Senador Lindsey Graham morre de dissecação da aorta aos 71 anos

Morte de figura política influente aos 71 anos; impacto na continuidade de políticas de defesa e relações internacionais dos EUA.
Ele parecia um pouco cansado, mas perfeito
As últimas palavras de Trump sobre Graham, faladas por telefone na noite em que o senador morreu.

Lindsey Graham, senador republicano que por décadas moldou a política externa americana com convicção intervencionista, morreu aos 71 anos vítima de uma dissecação da aorta — o rasgo silencioso de uma artéria que não perdoa. Retornava da Ucrânia, onde havia costurado um pacote de sanções à Rússia, quando o corpo cedeu ao que a medicina chama de doença cardiovascular arteriosclerótica. Sua morte reduz em um assento a maioria republicana no Senado e deixa aberto o espaço que ele ocupava entre a lealdade ao poder e a defesa de alianças internacionais.

  • Graham morreu na noite de sábado, horas após falar ao telefone com Trump, que o descreveu como 'um membro da família' e ordenou bandeiras a meio-mastro em todo o país.
  • A causa — dissecação da aorta por arteriosclerose — foi confirmada em laudo preliminar, mas o certificado definitivo ainda aguarda testes toxicológicos e exames microscópicos.
  • Ele retornava de Kiev, onde havia anunciado avanços em um pacote de sanções dos EUA à Rússia, e o presidente ucraniano Zelensky o chamou de 'verdadeiro defensor da liberdade'.
  • Com sua morte, a maioria republicana no Senado encolhe de 53 para 52 cadeiras, e o governador da Carolina do Sul deverá nomear um substituto temporário até janeiro.
  • Graham deixa uma trajetória marcada por rupturas e reconciliações — com Trump, com o partido, com si mesmo — e nenhum herdeiro direto: não era casado e não tinha filhos.

O senador Lindsey Graham morreu na noite de sábado aos 71 anos em decorrência de uma dissecação da aorta causada por doença cardiovascular arteriosclerótica. O laudo preliminar foi divulgado pelo seu gabinete no domingo, emitido pelo Instituto Médico Legal do Distrito de Colúmbia. O certificado definitivo ainda aguarda testes toxicológicos. Graham retornava de uma viagem oficial a Kiev quando adoeceu. Trump, seu aliado mais próximo, revelou ter falado com ele por telefone naquela noite — "ele parecia um pouco cansado, mas perfeito" — e ordenou bandeiras a meio-mastro até o sábado seguinte.

Em seu quinto mandato, Graham presidia o Comitê de Orçamento do Senado e era uma das vozes mais influentes da política externa americana. Na semana anterior à morte, havia participado de uma delegação em Kiev e anunciado avanços em um pacote de sanções dos EUA à Rússia. O presidente ucraniano Zelensky disse estar "profundamente entristecido", descrevendo-o como um "verdadeiro defensor da liberdade".

A relação de Graham com Trump começou turbulenta — o senador o chamou de "inapto para o cargo" após comentários depreciativos sobre John McCain, seu melhor amigo no Senado. Mas após 2016, Graham tornou-se um dos principais aliados do presidente, presença constante em partidas de golfe e interlocutor frequente. Chegou a romper após o 6 de janeiro de 2021, declarando "Estou fora. Já chega." Pouco depois, voltou a se aproximar.

Nascido em Central, Carolina do Sul, em família de classe média baixa, Graham cresceu ajudando os pais em um bar. Formou-se em Direito, atuou como advogado militar e foi eleito deputado estadual em 1992. Sua projeção nacional veio em 1999, quando integrou a comissão que aprovou o impeachment de Bill Clinton. Em 2016, tentou a indicação republicana à Presidência, mas foi derrotado por Trump nas prévias.

Graham não era casado e não tinha filhos. Sua parente mais próxima é a irmã Darline, que ele ajudou a criar após perderem os pais. O governador Henry McMaster deverá nomear um substituto temporário que ficará no cargo até janeiro. Com a morte de Graham, a maioria republicana no Senado passa de 53 para 52 cadeiras.

O senador Lindsey Graham, figura central nas decisões sobre guerra e sanções globais dos Estados Unidos, morreu na noite de sábado aos 71 anos. A causa foi uma dissecação da aorta provocada por doença cardiovascular arteriosclerótica — um rasgo na principal artéria que leva sangue do coração para o resto do corpo. O laudo preliminar da autópsia foi divulgado pelo seu gabinete no domingo, emitido pelo Instituto Médico Legal do Distrito de Colúmbia. O certificado de óbito definitivo ainda aguarda testes toxicológicos e exames microscópicos que determinarão formalmente a classificação final da causa da morte.

Graham retornava de uma viagem oficial a Kiev na Ucrânia quando adoeceu. O presidente Donald Trump, seu aliado mais próximo no Capitólio, revelou que conversou com o senador por telefone no sábado à noite, logo após seu retorno. "Ele parecia um pouco cansado, mas perfeito", disse Trump, descrevendo-o como "um membro da família". O presidente ordenou que as bandeiras em todo o país fossem hasteadas a meio-mastro em sinal de luto até o próximo sábado. O gabinete de Graham havia informado inicialmente apenas que a morte ocorreu após uma "breve e repentina doença", sem detalhar a causa.

Em seu quinto mandato, Graham planejava concorrer à reeleição em novembro. Presidia o Comitê de Orçamento do Senado e era uma das vozes mais influentes da política externa americana, defendendo consistentemente uma abordagem intervencionista e o fortalecimento da defesa nacional. Na semana anterior à sua morte, havia participado de uma delegação em Kiev e anunciado um acordo para avançar em um pacote de maiores sanções dos EUA à Rússia. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou estar "profundamente entristecido" com sua morte, descrevendo-o como um "verdadeiro defensor da liberdade e dos valores que tornam o nosso mundo mais seguro".

A relação entre Graham e Trump começou conturbada. O senador havia chamado o então empresário de "inapto para o cargo" e usado palavrões para se referir a ele após comentários depreciativos sobre John McCain, melhor amigo de Graham no Senado e veterano da Guerra do Vietnã. Os dois, junto com o ex-senador Joe Lieberman, eram conhecidos como os "Três Amigos" e viajavam frequentemente pelo mundo defendendo uma política externa mais intervencionista. Mas Graham mudou significativamente de posição após a vitória de Trump em 2016. Tornou-se um dos principais aliados do presidente, passou a falar com ele com frequência e se tornou presença constante em partidas de golfe, enquanto McCain permaneceu como crítico. Em entrevista de 2018, Graham explicou que McCain lhe ensinou que o país precisa seguir em frente após as eleições, o que significava haver "a obrigação" de ajudar o presidente.

Graham chegou a romper com Trump após a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, declarando "Estou fora. Já chega." Pouco tempo depois, porém, voltou a se aproximar e permaneceu como aliado durante o segundo mandato. Sua carreira política se estendeu por mais de três décadas. Nascido em uma família de classe média baixa em Central, Carolina do Sul, onde cresceu ajudando os pais que possuíam um bar, formou-se em Direito antes de ingressar na vida pública. Foi eleito deputado estadual em 1992 após atuar como advogado nas justiças militar e comum. Sua projeção nacional começou em 1999, quando integrou a comissão da Câmara que aprovou o impeachment do presidente Bill Clinton.

Em 2016, Graham tentou disputar a indicação republicana à Presidência, mas foi derrotado nas prévias por Trump. Após a vitória de Trump, mudou seu discurso político, adotando posições mais duras em temas como imigração. Enfrentou resistência dentro do próprio partido ao se afastar das alas mais conservadoras, como quando votou a favor de uma juíza indicada por Barack Obama para a Suprema Corte. Após a derrota de Trump para Joe Biden em 2020, Graham participou das tentativas de contestar o resultado da eleição, inclusive telefonando ao responsável pela certificação dos votos na Geórgia para questionar se seria possível contestar votos enviados pelo correio.

Graham não era casado e não tinha filhos. Sua parente viva mais próxima é a irmã Darline Graham Nordone, que ajudou a criar após perderem os pais. Pela lei da Carolina do Sul, o governador Henry McMaster, também republicano, deverá nomear um substituto temporário que permanecerá no cargo até janeiro. McMaster afirmou que Graham é "insubstituível", descrevendo-o como "o mais feroz dos defensores da Carolina do Sul e da América — e um amigo leal e firme". Com sua morte, a maioria republicana no Senado passa de 53 para 52 cadeiras. O líder da maioria, John Thune, afirmou que "meu coração está pesado nesta manhã ao saber da morte do meu amigo e colega", destacando que Graham dedicou muitos anos à Força Aérea e ao Congresso, tornando-se um defensor firme dos Estados Unidos e forte aliado de países que valorizam a liberdade.

Ele parecia um pouco cansado, mas perfeito
— Presidente Donald Trump, em entrevista ao programa Meet the Press
Lindsey dedicou muitos anos de sua vida à Força Aérea e ao Congresso, o que o levou às mais diversas regiões do mundo. Ele foi um defensor firme dos Estados Unidos e um forte aliado de países que valorizam a liberdade em todo o mundo.
— John Thune, líder da maioria no Senado dos EUA
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que a morte de Graham importa além do círculo político imediato?

Model

Porque ele era a voz que moldava como a América pensava sobre intervenção militar e sanções globais. Sua morte remove uma figura que tinha acesso direto ao presidente e influência real sobre decisões que afetam conflitos internacionais.

Inventor

A viagem à Ucrânia na semana anterior parece significativa. Ele estava em algum tipo de missão?

Model

Sim. Graham havia anunciado um acordo para avançar em sanções maiores à Rússia. Estava retornando dessa delegação quando adoeceu. É o tipo de detalhe que faz as pessoas se perguntarem se havia algo mais acontecendo.

Inventor

Trump disse que ele "parecia um pouco cansado, mas perfeito". Como alguém morre tão rapidamente depois disso?

Model

Uma dissecação da aorta pode ser súbita e devastadora. Não há aviso. O corpo pode parecer normal enquanto uma artéria principal está se rasgando por dentro. É por isso que o laudo preliminar ainda aguarda testes — para entender exatamente o que precipitou o evento.

Inventor

A mudança de Graham em relação a Trump é notável. De "inapto para o cargo" a aliado próximo. O que explica isso?

Model

Graham disse que McCain o ensinou que você segue em frente após as eleições. Mas também há cálculo político. Graham viu que Trump venceria e que ficar do lado dele era mais útil do que permanecer crítico. Quando rompeu em janeiro de 2021, voltou rapidamente — sugerindo que a lealdade era pragmática, não ideológica.

Inventor

Qual é o vazio real deixado por sua morte?

Model

Um senador que presidia o Comitê de Orçamento e tinha voz em política externa. Mas mais importante: um intermediário entre Trump e a ala de política externa tradicional do partido. Sem Graham, essas vozes têm menos acesso ao presidente.

Inventor

O que acontece agora com seu assento?

Model

O governador da Carolina do Sul nomeia um substituto temporário até janeiro. Mas a maioria republicana no Senado passa de 53 para 52 cadeiras — um número mais apertado em um momento em que Trump pode precisar de votos para suas prioridades.

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