Senado aprova criação do Dia da Amizade Brasil-Israel em meio a tensões diplomáticas

Formalizar a sólida relação bilateral enquanto o presidente critica a guerra
A aprovação do projeto ocorre em contexto de tensões diplomáticas após críticas de Lula à conduta militar israelense em Gaza.

Em meio a tensões diplomáticas que testam décadas de convivência, o Senado brasileiro avança na formalização de um laço histórico: a amizade com Israel, nação com a qual o Brasil estabeleceu relações desde 1949. A aprovação do projeto pela Comissão de Educação revela como os vínculos entre povos — tecidos por comunidades, culturas e memórias compartilhadas — persistem mesmo quando os governos divergem. É o tempo longo da história dialogando com o tempo curto da política.

  • A Comissão de Educação do Senado aprovou um projeto que cria o Dia de Celebração da Amizade Brasil-Israel, cinco anos após a Câmara já tê-lo aprovado.
  • A votação ocorre no exato momento em que o presidente Lula reafirma críticas à ofensiva israelense em Gaza e indica que repetirá a polêmica comparação com o Holocausto.
  • A analogia feita por Lula durante viagem à Etiópia — comparando mortes em Gaza ao extermínio nazista — desencadeou uma crise diplomática entre Brasília e Tel Aviv.
  • No domingo anterior à aprovação, um ato bolsonarista em São Paulo reuniu manifestantes com bandeiras de Israel, expondo as divisões políticas internas sobre o tema.
  • O projeto segue agora para o plenário do Senado, onde a contradição entre o gesto legislativo de aproximação e a retórica presidencial de distanciamento precisará ser enfrentada.

A Comissão de Educação do Senado aprovou nesta terça-feira o projeto de lei que institui o Dia de Celebração da Amizade Brasil-Israel. A proposta, que já havia passado pela Câmara em 2019, busca formalizar uma relação bilateral construída desde fevereiro de 1949, quando o Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer o Estado de Israel.

O relator do projeto destacou que a iniciativa visa fortalecer os vínculos culturais, sociais e econômicos entre os dois países — laços sustentados por números expressivos: mais de dez mil brasileiros vivem em Israel, e cerca de cem mil judeus residem no Brasil.

A aprovação, porém, chega carregada de tensão. O presidente Lula tem criticado duramente a conduta militar israelense em Gaza, e em entrevista recente indicou que repetiria a comparação que fez entre as mortes de palestinos e o extermínio de judeus na Segunda Guerra Mundial — analogia que, feita durante viagem à Etiópia, provocou forte reação de Tel Aviv e abriu uma crise diplomática entre os dois países.

No domingo anterior à votação, manifestantes convocados por Bolsonaro em São Paulo foram às ruas portando bandeiras de Israel, evidenciando como o tema divide o cenário político doméstico. O projeto segue agora para o plenário do Senado, onde o voto final precisará navegar entre a memória de uma amizade histórica e as turbulências do presente.

A Comissão de Educação do Senado aprovou nesta terça-feira um projeto de lei que cria o Dia de Celebração da Amizade Brasil-Israel. A proposta já havia passado pela Câmara dos Deputados em 2019 e agora avança no processo legislativo com o aval da comissão temática.

Segundo o relator do projeto, a iniciativa busca "formalizar a sólida relação bilateral com o Estado de Israel e fomentar os vínculos cultural, social e econômico existentes entre os dois países". O Brasil foi um dos primeiros países a estabelecer relações diplomáticas com Israel logo após sua criação, em fevereiro de 1949. Essa história compartilhada forma a base argumentativa para a criação de um dia dedicado à amizade entre as nações.

Os números que sustentam essa aproximação são significativos. Existem atualmente mais de dez mil brasileiros vivendo em Israel, enquanto cerca de cem mil judeus residem no Brasil. Essas comunidades, segundo o parecer aprovado, geram fortes vínculos culturais e sociais que justificam a formalização de um dia comemorativo.

A aprovação, porém, ocorre em um momento de tensão diplomática entre os dois países. O presidente Lula tem feito críticas contundentes à guerra em Gaza, argumentando que não se trata de um conflito entre militares, mas de ações de um exército contra mulheres e crianças. Em entrevista concedida ao jornalista Kennedy Alencar da RedeTV!, divulgada pelo UOL, Lula reafirmou suas posições críticas e indicou que repetiria uma comparação anterior que havia feito entre as mortes de palestinos em Gaza e o assassinato em massa de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Essa comparação foi feita durante uma viagem de Lula à Etiópia no mês anterior, quando o presidente afirmou não haver na história um episódio comparável ao confronto atual em Gaza, "exceto quando o Hitler resolveu matar os judeus". A analogia provocou reações fortes do governo israelense e desencadeou uma crise diplomática entre Brasília e Tel Aviv.

O cenário político doméstico também reflete divisões sobre o tema. No domingo anterior à aprovação do projeto, um ato convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em São Paulo reuniu manifestantes que expressaram apoio a Israel, muitos deles portando bandeiras do país. Essa mobilização contrasta com as posições críticas do governo atual.

A aprovação do projeto de lei ocorre, portanto, em um contexto de contradições: enquanto o Senado formaliza laços históricos e culturais com Israel, o presidente do país mantém críticas públicas à conduta militar israelense no conflito com os palestinos. O projeto segue agora para votação no plenário do Senado, onde sua aprovação final dependerá do voto dos senadores.

O Brasil mantém uma sólida e importante relação bilateral com Israel, tendo sido um dos primeiros países a estabelecer relações diplomáticas com o nascente Estado, em fevereiro de 1949
— Relator do projeto no parecer aprovado
Não se trata de um conflito entre soldados, mas de ações de um Exército contra mulheres e crianças
— Presidente Lula, em entrevista à RedeTV!
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que um projeto que estava parado desde 2019 na Câmara é aprovado justamente agora, em meio a essa crise diplomática?

Model

É uma pergunta que revela a desconexão entre as instituições. A Comissão de Educação trabalha com a lógica dos vínculos históricos e culturais — e esses são reais, não inventados. Mas o timing é delicado.

Inventor

Os números de brasileiros em Israel e judeus no Brasil são realmente significativos para justificar um dia comemorativo?

Model

São números que existem e que importam para essas comunidades. Dez mil brasileiros em Israel é uma presença real, assim como cem mil judeus aqui. Essas pessoas têm vidas, negócios, famílias. O projeto fala delas.

Inventor

Mas como o governo Lula vota em algo assim enquanto o presidente compara Gaza ao Holocausto?

Model

Aí está a tensão real. O projeto não é do governo — é uma iniciativa legislativa que tramita há anos. O governo não o impediu, mas também não o abraçou. É uma aprovação que acontece apesar das críticas presidenciais, não por causa delas.

Inventor

Isso enfraquece a posição diplomática do Brasil?

Model

Depende de como se lê. Para alguns, mostra que o Brasil consegue manter relações históricas enquanto critica políticas específicas. Para outros, parece contraditório. A aprovação não resolve essa tensão — apenas a deixa visível.

Inventor

E os manifestantes de Bolsonaro no domingo — eles sabiam que isso seria votado?

Model

Provavelmente não foi coordenado. Mas o ato reflete que há setores da sociedade brasileira que veem Israel de forma diferente do presidente. O projeto, de certa forma, dá voz institucional a essa visão.

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