O homem mais sortudo na Terra neste momento
Fogel cumpria pena de 14 anos após detenção com 17 gramas de marijuana medicinal no aeroporto de Moscovo em 2021. A Casa Branca confirmou troca entre EUA e Rússia, com outra libertação prevista para quarta-feira, sem revelar identidades.
- Marc Fogel, 63 anos, detido desde Agosto de 2021 com 17 gramas de marijuana medicinal no aeroporto de Moscovo
- Condenado a 14 anos de prisão por tráfico de droga; libertado em troca diplomática em Fevereiro de 2025
- Casa Branca confirmou outra libertação prevista para quarta-feira, sem revelar identidade
- Família descreveu período de detenção como 'o mais negro e doloroso' das suas vidas
Marc Fogel, professor americano preso na Rússia desde 2021 por tráfico de droga, foi libertado em troca diplomática. Trump elogiou Putin e sugeriu que o gesto pode abrir caminho para negociações sobre a guerra na Ucrânia.
Marc Fogel, um professor norte-americano de 63 anos, saiu da prisão russa na noite de terça-feira, 11 de Fevereiro, depois de mais de três anos detido. Estava preso desde Agosto de 2021, quando foi apanhado no aeroporto de Sheremetievo, em Moscovo, com 17 gramas de marijuana. A droga tinha sido receitada por um médico na Pensilvânia, onde o seu consumo para fins medicinais é legal, mas a Rússia condenou-o a 14 anos de cadeia por tráfico.
A libertação aconteceu como parte de uma troca entre Washington e Moscovo — um acordo cujos detalhes a Casa Branca mantém em sigilo. Na quarta-feira seguinte, Trump anunciou que outro prisioneiro detido na Rússia seria também libertado, embora sem revelar o seu nome. O Presidente norte-americano descreveu os termos do acordo como "muito justos" e apresentou Fogel na Sala Oval, onde o professor, envolvido na bandeira dos EUA, declarou sentir-se "o homem mais sortudo na Terra neste momento".
Trump aproveitou o momento para elogiar Vladimir Putin, descrevendo a libertação como uma "demonstração de boa-fé" do líder russo. O Presidente americano foi mais longe, sugerindo que este gesto poderia marcar "o início de uma relação" capaz de abrir caminho para negociações sobre o conflito na Ucrânia. Trump observou que Fogel tinha bom aspecto, afastando qualquer suspeita de maus tratos durante o período de encarceramento.
O Kremlin respondeu com cautela. Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, confirmou que um cidadão russo foi libertado em contrapartida, mas disse que a sua identidade só seria divulgada quando chegasse ao país. Peskov recusou o otimismo de Trump, descrevendo a troca não como um ponto de viragem, mas como um passo gradual para "aumentar a confiança mútua, que está hoje num ponto baixo".
A família de Fogel quebrou anos de silêncio com um comunicado onde descreveu o período de detenção como "o mais negro e doloroso" das suas vidas. Expressaram alívio e gratidão ao Governo norte-americano pela libertação, após mais de três anos de separação. O caso de Fogel tinha permanecido relativamente obscuro nas negociações diplomáticas — apenas em Dezembro de 2024 Washington o classificou como uma detenção irregular, e o seu nome nunca tinha sido incluído noutros processos de troca.
Este acordo insere-se num padrão de trocas entre os dois países que se intensificou nos últimos anos. Em Dezembro de 2022, a basquetebolista Brittney Griner, também detida por posse de estupefacientes, foi libertada numa troca por um comerciante de armas russo. Em 2024, os EUA e a Rússia protagonizaram a maior troca de prisioneiros desde o fim da Guerra Fria, com a libertação dos jornalistas Evan Gershkovich e Alsu Kurmasheva, e do fuzileiro veterano Paul Whelan. Na altura, a família de Fogel tinha criticado a Administração Biden por não o ter incluído nessa operação.
Agora, com Fogel de regresso aos EUA, a questão que paira é se este gesto marca realmente o início de um diálogo mais amplo entre Washington e Moscovo sobre a Ucrânia, como Trump sugere, ou se permanece, como o Kremlin implica, um passo isolado num terreno de confiança ainda muito frágil.
Citações Notáveis
Sinto-me o homem mais sortudo na Terra neste momento— Marc Fogel, na Sala Oval
Não se trata de um ponto de viragem, mas sim de um passo gradual para aumentar a confiança mútua— Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Porque é que este caso específico — um professor com marijuana medicinal — se tornou tão importante para Trump?
Porque oferecia uma vitória diplomática limpa. Fogel não era um espião, não era um soldado. Era um homem comum preso por um erro que muitos americanos consideram injusto. Libertá-lo permitia a Trump mostrar que conseguia negociar com Putin sem parecer fraco.
E porque é que o Kremlin foi tão cauteloso na resposta?
Porque não quer que isto pareça uma capitulação ou uma mudança de posição sobre a Ucrânia. Para Peskov, isto é apenas uma troca de rotina, não o início de algo maior. A confiança entre os dois países está destruída.
A família de Fogel criticou Biden por não o ter incluído na troca de 2024. Sentiram-se abandonados?
Absolutamente. Três anos é muito tempo. Viram outros prisioneiros serem libertados e perguntaram-se porque é que o seu pai, marido e filho não estava na lista. Agora estão aliviados, mas essa ferida não desaparece.
Trump acredita realmente que isto pode levar a negociações sobre a Ucrânia?
Talvez. Ou talvez esteja apenas a tentar criar narrativa de sucesso diplomático. O Kremlin deixou claro que não vê as coisas assim. Uma troca de prisioneiros é uma coisa; acabar com uma guerra é outra completamente diferente.
O que muda agora para Fogel?
Tudo. Ele volta a casa, vê a família, recupera a vida. Mas também se torna símbolo — de sucesso diplomático para Trump, de cautela para o Kremlin, de esperança para quem quer que seja libertado a seguir.