Fiquei arrepiado e estou absolutamente nas nuvens
Hayabusa2 passou a menos de 800 metros do asteroide Torifune a 18.000 km/h, capturando imagens inéditas que revelam sua forma de dois objetos redondos unidos. A missão testa tecnologia de defesa planetária e coleta dados cruciais sobre superfície, textura e temperatura do asteroide para futuras operações de proteção terrestre.
- Hayabusa2 passou a menos de 800 metros do asteroide Torifune a 18.000 km/h
- Imagens revelam forma de dois objetos redondos unidos, detalhes até então desconhecidos
- Sonda planeja encontro com asteroide 1998 KY26 em 2031
- Hayabusa2 já coletou amostras do asteroide Ryugu e retornou à Terra em 2020
A sonda japonesa Hayabusa2 realizou um sobrevoo próximo ao asteroide Torifune, capturando imagens detalhadas em uma missão de demonstração de capacidade de desvio de trajetória de rochas espaciais potencialmente perigosas.
No domingo passado, a sonda Hayabusa2 passou a toda velocidade por um asteroide chamado Torifune, viajando a mais de 18 mil quilômetros por hora. A Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial divulgou as imagens nesta segunda-feira, e o que a câmera telescópica capturou surpreendeu até os cientistas que planejaram a missão.
A fotografia em preto e branco mostra o que parecem ser dois objetos redondos ligados um ao outro. Torifune era conhecido por ter uma forma alongada, mas seus detalhes permaneciam um mistério até agora. Yuya Mimasu, cientista da Jaxa, não conseguiu conter a emoção ao ver os dados chegarem. "Fiquei arrepiado no momento em que vi a imagem e os dados científicos", disse ele, acrescentando que não esperava conseguir fotografias tão claras. "Estou absolutamente nas nuvens."
O sobrevoo foi planejado para demonstrar algo crucial: a capacidade de desviar a trajetória de uma rocha espacial que pudesse ameaçar a Terra. Estima-se que a Hayabusa2 tenha passado a menos de 800 metros do asteroide, embora a Jaxa ainda esteja analisando os dados para confirmar essa distância com precisão. Se o número se confirmar, será um dos sobrevoos mais próximos já realizados de um asteroide próximo à Terra.
Durante a aproximação, as câmeras da sonda coletaram informações sobre a superfície do asteroide: suas características geográficas, textura e temperatura. Esses dados são considerados essenciais para futuras missões de defesa planetária. A Hayabusa2 já havia provado sua capacidade em 2014, quando foi lançada em direção ao asteroide Ryugu, a cerca de 300 milhões de quilômetros daqui. A sonda pousou naquele asteroide, coletou amostras de sua superfície e retornou à Terra seis anos depois com fragmentos que permitiram aos cientistas entender melhor como era o Sistema Solar em seus primórdios.
A missão em Torifune é apenas um capítulo de um programa mais ambicioso. Em 2031, a sonda tentará um encontro com outro asteroide, o 1998 KY26. Dessa vez, o plano é voar junto da rocha e pousar nela para compilar informações ainda mais detalhadas. Esse esforço japonês se insere em um contexto maior de defesa planetária. Em setembro de 2022, a Nasa já havia demonstrado que era possível alterar a trajetória de um asteroide, na missão Dart. Uma sonda foi lançada a 22.500 quilômetros por hora contra Dimorfo, a pequena lua de um asteroide maior chamado Dídimo. O sucesso daquela operação abriu caminho para que agências espaciais de diferentes países desenvolvessem suas próprias estratégias de proteção terrestre.
Citas Notables
Fiquei arrepiado no momento em que vi a imagem e os dados científicos. Eu realmente não esperava conseguir tirar uma foto como esta, então estou absolutamente nas nuvens.— Yuya Mimasu, cientista da Jaxa
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que uma agência espacial japonesa se dedica tanto a estudar asteroides? Qual é o risco real?
O risco é real o suficiente para que várias nações invistam em defesa planetária. Um asteroide grande o bastante poderia causar danos catastróficos. A Hayabusa2 não está apenas observando — está testando se conseguimos mudar a trajetória de uma rocha espacial antes que ela nos atinja.
E essas imagens do Torifune, eles realmente não sabiam como era antes?
Sabiam que era alongado, mas os detalhes eram um mistério. Ver dois objetos redondos unidos foi uma surpresa genuína. Yuya Mimasu, um dos cientistas, disse que ficou arrepiado. Não é exagero — eles estavam vendo algo que ninguém havia visto antes.
Oitocentos metros de distância a 18 mil quilômetros por hora — isso é perigoso?
É extremamente preciso. A sonda foi programada para passar perto o suficiente para coletar dados, mas longe o bastante para não colidir. Ainda estão confirmando a distância exata, mas se for mesmo 800 metros, será um dos sobrevoos mais próximos já feitos.
E depois disso, qual é o próximo passo?
Em 2031, a Hayabusa2 vai tentar pousar em outro asteroide, o 1998 KY26. Dessa vez não será apenas um sobrevoo — será uma tentativa de coletar amostras novamente, como fizeram com Ryugu. Cada missão adiciona conhecimento sobre como proteger a Terra.