Sentimos mais sono no frio? A ciência explica o fenômeno

Realmente sentimos mais sono no frio, e isso não tem nada a ver com preguiça
A ciência confirma que a redução de luz solar estimula a produção de melatonina, o hormônio do sono.

Quando o frio chega e os dias encolhem, o corpo humano responde a um chamado antigo: produzir mais melatonina, o hormônio do sono, em resposta à menor exposição à luz solar. A ciência confirma que esse torpor invernal não é fraqueza nem preguiça, mas um mecanismo biológico herdado de ancestrais que precisavam se alinhar aos ciclos naturais da luz. Compreender essa engrenagem é o primeiro passo para dormir melhor — não necessariamente mais — durante os meses frios.

  • A redução da luz solar no inverno dispara a produção de melatonina, lançando o corpo num estado de sonolência que pode parecer impossível de resistir.
  • Além do hormônio do sono, a queda de temperatura e o ar seco perturbam o ritmo circadiano, ressecam as mucosas e afastam as pessoas das atividades físicas ao ar livre.
  • Pessoas com maior sensibilidade sazonal enfrentam não só mais sono, mas também oscilações de humor que tornam o inverno um período de vulnerabilidade real.
  • Especialistas alertam: o problema não é a quantidade de horas dormidas, mas a qualidade do sono — e ela piora quando o ambiente e a rotina são negligenciados.
  • A saída está em trabalhar com o corpo, não contra ele: buscar luz natural pela manhã, manter horários regulares e controlar a umidade do ar são medidas simples com impacto profundo.

Há uma explicação biológica real por trás da vontade de ficar embaixo das cobertas no inverno. Segundo a psiquiatra Danielle H. Admoni, da Associação Brasileira de Psiquiatria, o aumento da sonolência está diretamente ligado à melatonina — hormônio liberado pelo cérebro em resposta à escuridão. Com dias mais curtos e noites mais longas, o corpo interpreta a ausência de luz como sinal para produzir mais desse hormônio. É um mecanismo antigo, herdado de quando os seres humanos precisavam se adaptar aos ciclos naturais.

A melatonina, porém, é apenas parte da história. O neurologista André Felício, do Hospital Albert Einstein, aponta que a queda de temperatura e a menor exposição à luz natural também desestabilizam o ritmo circadiano — o relógio interno que governa sono, vigília e alimentação. O frio ainda resseca as mucosas nasais e afasta as pessoas das atividades ao ar livre, contribuindo para aquela sensação de cansaço difuso que o inverno costuma trazer. Nem todos reagem da mesma forma: pessoas mais sensíveis às variações sazonais podem experimentar também alterações no humor.

Os especialistas são unânimes em um ponto: o objetivo não deve ser dormir mais horas, mas dormir melhor. Manter uma rotina consistente, buscar luz solar especialmente pela manhã e controlar a umidade do ambiente são medidas que trabalham a favor do organismo. Simples na aparência, elas recalibram o relógio interno e criam as condições para que o corpo faça aquilo para o qual foi projetado — descansar profundamente quando chega a hora.

Há algo de quase universal na vontade de ficar embaixo das cobertas quando o frio chega — a chuva caindo lá fora, a série na tela, o mundo reduzido ao tamanho de um quarto aconchegante. Mas por trás dessa sensação de torpor que o inverno traz existe uma explicação biológica real, não apenas um capricho do corpo ou uma desculpa para a preguiça.

A ciência confirma o que muitos já suspeitavam: realmente dormimos mais quando faz frio. Segundo a psiquiatra Danielle H. Admoni, da Associação Brasileira de Psiquiatria, esse aumento da sonolência está diretamente ligado à produção de melatonina, o hormônio que nosso cérebro libera para nos induzir ao sono. Durante o inverno, os dias encolhem e as noites se alongam. Ficamos expostos à escuridão por mais tempo, e essa ausência de luz é o sinal que o corpo interpreta como ordem para fabricar mais melatonina. É um mecanismo antigo, herdado de quando nossos ancestrais precisavam se adaptar aos ciclos naturais da luz.

Mas a melatonina é apenas parte da história. O neurologista André Felício, do Hospital Albert Einstein, aponta que a queda da temperatura corporal e a redução da exposição à luz natural também mexem com nosso ritmo biológico — aquele relógio interno que governa quando acordamos, quando dormimos, quando comemos. Nem todas as pessoas reagem da mesma forma a essas mudanças. Algumas são particularmente sensíveis às variações sazonais e podem experimentar não apenas mais sono, mas também alterações no humor. O frio, além disso, resseca as mucosas nasais e nos afasta das atividades ao ar livre, dois fatores que contribuem para aquela sensação de cansaço que parece vir de lugar nenhum.

Não é necessário dormir significativamente mais durante o inverno — o corpo não precisa de horas extras de repouso apenas porque está frio. O que muda é a qualidade daquilo que dormimos. Pessoas com ritmos biológicos mais sensíveis podem se beneficiar de alguns minutos adicionais de descanso, mas o foco real deve estar em dormir melhor, não necessariamente mais. Os especialistas são unânimes nesse ponto: o que funciona é manter uma rotina consistente, buscar luz natural especialmente pela manhã — aquele banho de sol matinal que parece simples mas recalibra todo o relógio interno — e criar um ambiente que favoreça o repouso.

O inverno apresenta desafios específicos para quem quer dormir bem. O ar fica seco, o frio intenso, a luz solar escassa. Esses três elementos juntos podem agravar problemas respiratórios, desestabilizar o ritmo circadiano e provocar despertares frequentes durante a noite. Por isso, medidas simples — controlar a umidade do ar, manter a rotina, buscar exposição à luz natural — não são luxo, são necessidade. Elas funcionam porque trabalham com o corpo, não contra ele, ajudando a equilibrar tanto o ambiente quanto o organismo. O resultado é noites mais tranquilas e um corpo que consegue fazer aquilo para o qual foi desenhado: descansar profundamente quando chega a hora.

A sonolência está ligada à maior produção de melatonina, o hormônio responsável por induzir o sono
— Danielle H. Admoni, psiquiatra da Associação Brasileira de Psiquiatria
A redução da temperatura corporal e a menor exposição à luz natural influenciam o ritmo biológico
— André Felício, neurologista do Hospital Albert Einstein
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que exatamente a falta de luz no inverno nos faz dormir mais? É só melatonina?

Model

A melatonina é o principal ator, mas não está sozinha. Quando os dias ficam curtos, o corpo interpreta aquela escuridão como um sinal antigo — é hora de descansar. Mas ao mesmo tempo, a temperatura cai, a atividade física diminui, o ar fica seco. Tudo isso junto mexe com o ritmo biológico.

Inventor

Então nem todo mundo sente isso do mesmo jeito?

Model

Exato. Algumas pessoas são muito sensíveis às mudanças sazonais. Para elas, o inverno não é só mais sono — pode vir acompanhado de alterações no humor, ressecamento das vias nasais, aquela sensação de cansaço que não passa. Outras mal notam a diferença.

Inventor

Se o corpo está pedindo mais sono, por que os especialistas dizem para não dormir muito mais?

Model

Porque o problema real não é quantidade, é qualidade. O corpo não precisa de horas extras só porque está frio. O que ele precisa é dormir bem — profundamente, sem interrupções. E para isso, você precisa trabalhar com o ambiente e a rotina, não contra eles.

Inventor

Como assim trabalhar com o ambiente?

Model

Controlando a umidade do ar, mantendo uma rotina consistente, buscando luz natural pela manhã. Essas coisas parecem pequenas, mas recalibram todo o relógio interno do corpo. É como dar ao organismo as ferramentas certas para fazer aquilo que ele já sabe fazer.

Inventor

E se alguém simplesmente não conseguir sair da cama no inverno?

Model

Aí vale a pena conversar com um especialista. Porque se a sensibilidade às mudanças sazonais está afetando o sono e o humor de forma significativa, pode não ser só preguiça — pode ser algo que merece atenção.

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