São Paulo é destaque nacional com campanha que aumenta vacinação contra febre amarela em 66%

Comunicação, tecnologia e financiamento precisam caminhar juntos
A lição que São Paulo extraiu de sua campanha bem-sucedida de vacinação contra febre amarela.

Em um momento em que a desinformação ameaçava corroer décadas de avanços em saúde pública, São Paulo respondeu não com imposição, mas com diálogo qualificado e mobilização coletiva. A campanha estadual contra a febre amarela, reconhecida entre os cinco melhores cases do país pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde, demonstra que comunicação estratégica pode ser tão decisiva quanto qualquer intervenção clínica. O feito, celebrado na sede da OPAS em Brasília, aponta para um caminho em que informação, tecnologia e financiamento caminham juntos como pilares de uma saúde pública verdadeiramente eficaz.

  • A baixa cobertura vacinal contra febre amarela em São Paulo representava uma ameaça sanitária real, agravada pela desinformação que circulava livremente entre a população.
  • A campanha 'São Paulo: todos contra a febre amarela' uniu comunicação de massa, orientação sobre áreas de risco e mobilização social para reverter esse cenário com urgência.
  • Em fevereiro de 2025, o pico da campanha gerou um salto de 66,2% nas doses aplicadas — quase 77 mil doses a mais do que no mesmo mês do ano anterior.
  • O estado foi além da campanha e apresentou projetos de interoperabilidade de dados vacinais e incentivos financeiros municipais como modelo replicável para todo o Brasil.
  • Com três trabalhos selecionados na mostra nacional da OPAS, São Paulo consolida sua posição como referência em políticas integradas de imunização para gestores de saúde em todo o país.

São Paulo transformou uma crise de cobertura vacinal em referência nacional de saúde pública. A campanha 'São Paulo: todos contra a febre amarela' foi selecionada como um dos cinco principais cases de comunicação em saúde do país, reconhecimento anunciado durante a II Mostra de Experiências Exitosas da Gestão Estadual do SUS, realizada na sede da Organização Pan-Americana da Saúde em Brasília.

A iniciativa nasceu de uma parceria entre as Secretarias de Comunicação e da Saúde do Governo de São Paulo, com o objetivo de usar informação qualificada e mobilização social para conter o avanço da doença e combater a desinformação. A estratégia integrou ferramentas de comunicação de massa com orientação direta sobre áreas de risco e a importância do esquema vacinal atualizado — e a população respondeu.

Os números confirmam o impacto. Entre janeiro e fevereiro de 2025, o estado aplicou 371,1 mil doses, alta de 36,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em fevereiro, quando as peças publicitárias atingiram seu auge, o crescimento chegou a 66,2%: de 116.381 doses em fevereiro de 2024 para 193.395 em fevereiro de 2025.

São Paulo apresentou ainda dois projetos complementares: um de interoperabilidade de dados vacinais para qualificar o monitoramento municipal, e um programa de incentivos financeiros que vincula repasses estaduais ao cumprimento de metas de cobertura vacinal. A mensagem deixada para gestores de todo o Brasil foi clara — políticas de imunização eficazes exigem a combinação de informação, tecnologia e financiamento atuando em sinergia.

São Paulo conquistou reconhecimento nacional por transformar uma crise de cobertura vacinal em sucesso de saúde pública. A campanha "São Paulo: todos contra a febre amarela" foi selecionada como um dos cinco principais cases de comunicação em saúde do país, anúncio feito durante a II Mostra de Experiências Exitosas da Gestão Estadual do SUS para Recuperação das Coberturas Vacinais, realizada na sede da Organização Pan-Americana da Saúde em Brasília. O reconhecimento veio do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, que reuniu gestores de todo o Brasil para compartilhar estratégias que funcionam.

A iniciativa nasceu de uma parceria entre as Secretarias de Comunicação e da Saúde do Governo de São Paulo, com um objetivo claro: usar informação pública de qualidade e mobilização social para conter o avanço da febre amarela no território paulista e, simultaneamente, combater a desinformação que circulava entre a população. Não se tratava apenas de colocar cartazes nas ruas. A estratégia integrou ferramentas de comunicação de massa com orientação direta sobre áreas de risco e a importância de manter o esquema vacinal atualizado. O resultado foi imediato: a população respondeu, procurando os postos de saúde em números que reverteram cenários de baixa cobertura que ameaçavam a segurança sanitária do estado.

Os números falam por si. Nos meses de janeiro e fevereiro de 2025, São Paulo aplicou 371,1 mil doses contra a febre amarela, uma alta de 36,8% comparada ao mesmo período do ano anterior. Mas o pico veio em fevereiro, quando a intensidade das peças publicitárias e informativas atingiu seu auge. Naquele mês, o crescimento foi de 66,2%: o estado saltou de 116.381 doses aplicadas em fevereiro de 2024 para 193.395 em fevereiro de 2025. Esse salto de quase 77 mil doses em um único mês demonstra como a comunicação estratégica pode mobilizar uma população inteira em torno de um objetivo de saúde.

Mas São Paulo não parou na campanha de febre amarela. A comitiva estadual apresentou dois projetos adicionais que reforçam a visão de que comunicação, tecnologia e financiamento precisam caminhar juntos. O primeiro foi o projeto "Interoperabilidade de Dados Vacinais para a Rede Nacional de Dados em Saúde", que oferece suporte técnico aos municípios para otimizar o envio de registros de vacinação e qualificar o monitoramento oficial. O segundo foi o Incentivo à Gestão Municipal do SUS Paulista, um programa de apoio financeiro estadual que vincula repasses de verbas públicas ao cumprimento de metas prioritárias de saúde, incluindo índices de cobertura vacinal de rotina e campanhas emergenciais.

O que torna essa experiência relevante para o resto do país é sua abordagem integrada. Não é apenas comunicação, não é apenas dinheiro, não é apenas tecnologia. É a combinação dos três elementos funcionando em sinergia: informação pública qualificada que chega à população, sistemas de dados que permitem monitoramento preciso, e incentivos financeiros que garantem que os municípios tenham recursos para executar. Com três trabalhos selecionados para a mostra nacional, a gestão estadual paulista reforçou uma mensagem clara para gestores de saúde em todo o Brasil: políticas públicas de imunização eficazes exigem essa tríade de ação.

A iniciativa utilizou informação pública qualificada e mobilização social para conter o avanço da febre amarela e combater a desinformação
— Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que uma campanha de comunicação conseguiu aumentar vacinação em 66%? Não seria apenas uma questão de disponibilidade de vacinas?

Model

A disponibilidade é necessária, mas não é suficiente. O que a campanha fez foi transformar a vacinação de um ato isolado em uma mobilização coletiva. Quando as pessoas recebem informação clara sobre o risco, sobre onde ir, sobre por que é importante, o comportamento muda rapidamente.

Inventor

E como vocês mediram se a desinformação realmente diminuiu?

Model

Não foi medido diretamente nesse relato, mas o aumento de 66% em fevereiro, justamente quando a campanha atingiu seu pico, sugere que a informação qualificada deslocou o ruído. As pessoas estavam indo aos postos de saúde em números muito maiores.

Inventor

Os municípios menores conseguem replicar esse modelo?

Model

Esse é o ponto do Incentivo à Gestão Municipal. O estado reconheceu que não basta ter uma boa ideia em São Paulo. Precisa financiar os municípios para que eles tenham recursos de comunicação e estrutura de dados. Sem isso, a experiência fica isolada.

Inventor

E se a próxima doença emergente chegar? Esse sistema está pronto?

Model

A interoperabilidade de dados e o modelo de incentivos criam uma infraestrutura que pode ser acionada rapidamente. Não é perfeito, mas é muito mais ágil do que começar do zero. São Paulo criou um precedente que outros estados podem adaptar.

Inventor

Qual foi o maior desafio que a campanha enfrentou?

Model

O relato não detalha isso, mas é possível inferir: combater desinformação enquanto mobiliza população é sempre um equilíbrio delicado. Você precisa ser urgente sem ser alarmista, claro sem ser condescendente.

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