Encostei no fundo do rio, consegui boiar debaixo da ponte
Na tarde de sexta-feira, em Sena Madureira, no Acre, uma ponte inaugurada há apenas dois anos e meio cedeu enquanto quatro pessoas observavam uma rachadura já conhecida — interditada no dia anterior, mas não suficientemente guardada. O colapso de 60% da Ponte Frei Paolino Baldassari, construída por mais de 36 milhões de reais sobre o rio Iaco, levanta questões que atravessam o tempo: sobre a fragilidade das obras humanas diante da natureza amazônica, e sobre a confiança que depositamos nas estruturas que nos sustentam.
- Uma ponte interditada por risco de desabamento desabou no dia seguinte com quatro pessoas sobre ela — a interdição existia, mas não foi respeitada.
- Weverton Murieta caiu no rio Iaco, bateu no leito de lama e nadou submerso entre os destroços até conseguir emergir e gritar por socorro.
- Dois feridos em estado grave foram transferidos de urgência para Rio Branco; até sábado, nenhuma atualização sobre o estado de saúde havia sido divulgada.
- Uma estrutura de R$ 36 milhões com apenas dois anos e meio de uso pode ter sido destruída pelo fenômeno das 'terras caídas', erosão amazônica que corrói fundações às margens dos rios.
- Moradores do centro de Sena Madureira ouviram um estrondo que descreveram como tremor de terra; câmeras de segurança registraram o momento do colapso.
Weverton Murieta e Antônio Morais Filho tinham acabado de descarregar um caminhão quando encontraram o juiz aposentado Edinaldo Muniz e seu irmão Edinei sobre a Ponte Frei Paolino Baldassari. A estrutura havia sido interditada na quinta-feira após a descoberta de uma rachadura, mas Edinaldo pediu que os trabalhadores o acompanhassem para ver o dano. Weverton concordou. Quando se aproximou para mostrar a falha, a ponte cedeu.
Ele caiu direto no rio Iaco, bateu no leito de lama e conseguiu boiar debaixo da estrutura em colapso. Nadou submerso até encontrar uma saída e subiu sobre os destroços. Viu Antônio deitado, coberto de ferros, ainda respirando, e começou a gritar por socorro.
As quatro vítimas foram levadas ao Hospital João Câncio Fernandes. Antônio, de 36 anos, estava em estado gravíssimo com traumatismo. Edinaldo fazia uma transmissão ao vivo no momento do colapso. Edinei, de 51 anos, e Weverton, de 34, também foram feridos. Os três primeiros foram transferidos para Rio Branco para atendimento especializado.
A Ponte Frei Paolino Baldassari tinha 232 metros, duas pistas e calçadas para pedestres. Custou mais de R$ 36 milhões e havia sido inaugurada há apenas dois anos e meio. Naquela noite, cerca de 60% de sua estrutura foi comprometida. Moradores disseram ter ouvido um estrondo semelhante a um tremor de terra.
Investigadores trabalham para determinar a causa exata. A principal hipótese envolve as chamadas 'terras caídas' — erosão amazônica que corrói as margens dos rios e enfraquece fundações. O que permanece sem resposta é por que uma obra tão recente e tão cara não resistiu ao ambiente para o qual foi construída.
Weverton Murieta estava voltando para casa com um colega quando tudo desabou. Ele e Antônio Morais Filho tinham acabado de descarregar um caminhão de mercadorias na tarde de sexta-feira quando encontraram o juiz aposentado Edinaldo Muniz e o irmão dele, Edinei, em cima da Ponte Frei Paolino Baldassari. A estrutura havia sido interditada um dia antes — quinta-feira — depois que uma rachadura foi descoberta. Mas Edinaldo pediu que os dois trabalhadores o acompanhassem para ver o dano. Weverton concordou. "Eu disse: 'Rapaz, então bora acompanhar ele, que é doutor'", lembrou depois. Quando se aproximou para mostrar ao juiz onde estava a falha, a ponte cedeu.
O que aconteceu nos segundos seguintes ficou gravado na memória de Weverton com a clareza do trauma. Ele caiu direto para o fundo do rio Iaco, bateu no leito de lama e conseguiu boiar debaixo da estrutura que desabava. Nadou procurando uma saída, ainda submerso, até conseguir subir novamente sobre os destroços da ponte. Viu Antônio deitado, coberto de ferros, ainda respirando. Começou a gritar por socorro.
Quatro pessoas foram levadas ao Hospital João Câncio Fernandes naquela noite. Antônio Morais, de 36 anos, estava em estado gravíssimo com traumatismo. Edinaldo Muniz, o juiz, estava fazendo uma transmissão ao vivo em rede social no momento do colapso. Seu irmão Edinei, de 51 anos, também foi ferido. Weverton, de 34 anos, saiu com lesões. Os três primeiros foram transferidos de ambulância para Rio Branco, a capital do estado, para receber atendimento mais especializado. Até sábado, não havia atualização sobre o estado de saúde de nenhum deles.
A Ponte Frei Paolino Baldassari tinha 232 metros de extensão, duas pistas para veículos e calçadas para pedestres. Custou mais de 36 milhões de reais e havia sido inaugurada apenas dois anos e meio antes. Naquela sexta-feira à noite, aproximadamente 60 por cento de sua estrutura foi comprometida. Moradores no centro de Sena Madureira, a cidade onde a ponte fica localizada no segundo distrito, disseram que ouviram um estrondo que parecia um tremor de terra. Câmeras de segurança registraram tudo.
A ponte já apresentava sinais de problema. Na quinta-feira, equipes do Corpo de Bombeiros e da polícia a interditaram após identificar uma rachadura e avaliar o risco de desabamento. Mas a interdição não foi suficiente para impedir que pessoas continuassem atravessando. Não há confirmação de mortes ou desaparecidos, segundo o Corpo de Bombeiros e a Secretaria de Saúde do Acre.
Os investigadores ainda trabalham para determinar a causa exata do colapso. Uma das hipóteses principais envolve um fenômeno conhecido localmente como "terras caídas" — um tipo de erosão comum na região amazônica que corrói as margens dos rios e enfraquece as fundações das estruturas. A ponte, construída sobre o rio Iaco, pode ter sido vítima desse processo natural que a região experimenta há séculos. O que não é natural é que uma estrutura de 36 milhões de reais, com apenas dois anos e meio de uso, tenha cedido enquanto pessoas estavam em cima dela.
Citações Notáveis
Eu disse: 'Rapaz, então bora acompanhar ele, que é doutor'. Ele perguntou para mim onde é que era a falha da ponte, pediu para ir com ele, aí quando eu passei na frente para mostrar, a ponte desabou— Weverton Murieta, sobrevivente
Eu desci direto para o fundo do rio, encostei no fundo do rio, consegui boiar debaixo da ponte, fiquei procurando um canto, nadando debaixo da ponte— Weverton Murieta, sobre os momentos após a queda
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que o juiz aposentado estava em cima de uma ponte interditada?
Ele estava mostrando a rachadura para outras pessoas. Parece que queria documentar o problema, talvez até fazer uma transmissão ao vivo sobre isso. Não era um ato de negligência óbvia — era mais uma falta de compreensão sobre o quão iminente era o risco.
Weverton disse que concordou em acompanhá-lo porque era "doutor". O que isso revela?
Revela uma dinâmica de classe e confiança. Um trabalhador vê um juiz aposentado — alguém com autoridade, educação, status — e assume que essa pessoa sabe o que está fazendo. Se um doutor acha seguro, deve ser seguro. Mas a autoridade não protege ninguém de uma ponte que está desabando.
Como alguém sobrevive caindo no fundo de um rio e consegue contar a história?
Weverton teve sorte e instinto. Ele caiu, tocou o fundo, conseguiu boiar, nadou debaixo dos destroços procurando espaço para respirar. Não entrou em pânico — ou pelo menos conseguiu agir apesar do pânico. E depois, quando viu o amigo ferido, encontrou força para gritar por ajuda.
A ponte tinha apenas dois anos e meio. Como uma estrutura tão nova desaba?
Esse é o mistério que vai assombrar essa cidade. Custou 36 milhões de reais. Deveria durar décadas. Mas a região tem um inimigo que as autoridades podem ter subestimado: a erosão amazônica. Os rios ali comem as margens. As fundações enfraquecem. Ninguém sabe ainda se foi negligência no projeto, na construção, ou se foi apenas a força bruta da natureza.
Dois feridos em estado grave foram transferidos para Rio Branco. O que isso significa para eles?
Significa que os hospitais locais não tinham recursos para o tipo de trauma que sofreram. Significa que Antônio Morais, que estava coberto de ferros, precisava de cirurgia e cuidados que só a capital podia oferecer. Significa que a distância entre Sena Madureira e Rio Branco virou parte da luta pela vida deles.