Resta um buraco onde antes chegaram a morar 116 mil palestinos
No vigésimo quinto dia de guerra entre Israel e o Hamas, seis ataques aéreos israelenses destruíram edifícios no campo de refugiados de Jabaliya, em Gaza, matando pelo menos 47 palestinos e ferindo mais de 150 em busca de um comandante do grupo militante. A escala da destruição — num campo de 1,4 quilômetros quadrados com mais de 116 mil pessoas registradas — reacende uma das perguntas mais antigas e dolorosas da guerra moderna: até onde vai a licença de matar quando o inimigo se esconde entre os inocentes? Enquanto mais de um milhão de civis deslocados descobrem que o sul prometido também é alvo de bombas, o silêncio das comunicações cortadas em Gaza ecoa como metáfora de um povo apartado do mundo e de sua própria história.
- Seis ataques aéreos israelenses colapsaram edifícios inteiros no campo de Jabaliya, soterando centenas de civis palestinos que não tinham para onde fugir.
- O número oficial de 47 mortos nas primeiras horas é apenas uma fração — os escombros guardam um total que talvez nunca seja conhecido.
- Israel justificou o bombardeio pela presença do comandante do Hamas Ibrahim Biari, mas porta-vozes do grupo afirmaram que ele sequer estava no local.
- Mais de um milhão de palestinos que obedeceram ao pedido israelense de ir para o sul continuam sendo bombardeados, revelando que nenhuma zona é segura.
- Os serviços de internet e telecomunicações foram cortados novamente em Gaza, isolando dois milhões de pessoas do mundo exterior pela segunda vez em dias.
- Famílias inteiras de jornalistas foram eliminadas nos ataques, e organizações de imprensa denunciam um padrão que ameaça tanto vidas quanto o registro da verdade.
Benjamin Netanyahu havia deixado claro: pedir trégua era, para ele, pedir rendição ao Hamas. No vigésimo quinto dia de guerra, as forças israelenses perseguiam Ibrahim Biari, comandante ligado ao ataque de 7 de outubro, e o caminho passava pelo campo de refugiados de Jabaliya — 1,4 quilômetros quadrados onde viviam mais de 116 mil pessoas registradas. Seis ataques aéreos foram lançados. Os edifícios desabaram. Pelo menos 47 corpos foram contados nas primeiras horas, e mais de 150 pessoas ficaram feridas. O número real de mortos soterrados nos escombros permanece desconhecido.
Quando a CNN perguntou ao tenente-coronel Richard Hecht se os militares sabiam que havia civis no local, ele respondeu que era a tragédia da guerra — e lembrou que Israel havia pedido aos civis que se deslocassem para o sul. Mais de um milhão de palestinos atenderam ao apelo. Mas no sul também eram bombardeados, e a retirada abriu caminho para o avanço israelense pelo norte. A questão jurídica era inevitável: o direito internacional humanitário proíbe ataques nos quais o dano civil seja desproporcional ao ganho militar. No caso de Jabaliya, o ganho seria a morte de um comandante que, segundo o próprio Hamas, nem estava lá.
A Al Jazeera relatou que o ataque eliminou 19 membros da família de um de seus engenheiros de vídeo. Uma semana antes, a mulher, o filho, a filha e o neto do chefe da sucursal da emissora em Gaza haviam morrido em outro ataque israelense. A emissora classificou o ocorrido como crime hediondo. E enquanto o luto se acumulava, os serviços de internet e telecomunicações foram cortados novamente em Gaza — o segundo apagão em dias, deixando dois milhões de pessoas sem voz diante do mundo.
Benjamin Netanyahu tinha deixado claro sua posição dias antes. O primeiro-ministro israelense, no cargo há mais de 16 anos, discursava para câmeras e microfones: a guerra era o momento, não a paz. Pedir trégua, dizia ele, era pedir rendição ao Hamas, ao terrorismo, à barbárie. Isso não aconteceria.
No dia 25 da guerra entre Israel e o Hamas, as tropas israelenses perseguiam Ibrahim Biari, um comandante importante do grupo ligado ao ataque de 7 de outubro. No caminho estava o campo de refugiados de Jabaliya, em Gaza, onde viviam centenas de palestinos. Seis ataques aéreos foram lançados. Os edifícios desabaram. Pelo menos 47 corpos foram contados nas primeiras horas após o bombardeio. Nunca se saberá o número exato de mortos soterrados nos escombros. Mais de 150 pessoas ficaram feridas.
Quando questionado pela CNN sobre se os militares israelenses sabiam que havia civis no local, o tenente-coronel Richard Hecht respondeu que era a tragédia da guerra. Há dias, disse ele, pediam aos civis não envolvidos com o Hamas que se deslocassem para o sul. Mais de um milhão de palestinos civis ouviram esse apelo e se mudaram. Mas no sul também eram alvo de bombardeios. E a retirada para o sul abriu caminho para a invasão israelense pelo norte, que avançava hora após hora.
O campo de Jabaliya ocupava 1,4 quilômetros quadrados e tinha mais de 116 mil pessoas registradas. A escala da destruição levantava uma questão jurídica fundamental: o número de civis mortos e feridos era proporcional aos objetivos militares declarados? O direito internacional humanitário proíbe ataques nos quais o dano a civis e propriedades civis seja desproporcional ao ganho militar esperado. No caso de Jabaliya, o ganho seria a morte de um comandante do Hamas que, segundo porta-voz do grupo, nem estava lá.
A Al Jazeera noticiou que o ataque matou 19 membros da família de Mohamed Abu Al-Qumsan, um de seus engenheiros de vídeo: o pai, duas irmãs, um irmão, duas cunhadas, um tio e 12 sobrinhos e sobrinhas. Uma semana antes, no campo de refugiados de Nuseirat, no centro de Gaza, a mulher, o filho, a filha e o neto do chefe da sucursal da Al Jazeera em Gaza foram mortos em outro ataque israelense. A emissora chamou de crime hediondo.
Os serviços de internet e comunicação foram cortados novamente na Faixa de Gaza, segundo comunicado do Paltel, principal provedor de telecomunicações do enclave, postado em suas redes sociais na quarta-feira de manhã. Não era a primeira vez. Na noite de sexta-feira, quando Israel iniciou sua invasão terrestre, a conectividade havia sido cortada por 34 horas, deixando os dois milhões de habitantes de Gaza incapazes de se comunicar com o mundo exterior e entre si. Agora, novamente, o silêncio.
Citas Notables
Pedir por um cessar fogo é pedir que Israel se renda ao Hamas, ao terrorismo, à barbárie. Isso não vai acontecer.— Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel
Esta é a tragédia da guerra. Venho dizendo há dias: movam-se para o sul, civis que não estão envolvidos com o Hamas, por favor, movam-se para o sul.— Tenente-coronel Richard Hecht, militar israelense
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Como se justifica um bombardeio que mata dezenas de civis para atingir um alvo que nem estava lá?
Segundo os militares israelenses, era a tragédia inevitável da guerra. Mas o direito internacional humanitário tem uma resposta diferente: há um limite para quanto dano civil é aceitável em troca de um ganho militar.
E esse limite foi respeitado em Jabaliya?
Não parece. Um comandante ausente não justifica a destruição de um campo inteiro onde viviam mais de 116 mil pessoas. É exatamente o tipo de desproporcionalidade que as leis de guerra tentam proibir.
Por que os civis foram para o sul se continuaram sendo bombardeados?
Porque Israel pediu que saíssem do norte para facilitar a invasão. Mas o sul também é zona de guerra. Não havia refúgio real, apenas reposicionamento de uma população sob fogo.
O que significa o corte de internet nesse contexto?
Significa isolamento total. Sem comunicação, ninguém de fora sabe o que está acontecendo. As famílias não conseguem se encontrar. É uma forma de apagar a guerra da visão do mundo.
Como jornalistas como os da Al Jazeera continuam trabalhando?
Muitos não conseguem. Perdem famílias inteiras e precisam decidir se continuam documentando ou se tentam sobreviver. É uma escolha impossível.