Fez-se justiça, estou muito feliz, muito agradecida
Salomé Afonso foi eliminada na semifinal após colisão provocada por outra atleta, mas conseguiu regressar à final através de recurso. A portuguesa tem a 12.ª melhor marca pessoal entre as 14 finalistas, com tempo de 3.59.32 minutos obtido este ano.
- Salomé Afonso foi eliminada na semifinal após colisão com a alemã Nele Wessel, provocada pela italiana Marta Zenoni
- Recurso da Federação Portuguesa foi bem-sucedido; final alargada a 14 atletas, marcada para terça-feira às 22h05 hora local
- Afonso tem a 12.ª melhor marca pessoal entre as finalistas, com tempo de 3.59.32 minutos obtido este ano
Atleta portuguesa Salomé Afonso foi repescada para a final dos 1.500 metros após recurso bem-sucedido de exclusão causada por queda em semifinal. Prova decisiva ocorre terça-feira no Japão.
No domingo, no Estádio Nacional do Japão, Salomé Afonso terminou a segunda semifinal dos 1.500 metros em décimo lugar — fora da zona de apuramento direto para a final. Mas a história não acabou ali. Por volta dos 750 metros, a atleta portuguesa colidiu com a alemã Nele Wessel, um embate provocado pela italiana Marta Zenoni. A queda foi frustrante, e naquele primeiro momento, após sair da pista, Afonso admitiu que a requalificação parecia improvável. "Tentei o possível, tentar a qualificação na mesma, pensando que pode ser possível uma requalificação, mas acho que vai ser muito difícil", disse ela, ainda sob o choque da eliminação.
O que aconteceu depois, porém, mudou tudo. A Federação Portuguesa de Atletismo apresentou um recurso contra a exclusão inicial. Wessel, que terminou em décimo primeiro lugar — atrás de Afonso — foi imediatamente repescada. A portuguesa, porém, teve de esperar pela decisão do recurso. Quando chegou, foi favorável. Afonso foi reintegrada na corrida decisiva, que agora conta com 14 atletas em vez do número original, marcada para terça-feira às 22h05 hora local, ou 14h05 em Lisboa.
A notícia da repescagem trouxe alívio e gratidão. "Fez-se justiça, estou muito feliz, muito agradecida e espero poder estar ao nível de toda a ajuda que recebi", afirmou a atleta do Benfica. O dia foi desgastante — não apenas pela prova em si, mas pela incerteza que se seguiu. "Estou sem palavras. Foi um dia muito desgastante, mas, graças a toda a gente, que foi incansável, nesta tentativa de me recolocar na final, de me repescar", reconheceu, com gratidão pelo trabalho de quem a apoiou durante aquelas horas de espera.
Afonso chega à final com credenciais sólidas. Vice-campeã europeia na distância em pista curta e bronze nos 3.000 metros em Apeldoorn 2025, ela possui a décima segunda melhor marca pessoal entre as finalistas. Seu tempo de 3.59.32 minutos, conseguido este ano, coloca-a em décimo lugar no ranking das apuradas. Não é uma posição de favoritismo, mas é respeitável. Depois de um 37.º lugar na sua estreia em Mundiais, em Budapeste 2023, esta é uma oportunidade de mostrar progresso. Ela também foi oitava nos Mundiais indoor de Nanjing 2025, demonstrando consistência.
Agora, a atleta lisboeta tem um objetivo claro: retribuir todo o apoio que recebeu durante este momento difícil. "Vou dar o meu melhor na final, espero deixar orgulhosos todos os que tanto me apoiaram neste momento difícil", vincou. A final acontece terça-feira à noite, hora de Tóquio. Para Afonso, é uma segunda chance — e ela sabe que não pode desperdiçá-la.
Citações Notáveis
Fez-se justiça, estou muito feliz, muito agradecida e espero poder estar ao nível de toda a ajuda que recebi— Salomé Afonso
Vou dar o meu melhor na final, espero deixar orgulhosos todos os que tanto me apoiaram neste momento difícil— Salomé Afonso
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Como é que uma atleta passa de eliminada para finalista em questão de horas?
Tudo dependeu do recurso da Federação Portuguesa. Havia uma colisão clara, provocada por outra atleta, que derrubou Salomé. Wessel, que terminou atrás dela, foi repescada imediatamente. Mas Salomé teve de esperar pela decisão do recurso — e quando chegou, foi favorável.
Qual era o estado emocional dela naquele primeiro momento, logo após a prova?
Muito baixo. Ela própria disse que achava que ia ser muito difícil conseguir a requalificação. Havia frustração, porque a queda não foi culpa dela, mas também havia realismo — nem sempre estas coisas correm bem.
E quando soube que tinha sido repescada?
Mudou completamente. Passou de "acho que vai ser muito difícil" para "fez-se justiça". Mas também havia cansaço — foi um dia desgastante, não apenas pela prova, mas pela incerteza.
Ela tem alguma chance real na final?
Tem a décima segunda melhor marca entre as 14 finalistas. Não é favorita, mas é uma atleta com experiência — vice-campeã europeia, bronze em pista curta. Não é uma presença decorativa.
O que a motiva agora?
Retribuir o apoio que recebeu. Ela disse isso explicitamente — quer deixar orgulhosos todos os que a apoiaram durante este momento difícil. É uma forma de transformar a frustração em responsabilidade.
Qual é o significado desta segunda chance?
É uma oportunidade de mostrar que o progresso que fez desde a sua estreia em Mundiais é real. Depois de um 37.º lugar em Budapeste, estar numa final já é um passo. Agora tem de o aproveitar.