Poupança perde poder de compra há 12 meses seguidos
Na quarta-feira, o Banco Central do Brasil elevou a taxa Selic em um ponto percentual, fixando-a em 6,25% ao ano — uma resposta institucional a uma inflação que já ultrapassa o teto da meta governamental e corrói silenciosamente o poder de compra dos brasileiros. A poupança, refúgio histórico do pequeno poupador, ganha um pouco mais, mas continua perdendo para os preços: doze meses seguidos de retorno real negativo revelam que guardar dinheiro, por si só, não é suficiente num momento de aperto econômico. O movimento sinaliza uma trajetória mais longa de ajuste, em que a escolha de onde poupar se torna, cada vez mais, uma decisão de sobrevivência financeira.
- A inflação de 9,68% ao ano devora os rendimentos da poupança, que mesmo após a alta da Selic entrega um retorno real de menos 7,15% — o pior em trinta anos.
- Os brasileiros já sacaram quinze bilhões e seiscentos milhões de reais a mais do que depositaram na poupança em 2021, sinalizando uma fuga silenciosa do investimento mais popular do país.
- Pela primeira vez desde 2017, aplicações pré-fixadas em renda fixa ultrapassam 10% ao ano, reacendendo o interesse por alternativas como Tesouro Direto, CDBs e letras de crédito.
- Ainda assim, descontados inflação e imposto de renda, a maioria dessas alternativas ainda apresenta retorno negativo em termos reais — apenas exceções como debêntures incentivadas escapam do vermelho.
- Economistas projetam a Selic chegando a 8,25% até o fim de 2021, indicando que o ciclo de alta de juros está longe do fim e que o cenário de investimentos continuará em transformação.
O Banco Central elevou a taxa Selic em um ponto percentual na quarta-feira, levando-a a 6,25% ao ano, confirmando as expectativas do mercado. Para quem tem dinheiro na poupança, a mudança traz um alívio modesto: o rendimento sobe para 0,36% ao mês, ou 4,38% ao ano. Em dez mil reais aplicados por doze meses, isso representa quatrocentos e trinta e oito reais de ganho — setenta reais a mais do que na taxa anterior.
O problema é que esse ganho não acompanha a realidade dos preços. A inflação oficial atingiu 9,68% em doze meses, puxada pela energia e pelos combustíveis, e o retorno real da poupança ficou em menos 7,15% em agosto — o pior resultado desde outubro de 1991. São doze meses consecutivos em que o poder de compra de quem poupa na caderneta encolhe. Não por acaso, os saques já superam os depósitos em mais de quinze bilhões de reais no ano, embora o estoque total ainda some mais de um trilhão de reais.
A alta dos juros abre espaço para outras aplicações de renda fixa. Pela primeira vez desde 2017, há investimentos pré-fixados rendendo acima de 10% ao ano. CDBs em bancos médios chegam a 8% bruto ao ano; letras de crédito podem atingir 8,61%. Mas, descontados inflação e imposto de renda, a maioria ainda entrega retorno negativo. As exceções ficam por conta das debêntures incentivadas — isentas de IR e com ganho real projetado de 0,86% ao ano — e da poupança antiga, que rende 0,50% ao mês e pode superar CDBs de grandes bancos.
Educadores financeiros recomendam cautela diante da migração para a renda fixa: diversificar continua sendo essencial, e abandonar completamente a renda variável não é aconselhável. Com a Selic projetada em 8,25% até o fim do ano, o cenário seguirá mudando — e a escolha de onde guardar dinheiro exige, mais do que nunca, atenção e estratégia.
O Banco Central elevou a taxa Selic em um ponto percentual na quarta-feira, levando-a a 6,25% ao ano. A decisão, que confirmou as expectativas do mercado, traz consigo uma pequena melhoria para quem poupa: a caderneta de poupança passa a render 0,36% ao mês, ou 4,38% ao ano. Para uma aplicação de dez mil reais mantida por doze meses, isso significa um ganho de quatrocentos e trinta e oito reais, contra trezentos e sessenta e oito reais que renderiam sob a taxa anterior de 5,25%.
Mas essa melhoria vem com uma ressalva importante. Mesmo rendendo mais, a poupança continua perdendo terreno para a inflação. Em agosto, o retorno real da poupança — isto é, descontada a inflação — foi de menos 7,15%, o pior desempenho desde outubro de 1991. A inflação oficial do país atingiu 9,68% em doze meses, impulsionada pelo aumento dos preços de energia e combustíveis. Há doze meses consecutivos que quem deixa dinheiro na poupança vê seu poder de compra encolher.
O cenário reflete uma economia em aperto. Os economistas esperam que a Selic continue subindo nos próximos meses, chegando a 8,25% ao ano até o final de 2021. Essa trajetória de alta de juros é uma resposta do Banco Central a uma inflação que não cessa de subir, ultrapassando o teto da meta do governo, que é de 5,25%. Em 2021, os saques nas cadernetas de poupança já superam os depósitos em quinze bilhões e seiscentos milhões de reais, sinal de que os brasileiros estão retirando recursos dessa aplicação. Ainda assim, o estoque total depositado em poupança somava um trilhão e trinta e seis bilhões de reais em agosto.
A elevação da Selic beneficia também outras aplicações de renda fixa. Títulos públicos vendidos pelo Tesouro Direto, certificados de depósito bancário, letras de crédito e debêntures incentivadas começam a oferecer retornos mais atraentes. Pela primeira vez desde 2017, há investimentos em renda fixa com rentabilidades acima de 10% ao ano na modalidade pré-fixada. Simulações mostram que um certificado de depósito bancário em banco médio pode render 8% ao ano bruto, enquanto uma letra de crédito pode chegar a 8,61%. Mesmo assim, quando se desconta a inflação e o imposto de renda, a maioria dessas aplicações ainda apresenta retorno negativo em termos reais.
Há exceções. A debênture incentivada, isenta de imposto de renda, projeta um ganho real de 0,86% ao ano. E a poupança, também isenta de tributação, pode superar o retorno de certificados de depósito bancário oferecidos por grandes bancos, que rendem apenas 4,92% ao ano bruto. A poupança antiga — aquela com depósitos feitos até abril de 2012 — continua rendendo 0,50% ao mês, ou 6,17% ao ano, mantendo uma vantagem sobre a poupança nova.
Os educadores financeiros alertam que, apesar da atratividade crescente da renda fixa, a diversificação segue sendo essencial. Embora haja uma migração de recursos para fora da bolsa de valores, abandonar completamente os ativos de renda variável não é recomendado. Os investimentos mais procurados em setembro são certificados de depósito bancário, Tesouro Direto, fundos multimercado e fundos de ações. A alta dos juros cria oportunidades em renda fixa, mas o longo prazo ainda exige exposição a diferentes tipos de ativos para maximizar retornos.
Notable Quotes
A renda fixa tem ganhado cada vez mais espaço. Já há investimentos com rentabilidades acima de 10% ao ano na modalidade pré-fixada, algo que não era visto desde o ano de 2017.— Bernardo Pascowitch, CEO e fundador do buscador de investimentos Yubb
O momento atual tem trazido boas oportunidades em renda fixa e vale a pena aproveitá-las. Talvez reduzir a posição em renda variável para surfar o movimento da alta dos juros. Entretanto, isso não deve implicar na venda total dos ativos de renda variável.— Bernardo Pascowitch, educador financeiro
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que a poupança continua perdendo para a inflação se a Selic está subindo?
Porque a inflação está subindo mais rápido ainda. A Selic vai para 6,25%, mas a inflação já está em 9,68%. A poupança rende 70% da taxa de juros básica — é uma regra que existe desde 2012. Então mesmo que os juros subam, a poupança nunca acompanha a inflação nesse ritmo.
E por quanto tempo isso vai continuar assim?
Os economistas projetam que a Selic chegue a 8,25% até o final do ano. Mas a inflação também deve continuar acelerando, especialmente com os preços de energia e combustíveis em alta. Não há sinais de que a poupança vá ganhar da inflação em breve.
Então por que as pessoas ainda colocam dinheiro em poupança?
Porque é seguro, é fácil, e não tem imposto de renda. Para quem não quer complicação, a poupança ainda supera muitas outras aplicações quando você leva em conta a tributação. Um certificado de depósito em banco grande rende menos que a poupança depois do imposto.
Mas os saques estão superando os depósitos. As pessoas estão percebendo isso?
Sim. Em 2021, saques já superam depósitos em mais de quinze bilhões de reais. As pessoas estão buscando renda fixa com retornos maiores — títulos públicos, certificados de depósito em bancos médios, letras de crédito. Pela primeira vez desde 2017, há investimentos rendendo acima de 10% ao ano.
Então a mensagem é: saia da poupança?
Não exatamente. A mensagem é: diversifique. A renda fixa está mais atraente agora, vale a pena aproveitar. Mas não abandone completamente a renda variável. O longo prazo ainda exige equilíbrio entre diferentes tipos de ativos.