SBT condenado a exibir direito de resposta de Erika Hilton após críticas de Ratinho

Erika Hilton sofreu negação de sua identidade de gênero em transmissão televisiva nacional, afetando sua dignidade e direitos como pessoa pública.
Negação reiterada da identidade vai além de crítica política
O juiz entendeu que Ratinho ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao negar a identidade de gênero de Erika Hilton.

Em um país onde a televisão ainda molda percepções coletivas, um juiz paulista traçou uma linha entre a crítica política legítima e a negação da identidade de uma pessoa. Ao ordenar que o SBT exiba a resposta da deputada Erika Hilton após o apresentador Ratinho afirmar que ela 'não é mulher', a Justiça brasileira reafirma que a dignidade humana não se dobra diante da audiência — e que palavras ditas em cadeia nacional carregam consequências proporcionais ao seu alcance.

  • Ratinho declarou ao vivo que Erika Hilton 'não é mulher, é trans', acendendo um conflito jurídico sobre onde termina a opinião e começa a violação de direitos fundamentais.
  • A deputada tentou resolver a questão extrajudicialmente, mas o SBT ignorou a notificação — forçando-a a buscar a Justiça para garantir o que a lei já previa.
  • O argumento da defesa de que Ratinho 'não tinha nada contra trans' foi descartado pelo juiz, que entendeu que ressalvas não apagam o efeito depreciativo das declarações originais.
  • A liminar obriga o SBT a exibir o vídeo de resposta no mesmo programa, com a mesma duração e destaque, sob pena de multa diária de R$ 50 mil caso descumpra o prazo de dez dias.
  • O caso se torna um marco na jurisprudência brasileira, sinalizando que negar identidade de gênero em transmissão nacional não é liberdade de expressão — é uma violação passível de reparação pública.

Em março, o apresentador Ratinho criticou a nomeação de Erika Hilton para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara. Durante o programa, afirmou que ela 'não é mulher, é trans' — declaração que iniciaria uma disputa judicial sobre os limites da liberdade de expressão na televisão brasileira.

Erika Hilton tentou primeiro o caminho extrajudicial, notificando a emissora e solicitando direito de resposta. Diante do silêncio do SBT, recorreu à Justiça. Na última quarta-feira, o juiz André Della Latta Cartaxo, da 2ª Vara Cível do Foro Central do Tribunal de Justiça de São Paulo, concedeu a liminar que obriga a emissora a exibir o vídeo de resposta da deputada.

A decisão estabelece uma distinção central: críticas políticas têm proteção constitucional, mas a negação reiterada da identidade de gênero de uma pessoa ultrapassa esse limite. A defesa de Ratinho argumentou que suas ressalvas — dizer que 'não tinha nada contra trans' — atenuariam a gravidade das falas. O juiz rejeitou a tese, concluindo que tais ressalvas não apagam o caráter depreciativo do que foi dito.

O vídeo de Erika, já aprovado judicialmente, deverá ser exibido no Programa do Ratinho com a mesma duração e destaque das declarações originais. Nele, a deputada reitera que transfobia é crime — classificação firmada pelo STF em 2019. O SBT tem dez dias para cumprir a ordem ou enfrentar multa diária de R$ 50 mil. O caso sinaliza que, para os tribunais brasileiros, negar a identidade de alguém em rede nacional não é simplesmente opinião — é uma violação que exige reparação pública.

Em março, o apresentador Ratinho criticou a nomeação da deputada federal Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Durante o programa, ele afirmou que ela "não é mulher, é trans" — uma declaração que desencadearia uma disputa judicial sobre os limites da liberdade de expressão na televisão brasileira.

Erika Hilton respondeu formalmente, solicitando direito de resposta através de notificação extrajudicial. Quando a emissora não atendeu ao pedido, ela acionou a Justiça. Nesta quarta-feira (17 de junho), o juiz André Della Latta Cartaxo, da 2ª Vara Cível do Foro Central do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, concedeu a liminar que obriga o SBT a exibir um vídeo com a resposta da deputada.

A decisão judicial reconhece uma distinção crucial: enquanto críticas políticas gozam de proteção constitucional, a negação reiterada da identidade de gênero de uma pessoa ultrapassa esse limite. Na avaliação do magistrado, Ratinho "avançou para o terreno da negação reiterada da própria identidade da autora", extrapolando os marcos legais da liberdade de expressão. A defesa do apresentador tentou argumentar que suas ressalvas — afirmar que "não tinha nada contra trans" — mitigariam a gravidade das declarações. O juiz rejeitou essa tese, entendendo que tais ressalvas não diminuem o caráter depreciativo das falas anteriores.

O vídeo de resposta de Erika deverá ser exibido no Programa do Ratinho com a mesma duração e o mesmo destaque das declarações originais do apresentador. A emissora tem dez dias para cumprir a ordem. Se não o fizer, enfrentará multa diária de cinquenta mil reais. No vídeo, aprovado judicialmente, Erika reitera que transfobia é crime — uma classificação que o Supremo Tribunal Federal estabeleceu em 2019, enquadrando homofobia e transfobia como crimes de racismo.

A decisão marca um momento em que a jurisprudência brasileira tenta equilibrar dois direitos fundamentais: a liberdade de expressão e a dignidade de pessoas trans. O caso sugere que, para os tribunais, negar a identidade de gênero de alguém em transmissão televisiva nacional não é simplesmente opinião política — é uma violação que merece reparação pública e imediata.

Avançou para o terreno da negação reiterada da própria identidade da autora
— Juiz André Della Latta Cartaxo, em sua decisão
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o juiz entendeu que isso não era apenas crítica política?

Model

Porque há uma diferença entre discordar de uma decisão política e negar quem a pessoa é. Ratinho poderia ter dito que discordava da nomeação dela. Mas ele foi além — negou sua identidade de gênero.

Inventor

E por que isso importa legalmente?

Model

Porque a identidade de gênero é um direito fundamental. Quando você nega isso publicamente, na televisão, para milhões de pessoas, não é opinião — é uma agressão institucionalizada.

Inventor

A defesa dele disse que não tinha nada contra trans. Isso não deveria contar?

Model

O juiz disse que não. Essas ressalvas não apagam o que foi dito antes. É como dizer algo ofensivo e depois adicionar "mas eu respeito". A ofensa já foi transmitida.

Inventor

E agora? O que muda com esse vídeo de resposta?

Model

Erika terá o mesmo espaço, o mesmo tempo, a mesma visibilidade que Ratinho teve para negá-la. É uma forma de restaurar o equilíbrio — e de deixar claro, também na televisão, que transfobia é crime.

Inventor

Isso vai mudar como os apresentadores falam sobre pessoas trans?

Model

Provavelmente vai fazer alguns pensarem duas vezes. Quando há consequência legal, as pessoas prestam atenção.

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