto os dados continuam a chegar.
- Este encontro era tecnicamente um ensaio — um teste de instrumentos antes dos alvos principais —, mas acabou por se revelar uma oportunidade científica de valor inesperado.
- A Lucy segue agora o seu percurso pelo cinturão de asteroides, com o olhar já posto no Eurybates, o seu primeiro alvo científico oficial, previsto para agosto de 2027.
A sonda Lucy, lançada pela NASA em 2021, percorre o espaço com um propósito maior: ajudar a decifrar como se formou o nosso Sistema Solar. No dia 20 de abril, passou a apenas 960 quilómetros do asteroide Donaldjohanson e capturou imagens que surpreenderam os investigadores da missão.
O que as fotografias revelaram foi um objeto que parece ter nascido da colisão e fusão de dois corpos menores. Mais do que a forma incomum, foi a estrutura que une essas duas partes a captar a atenção da equipa — uma característica geológica que, segundo o investigador Hal Levison, promete desvendar informação crucial sobre os materiais e processos que estiveram na origem dos planetas. O asteroide revelou-se também maior do que se esperava: 8 quilómetros de comprimento e 3,5 de largura no ponto mais largo.
A equipa estima que demorará cerca de uma semana a receber todas as imagens captadas, o que permitirá construir uma visão ainda mais detalhada da sua estrutura. Este sobrevoo não constava dos objetivos principais da missão — funcionou como um ensaio para testar instrumentos antes dos encontros verdadeiramente críticos. Tal como aconteceu com o pequeno asteroide Dinkinesh em novembro de 2023, o Donaldjohanson acabou por oferecer mais do que o esperado.
A Lucy continua agora a navegar pelo cinturão de asteroides ao longo de 2025, preparando-se para o seu primeiro alvo científico de fundo: o asteroide troiano Eurybates, cuja aproximação está prevista para agosto de 2027.
A sonda Lucy, lançada pela NASA em 2021, segue uma jornada de quatro anos pelo espaço com um objetivo ambicioso: ajudar os cientistas a desvendar os segredos da formação do nosso sistema solar. No dia 20 de abril, a sonda completou um encontro próximo com o asteroide Donaldjohanson, passando a apenas 960 quilómetros de distância e capturando imagens que surpreenderam a equipa de investigadores responsável pela missão.
Antes desta passagem, os cientistas já suspeitavam que o Donaldjohanson teria uma forma pouco comum, baseando-se em observações anteriores. As novas fotografias confirmaram essas suspeitas de forma espetacular. O que emerge das imagens é um objeto celeste que parece ser o resultado da colisão e fusão de dois corpos menores. Mas o que realmente captou a atenção dos investigadores foi a estrutura que une estas duas partes — uma característica geológica que promete revelar informações cruciais sobre como os planetas se formaram.
Hal Levison, investigador da equipa da Lucy, descreveu o asteroide como tendo uma geologia surpreendentemente complexa. Segundo ele, à medida que estes investigadores estudarem estas estruturas em maior detalhe, elas vão desvendar informação importante sobre os materiais e processos que estiveram na origem da formação dos planetas do nosso Sistema Solar. Esta descoberta inesperada transforma um simples sobrevoo numa oportunidade científica valiosa.
A análise preliminar das imagens revelou também que o Donaldjohanson é significativamente maior do que se pensava anteriormente. O asteroide tem aproximadamente 8 quilómetros de comprimento e 3,5 quilómetros de largura no seu ponto mais largo — dimensões que reescrevem o que se sabia sobre este objeto. A equipa da NASA estima que demorará cerca de uma semana a receber todas as fotografias captadas pela sonda, o que permitirá aos cientistas construir uma imagem ainda mais precisa da sua forma e estrutura.
Este encontro com o Donaldjohanson não é, tecnicamente, um dos objetivos principais da missão Lucy. Em vez disso, funcionou como um ensaio — uma oportunidade para testar os instrumentos e procedimentos antes dos encontros verdadeiramente críticos que se aproximam. A sonda foi concebida para estudar os misteriosos asteroides troianos, dois grupos de rochas espaciais que acompanham o planeta Júpiter na sua órbita solar, posicionados como uma escolta à frente e atrás do gigante gasoso. Todos estes asteroides receberam nomes inspirados em personagens da mitologia grega.
A Lucy já tinha completado um primeiro encontro de teste em novembro de 2023, quando sobrevoou o pequeno asteroide Dinkinesh e a sua lua, Selam, ambos localizados no cinturão de asteroides. Agora, a sonda passa a maior parte de 2025 navegando por esta região do espaço, preparando-se para o seu primeiro alvo científico verdadeiro. Espera-se que a Lucy chegue perto do asteroide Eurybates em agosto de 2027, marcando o início da fase principal da sua missão de exploração.
Citas Notables
O asteroide Donaldjohanson tem uma geologia surpreendentemente complexa, e à medida que estudamos estas estruturas com maior detalhe, elas vão revelar informação importante acerca dos materiais e processos que estão na origem da formação dos planetas do nosso Sistema Solar.— Hal Levison, investigador da equipa da Lucy
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Porque é que uma sonda enviada para estudar asteroides troianos perto de Júpiter está a passar por asteroides no cinturão principal?
A Lucy foi concebida para fazer vários sobrevoos ao longo do caminho. O Donaldjohanson e o Dinkinesh funcionam como testes — permitem aos cientistas verificar se os instrumentos estão a funcionar bem antes de chegarem aos verdadeiros alvos científicos.
E o que torna este asteroide Donaldjohanson tão especial nas imagens?
A sua estrutura. Parece ser dois asteroides menores que colidiram e se fundiram. Mas a forma como se uniram — a geologia dessa zona de contacto — pode contar-nos como os planetas se formaram a partir de colisões semelhantes.
Portanto, isto é como olhar para um fóssil do sistema solar?
Exatamente. Estes asteroides são restos da época em que os planetas se estavam a formar. Estudá-los é estudar o nosso próprio passado.
Quanto tempo falta até a sonda chegar ao seu verdadeiro alvo?
Ainda há dois anos e meio. A Lucy vai passar 2025 inteiro a navegar pelo cinturão de asteroides, e só em agosto de 2027 chegará perto do Eurybates, o primeiro dos asteroides troianos que vai estudar.
Parece uma missão muito longa.
É. Mas é assim que funciona a exploração espacial. Lançou-se em 2021, e a verdadeira ciência só começa em 2027. Mas cada sobrevoo, como este do Donaldjohanson, vai tornando a jornada mais valiosa.