A Rússia continua matando civis deliberadamente
Na madrugada de 18 de agosto de 2025, enquanto o mundo aguardava um encontro decisivo entre Donald Trump e Volodmir Zelenski na Casa Branca, a Rússia lançou novos ataques aéreos sobre cidades ucranianas, matando quatro pessoas — entre elas uma criança. O gesto não era apenas militar: era uma mensagem enviada às vésperas de negociações em que Trump já sinalizara apoio às condições russas de paz, incluindo cessões territoriais que Kiev reluta em aceitar. A guerra, que consome vidas há mais de três anos, encontra-se agora num cruzamento onde a diplomacia e a violência falam ao mesmo tempo.
- Aviões russos atacaram regiões de Sumi, Odessa e Kharkiv horas antes da reunião Trump-Zelenski, matando quatro civis — incluindo uma criança e um adolescente de 15 anos.
- Trump chegou ao encontro já tendo descartado a recuperação da Crimeia e a adesão da Ucrânia à OTAN, após abraçar publicamente a proposta de paz russa numa reunião com Putin no Alasca.
- Uma centelha de esperança surgiu quando Trump sinalizou, por telefone, que os EUA poderiam participar de garantias de segurança para a Ucrânia — uma mudança relevante em relação à posição anterior.
- Líderes europeus — Merz, Macron, Starmer, Meloni, Rutte e Von der Leyen — planejaram comparecer à Casa Branca ao lado de Zelenski para evitar ser excluídos das negociações.
- No campo de batalha, tropas russas avançaram cerca de 16 quilômetros no Donbass, negociando de uma posição de força enquanto Kiev enfrenta dificuldades crescentes de recrutamento.
A madrugada de segunda-feira, 18 de agosto, chegou com bombas. Aviões russos atacaram prédios residenciais nas regiões de Sumi, Odessa e Kharkiv, matando quatro pessoas — entre elas uma criança e um adolescente de 15 anos — e ferindo outras 29. O chefe de gabinete da presidência ucraniana, Andriyi Yermak, denunciou o ataque no Telegram com imagens de um edifício em chamas em Kharkiv: "A Rússia continua matando civis deliberadamente."
O timing era deliberado. Poucas horas depois, Zelenski se encontraria com Donald Trump na Casa Branca para discutir o fim da guerra. Mas Trump já havia revelado suas cartas: descartou a recuperação da Crimeia e a entrada da Ucrânia na OTAN, e apoiou publicamente a proposta russa de paz, que exigiria que Kiev cedesse vastas porções de seu território — inclusive áreas do Donbass ainda não ocupadas.
Essa postura americana tomou forma numa reunião realizada três dias antes, numa base militar no Alasca, onde Trump recebeu Putin com cordialidade e adotou integralmente sua abordagem. A cena contrastava com março, quando Trump havia repreendido Zelenski na Casa Branca. Ainda assim, um sinal positivo emergiu: por telefone no sábado, Trump transmitiu a Zelenski uma proposta de incluir garantias de segurança ocidentais num eventual acordo — com participação americana, algo que antes havia recusado.
A Europa observava com desconfiança. Temendo ser excluída das negociações, uma delegação de peso — Merz, Macron, Starmer, Meloni, Rutte e Von der Leyen — confirmou presença ao lado de Zelenski na Casa Branca. No front, a situação era sombria: tropas russas avançaram 16 quilômetros no Donbass, enquanto Moscou concentrava forças para novas ofensivas. Desde o início da invasão, cerca de 230 mil soldados russos morreram — mas a Rússia, com uma população quatro vezes maior, conseguiu reconstruir e expandir seu exército. A Ucrânia, por sua vez, lutava para recrutar. A guerra seguia matando enquanto os diplomatas falavam de paz.
A madrugada de segunda-feira, 18 de agosto, trouxe mais morte à Ucrânia. Aviões russos atacaram cidades nas regiões de Sumi, Odessa e Kharkiv, destruindo prédios residenciais e deixando quatro pessoas mortas — entre elas uma criança e um adolescente de 15 anos. Outras 29 pessoas ficaram feridas. O timing não era acidental. Poucas horas depois, o presidente ucraniano Volodmir Zelenski se encontraria com Donald Trump na Casa Branca para discutir o fim da guerra que a Rússia iniciou em 2022.
Andriyi Yermak, chefe de gabinete da presidência ucraniana, denunciou o ataque em uma publicação no Telegram acompanhada de imagens de um prédio em chamas em Kharkiv. "A Rússia continua matando civis deliberadamente", escreveu. O ataque ilustrava uma realidade que pairava sobre as negociações que estavam prestes a começar: enquanto diplomatas falavam de paz, a guerra continuava matando.
Trump já havia sinalizado suas posições antes mesmo de Zelenski chegar aos Estados Unidos. O presidente americano descartou a possibilidade de a Ucrânia recuperar a Crimeia, ocupada pela Rússia desde 2014, ou ingressar na OTAN. Mais ainda: Trump havia apoiado publicamente a proposta de paz russa, que exigiria que Kiev cedesse grande parte de seu território. A reunião na Casa Branca seria de alto risco para os ucranianos.
O contexto dessa postura americana vinha de uma reunião realizada na sexta-feira anterior, 15 de agosto, em uma base militar no Alasca. Trump havia se encontrado com Vladimir Putin e, segundo relatos, adotou integralmente a abordagem do líder russo. Trump abandonou sua exigência anterior de um cessar-fogo imediato e passou a apoiar um tratado de paz rápido que exigiria que a Ucrânia cedesse a região de Donbass à Rússia — inclusive áreas ainda não ocupadas por tropas russas. Putin ofereceu um cessar-fogo baseado nas linhas de batalha atuais e uma promessa escrita de não atacar a Ucrânia ou países europeus novamente, embora tenha quebrado promessas similares no passado.
Na reunião do Alasca, Trump estendeu um tapete vermelho ao presidente russo, que está sob sanções americanas e enfrenta um mandado de prisão internacional por acusações de crimes de guerra. Os dois riram e conversaram calorosamente. A cena contrastava dramaticamente com a postura que Trump havia adotado em março, quando repreendeu Zelenski na Casa Branca, acusando-o de não ser suficientemente grato pelo apoio americano e tentando forçá-lo a aceitar um acordo de paz nos termos ditados pelos EUA.
Diante desse cenário desfavorável, autoridades ucranianas encontraram um vislumbre de esperança. Trump havia transmitido a Zelenski, por telefone no sábado, 16 de agosto, uma proposta de incluir garantias de segurança para a Ucrânia em um potencial acordo de paz. Essas garantias convocariam parceiros ocidentais para defender Kiev contra futuros ataques russos. Fundamentalmente, Trump indicou que os Estados Unidos estavam prontos a participar dessas garantias — uma mudança em relação à sua posição anterior de deixar a segurança ucraniana exclusivamente para a Europa.
A reação europeia foi fria. Líderes do continente viram Trump repetidamente mudar de posição sobre a Ucrânia após conversar com Putin, e temiam ser excluídos das negociações. Mas também acreditavam que o pior ainda não havia acontecido: Trump não havia limitado a ajuda europeia a Kiev, nem havia concordado formalmente em entregar partes da Ucrânia à Rússia — pelo menos não ainda. Para evitar serem deixados de fora, líderes europeus planejavam acompanhar Zelenski à Casa Branca. O chanceler alemão Friedrich Merz, o presidente francês Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, o secretário-geral da OTAN Mark Rutte e a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen todos confirmaram presença.
No campo de batalha, a Rússia negociava de uma posição de força. Nos últimos dias, tropas russas haviam rompido uma seção das defesas ucranianas na região oriental de Donbass, avançando cerca de 16 quilômetros e ameaçando flanquear posições ucranianas. Moscou havia concentrado forças e equipamentos para novas operações ofensivas. O preço dessa guerra havia sido brutal: aproximadamente 230 mil soldados russos morreram desde o início da invasão, segundo estimativas baseadas em obituários coletados pelo Mediazona e pela BBC News Russian. As perdas ucranianas eram estimadas em menos da metade desse número. Mas a Rússia conseguiu reconstruir e até expandir suas forças, aproveitando uma população quatro vezes maior que a da Ucrânia. Kiev, por sua vez, lutava para reabastecer seu exército por meio do recrutamento.
Notable Quotes
A Rússia continua matando civis deliberadamente— Andriyi Yermak, chefe de gabinete da presidência da Ucrânia
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Trump mudou tão radicalmente sua posição sobre a Ucrânia em apenas alguns meses?
A reunião no Alasca com Putin parece ter sido decisiva. Trump adotou integralmente a abordagem russa — cessar-fogo nas linhas atuais, cessão territorial ucraniana. É como se tivesse passado para o lado de Putin.
E Zelenski? Como ele reage a isso?
Com esperança cautelosa. Ele viu Trump oferecer garantias de segurança ocidentais, o que é algo. Mas sabe que está em uma reunião onde o presidente americano já descartou Crimeia e a OTAN. É negociar de uma posição muito fraca.
Os europeus parecem preocupados em serem excluídos.
Exatamente. Eles não têm uma estratégia própria para a guerra. Passaram meses tentando acompanhar as mudanças de posição de Trump, protegendo linhas vermelhas. Agora veem a possibilidade de serem deixados de fora das negociações finais.
E o timing desse ataque russo na madrugada?
Não é coincidência. Enquanto diplomatas falam de paz, a Rússia continua matando civis. É uma mensagem: Moscou não está sob pressão, está em posição de força. Pode se dar ao luxo de atacar enquanto negocia.
Qual é o risco real para a Ucrânia nessa reunião?
Que Trump aceite a proposta russa de um tratado rápido que exija cessão territorial. Ele já sinalizou isso. Os europeus e Zelenski tentarão mantê-lo dentro de certas linhas vermelhas, mas Trump já mostrou que muda de ideia quando fala com Putin.