Quanto mais Moscou atacar civis, mais sanções devem ser impostas
Na madrugada de quarta-feira, Kiev foi varrida pelo maior bombardeio desde o início da invasão russa em 2022 — 74 mísseis e 496 drones que deixaram 17 mortos, dezenas de feridos e edifícios inteiros reduzidos a escombros. O Kremlin promete continuar aumentando a pressão; Zelensky pede aos aliados que não adiem decisões sobre defesa aérea. Mais de quatro anos após o início da guerra, a capital ucraniana tornou-se um alvo permanente, e as negociações de paz permanecem paralisadas enquanto cada lado promete escalar o conflito.
- O maior ataque aéreo contra Kiev desde 2022 destruiu edifícios residenciais inteiros e matou 17 pessoas, incluindo crianças e profissionais de saúde.
- Dezenas de milhares de moradores desceram às estações de metrô e porões carregando colchões, enquanto sirenes soavam ininterruptamente pela cidade.
- O Kremlin declarou abertamente que continuará 'aumentando a pressão' sobre a Ucrânia, ignorando ameaças de novas sanções europeias.
- Zelensky retornou de Dublin às pressas e fez um apelo urgente aos EUA por licença para produzir mísseis Patriot, enquanto seu ministro das Relações Exteriores exigiu que os aliados parassem de adiar decisões sobre defesa aérea.
- A União Europeia propôs novas sanções contra entidades que sustentam a indústria militar russa, mas as negociações de paz mediadas pelos EUA seguem completamente estagnadas.
A noite de quarta-feira transformou Kiev em um campo de destroços. Setenta e quatro mísseis e quase quinhentos drones russos atingiram a capital ucraniana no que o prefeito Vitali Klitschko descreveu como o maior bombardeio desde o início da invasão, em 2022. Dezessete pessoas morreram, pelo menos oitenta e seis ficaram feridas — entre elas crianças e cinco profissionais de saúde, um deles em estado crítico. Edifícios residenciais desabaram andar por andar. Uma base de ambulâncias foi destruída. Nas ruas, moradores carregavam colchões em direção aos abrigos subterrâneos enquanto as sirenes não paravam.
O chefe da administração militar de Kiev descreveu no Telegram o que via: áreas residenciais deliberadamente atacadas, civis mortos, um prédio de grande altura com o telhado em chamas, pessoas presas em um edifício de nove andares. A defesa antiaérea ucraniana interceptou a maior parte dos projéteis, mas vinte e cinco mísseis e doze drones conseguiram atingir trinta e três pontos da cidade.
Volodymyr Zelensky, que estava em Dublin quando soube do ataque iminente, retornou imediatamente a Kiev. Seu pedido foi direto: uma licença dos Estados Unidos para que a Ucrânia produza seus próprios mísseis Patriot. O ministro das Relações Exteriores reforçou o apelo, pedindo aos parceiros que não adiassem mais as decisões sobre defesa aérea. Em Bruxelas, a chefe da diplomacia europeia prometeu novas sanções contra quem sustenta o complexo militar russo, argumentando que apenas pressão crescente pode deter os ataques.
O Kremlin respondeu com frieza: Moscou continuará aumentando a pressão até alcançar seus objetivos. A narrativa russa insiste que os alvos eram militares e energéticos — uma resposta a ataques ucranianos em território russo. Mas o padrão se repete dos dois lados: drones ucranianos mataram dois civis em cidades russas na mesma noite. Kiev sofre ataques frequentes há mais de quatro anos. As negociações mediadas pelos EUA estão paralisadas. E cada noite, dezenas de milhares de pessoas descem aos abrigos esperando que as explosões terminem antes do amanhecer.
A noite de quarta-feira em Kiev foi marcada por explosões contínuas. Setenta e quatro mísseis balísticos e quatrocentos e noventa e seis drones russos varrem a capital ucraniana em um ataque que deixa dezessete mortos e pelo menos oitenta e seis feridos. Segundo o prefeito Vitali Klitschko, é o maior bombardeio desde que a invasão começou em 2022. Edifícios residenciais inteiros desabam. Andares desaparecem. Nas ruas, pessoas carregam colchões para os abrigos — porões, estacionamentos subterrâneos, estações de metrô onde dezenas de milhares se amontoam enquanto as sirenes tocam.
O Kremlin não hesita em responder. Dmitri Peskov, porta-voz do governo russo, declara que Moscou continuará "aumentando a pressão" sobre a Ucrânia para alcançar seus objetivos, independentemente das ameaças de novas sanções da União Europeia. A resposta é clara: não há recuo. Em Moscou, a narrativa é que os alvos eram instalações militares e infraestrutura energética, uma resposta aos ataques ucranianos contra civis russos. Mas em Kiev, o que se vê são prédios residenciais em chamas, uma base de ambulâncias destruída, cinco profissionais de saúde feridos, um deles em estado crítico.
Timur Tkatchenko, chefe da administração militar de Kiev, escreve no Telegram uma descrição crua: o inimigo atinge deliberadamente áreas residenciais e mata civis. Os danos são consideráveis. O número de feridos é elevado. Há crianças entre eles. Um edifício de grande altura tem o telhado em chamas. Pessoas ficam presas em um prédio de nove andares. A defesa antiaérea ucraniana intercepta a maior parte dos projéteis — um feito notável — mas vinte e cinco mísseis balísticos e doze drones conseguem atingir trinta e três locais na cidade.
Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, estava em Dublin quando recebeu informações sobre o ataque iminente. Ele retorna imediatamente a Kiev. Sua mensagem é urgente: a Ucrânia precisa de uma licença dos Estados Unidos para produzir mísseis Patriot. Não é um pedido abstrato. É uma solicitação específica, nascida dessa noite de horror. Andrii Sybiha, ministro das Relações Exteriores ucraniano, faz o mesmo apelo: não adiem as decisões sobre defesa aérea. Esta é a principal solicitação aos parceiros.
Em Bruxelas, Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia, responde com sua própria promessa. Ela afirma que apenas apoio militar duradouro e pressão crescente sobre Moscou podem pôr fim aos ataques. Ela propõe novas medidas contra entidades que apoiam o complexo militar-industrial russo. Sua lógica é simples: quanto mais Moscou atacar civis, mais sanções devem ser impostas. É uma escalada de respostas — cada lado prometendo aumentar a pressão.
Este não é um evento isolado. Em dois de junho, um ataque anterior com seiscentos e cinquenta e seis drones e setenta e três mísseis deixou vinte e três mortos. Kiev sofre ataques aéreos frequentes há mais de quatro anos. A capital se tornou um alvo permanente. Mas há também ataques ucranianos. Na noite de quarta para quinta-feira, drones ucranianos matam dois civis em território russo — um em Belgorod, na fronteira, outro em Nijni Novgorod, quatrocentos quilômetros a leste de Moscou. Em junho, outro ataque ucraniano atinge uma refinaria perto de Moscou, provocando explosões e incêndios de grandes proporções.
As negociações mediadas pelos Estados Unidos para encerrar a guerra permanecem estagnadas. Enquanto isso, Kiev intensificou seus ataques contra a Rússia e territórios ocupados. O padrão é claro: cada lado promete manter a pressão, cada lado ataca civis, cada lado culpa o outro por violar as normas da guerra. E cada noite, dezenas de milhares de pessoas em Kiev descem aos abrigos, carregando o que conseguem carregar, esperando que as explosões terminem antes do amanhecer.
Citações Notáveis
Rússia continuará aumentando a pressão sobre a Ucrânia para alcançar os objetivos que estabeleceu— Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin
Não adiem as decisões sobre a defesa aérea da Ucrânia. Esta é a nossa principal solicitação aos parceiros após uma noite de horror em Kiev— Andrii Sybiha, ministro das Relações Exteriores da Ucrânia
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que esse ataque em particular importa? Não há ataques em Kiev quase toda semana?
Há, sim. Mas este foi o maior desde 2022. Setenta e quatro mísseis balísticos é um número que muda a escala. Edifícios inteiros desaparecem. Não é mais abstrato.
E a resposta do Kremlin — essa promessa de "manter a pressão" — é apenas retórica, ou significa algo concreto?
Significa que não há negociação em vista. Peskov está dizendo publicamente que vão intensificar, não recuar. É uma declaração de intenção.
Zelensky pedindo licença para produzir Patriot — isso é viável? Os EUA vão conceder?
Ninguém sabe. Mas o fato de ele pedir depois de uma noite como essa mostra o desespero. Ele precisa de defesa aérea urgente, não promessas.
A União Europeia ameaça sanções. Moscou já não está sob sanções pesadas?
Está. Mas Kallas está dizendo que vão além — sanções contra empresas que alimentam a indústria militar russa. É tentar apertar ainda mais um parafuso já apertado.
E os civis? Dezenas de milhares em abrigos — como é viver assim?
É viver em suspensão. Você dorme em um porão. Você carrega um colchão para o abrigo. Você espera que as explosões terminem. Depois você sai e vê o que sobrou da sua rua.
Isso vai terminar em breve?
As negociações estão estagnadas. Cada lado promete aumentar a pressão. Não há sinais de que alguém está pronto para ceder.