Senado dos EUA aprova fim do maior shutdown da história após 41 dias

Centenas de milhares de funcionários federais em licença não remunerada, milhões de americanos em risco de perder assistência alimentar e interrupções em viagens aéreas.
Os republicanos disseram: não vamos discutir saúde com o governo paralisado
Um senador democrata explica por que seu partido cedeu após 41 dias de impasse.

Por 41 dias, o governo dos Estados Unidos permaneceu paralisado — o maior impasse de sua história —, deixando centenas de milhares de servidores sem salário e milhões de cidadãos à beira de perder benefícios essenciais. Na segunda-feira, o Senado votou 60 a 40 para encerrar essa paralisia, com oito democratas optando pelo pragmatismo em detrimento da resistência partidária. O acordo revela, mais uma vez, a tensão permanente entre o ideal político e o custo humano imediato das disputas de poder.

  • Após 41 dias de paralisação histórica, centenas de milhares de servidores federais seguiam sem receber e aeroportos enfrentavam caos operacional.
  • Oito senadores democratas romperam com o próprio partido ao concluir que a intransigência republicana sobre saúde tornava a resistência insustentável para os mais vulneráveis.
  • Democratas como Edward Markey denunciaram o acordo como cumplicidade com o desmantelamento do sistema de saúde público, acusando os colegas de facilitar a agenda de Trump.
  • O pacote aprovado financia o governo até janeiro, restaura empregos de demitidos e garante pagamento retroativo, mas deixa de fora a prorrogação dos subsídios de saúde.
  • A Câmara dos Representantes deve votar até quarta-feira, com margem republicana estreita e democratas prometendo manter a pressão sobre a questão da saúde até as próximas eleições.

Por 41 dias, o governo dos Estados Unidos ficou paralisado — o maior shutdown de sua história. Servidores federais ficaram sem receber, milhões de americanos viram seus benefícios de assistência alimentar ameaçados e os aeroportos entraram em colapso operacional. Na segunda-feira, o Senado votou 60 a 40 para encerrar o impasse, depois que oito senadores democratas decidiram romper com seu partido e apoiar um pacote de gastos republicano.

A lógica por trás da deserção foi explicada pelo senador Tim Kaine: os republicanos se recusavam a negociar a prorrogação dos subsídios federais de saúde enquanto o governo estivesse paralisado, e enquanto isso, os mais vulneráveis perdiam benefícios essenciais. Para Kaine e seus aliados, esperar era um luxo que os cidadãos dependentes de serviços básicos não podiam se dar.

Nem todos concordaram. O senador Edward Markey foi contundente ao chamar o acordo de cumplicidade — como dirigir o carro da fuga para Trump e seus aliados, que vinham desmantelando o Medicare, o Medicaid e a Lei de Acesso à Saúde desde o início do mandato. Para ele, o papel dos democratas era barrar o que descreveu como o maior roubo na história da saúde americana.

O texto aprovado financia o governo até janeiro, inclui projetos de gastos para agricultura, construção militar e agências legislativas, e garante a reintegração dos servidores demitidos durante a paralisação, com pagamento retroativo. Trump sinalizou que cumprirá o acordo. Agora, o projeto segue para a Câmara, onde a margem republicana é estreita e a votação está prevista para quarta-feira. Os democratas prometem manter a saúde como bandeira política central — e as pesquisas indicam que os eleitores estão atentos.

Quarenta e um dias. Isso é quanto tempo o governo dos Estados Unidos ficou paralisado — o mais longo na história do país — até segunda-feira, 10 de novembro, quando o Senado finalmente votou para encerrá-lo. A votação foi 60 a 40, e o resultado sinalizou o fim de um impasse que havia deixado centenas de milhares de servidores federais sem receber, colocado milhões de americanos à beira de perder assistência alimentar e criado caos nos aeroportos do país.

O acordo que passou no Senado foi possível porque oito senadores democratas decidiram romper com seu próprio partido e apoiar um pacote de gastos republicano. Esses democratas concluíram que os republicanos nunca cederiam ao que os democratas mais queriam: a prorrogação dos subsídios federais para assistência médica que venceriam no final do ano. O senador Tim Kaine, democrata da Virgínia, explicou a lógica por trás da decisão: os republicanos simplesmente se recusavam a discutir saúde enquanto o governo estivesse paralisado, e enquanto isso, beneficiários do programa de assistência nutricional e outras pessoas dependentes de serviços essenciais estavam perdendo seus benefícios.

Nem todos os democratas concordaram com essa estratégia. O senador Edward Markey, de Massachusetts, foi direto ao ponto: aprovar esse acordo era como dirigir o carro da fuga para Trump e seus aliados republicanos, que vinham desmantelando o Medicare, o Medicaid e a Lei de Acesso à Saúde desde o primeiro dia da posse presidencial. Para Markey, o povo americano queria que os democratas impedissem o que ele chamou de maior roubo na história da saúde — não que facilitassem a agenda do presidente.

O pacote aprovado no Senado financia o governo até janeiro e inclui três projetos de lei de gastos separados para cobrir agricultura, construção militar e agências legislativas durante a maior parte de 2026. Há também uma disposição importante: os funcionários federais que foram demitidos durante a paralisação terão seus empregos restaurados, e aqueles que foram colocados em licença não remunerada receberão pagamento retroativo. Trump já sinalizou que cumprirá essas disposições, afirmando simplesmente: "Vou cumprir o acordo".

Agora o texto segue para a Câmara dos Representantes, onde a margem de controle republicana é pequena e a oposição democrata é forte. Espera-se que os deputados votem até quarta-feira, 12 de novembro. Trump já indicou que sancionará a medida se ela for aprovada, mas a batalha está longe de terminar. Os democratas conseguiram elevar os subsídios à saúde a uma questão política central durante toda essa crise, e agora prometem manter a pressão sobre os republicanos para que os prorroguem — ou enfrentem as consequências nas urnas, especialmente considerando que as pesquisas mostram que os eleitores querem mais proteção na saúde.

Não tínhamos como avançar na questão da saúde porque os republicanos disseram: 'Não vamos discutir saúde com o governo paralisado'
— Senador Tim Kaine, democrata da Virgínia
Trump e os republicanos apoiadores de Trump vêm paralisando o governo desde o dia da posse, desmantelando o Medicare, o Medicaid e a Lei de Acesso à Saúde
— Senador Edward J. Markey, democrata de Massachusetts
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que exatamente oito democratas decidiram quebrar a unidade do partido neste momento?

Model

Eles chegaram à conclusão de que tinham perdido. Os republicanos deixaram claro que não negociariam saúde enquanto o governo estivesse fechado, e a cada dia que passava, mais pessoas reais — pessoas que recebem comida, que voam, que dependem de serviços federais — estavam sofrendo. Em algum ponto, você tem que escolher entre vencer uma batalha política ou aliviar o sofrimento imediato.

Inventor

Mas isso não significa que os democratas simplesmente desistiram de seus objetivos?

Model

Não exatamente. Eles perderam esta rodada, sim. Mas agora a saúde é o assunto que todos estão discutindo. Os republicanos não conseguiram enterrar isso. Os democratas estão dizendo: vocês venceram agora, mas os eleitores vão se lembrar disso.

Inventor

Trump disse que vai cumprir o acordo. Você acredita nele?

Model

Ele disse as palavras certas. Mas o acordo tem disposições específicas — restaurar empregos, pagar retroativamente — que são verificáveis. Se ele não fizer isso, fica óbvio. Então sim, provavelmente ele vai cumprir.

Inventor

E se a Câmara rejeitar?

Model

Então temos outro impasse. Mas Trump já sinalizou apoio, e a maioria dos republicanos quer que isso termine. A Câmara provavelmente aprova.

Inventor

O que você acha que os eleitores vão lembrar desses 41 dias?

Model

Que o governo parou de funcionar. Que as pessoas não foram pagas. Que você não conseguia voar. Que a comida desapareceu das mesas. Esses são os fatos que ficam.

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