É possível ser uma marca portuguesa no mundo
Junto à nascente do rio Almonda, em Torres Novas, uma fábrica de papel com mais de oito décadas de história deu um passo simbólico e concreto na transição energética portuguesa: a Renova substituiu o gás natural por biomassa e reduziu as suas emissões de carbono em mais de metade. O investimento de onze milhões de euros, parcialmente apoiado por fundos públicos do PRR, não foi apenas um gesto ambiental — foi uma afirmação de que a sustentabilidade e a competitividade industrial podem caminhar juntas. Neste projeto, a política energética encontrou a política industrial, e uma empresa portuguesa com presença em mais de 70 países encontrou uma forma de se modernizar sem abdicar das suas raízes.
- A pressão para descarbonizar a indústria transformadora portuguesa chegou à fábrica da Renova em Zibreira com uma urgência concreta: reduzir emissões ou perder competitividade nos mercados internacionais.
- A substituição do gás natural por resíduos de biomassa na produção de vapor representou uma rutura tecnológica no coração dos processos industriais da empresa.
- O projeto superou as próprias metas — a redução prevista era de 43%, mas o resultado alcançado foi de 50,6%, equivalente a mais de 54 mil toneladas de CO2 por ano.
- Sete medidas de eficiência energética foram implementadas em simultâneo, incluindo a primeira unidade de secagem elétrica de papel da empresa e sistemas reforçados de recuperação de calor residual.
- O Estado esteve presente na inauguração para sublinhar que o investimento público no PRR não é um fim em si mesmo, mas um catalisador da modernização industrial nacional.
- A Renova posiciona-se agora como prova viva de que uma marca portuguesa pode competir globalmente sem sacrificar a coerência ambiental dos seus produtos.
A Renova abriu as portas da sua fábrica em Torres Novas para mostrar o que onze milhões de euros e uma aposta na energia renovável conseguem transformar. A empresa, que fabrica papel desde 1939 junto à nascente do rio Almonda, inaugurou o projeto Descarbonizar@Renova, que reduziu as emissões de CO2 da sua unidade industrial em 50,6% — superando a meta inicial de 43%.
No centro do investimento está uma central de biomassa que substituiu o gás natural na produção de vapor. O projeto foi apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência com 5,8 milhões de euros, mas a Renova comprometeu recursos próprios para atingir os 11 milhões totais. Além da central de biomassa, foram implementadas outras seis medidas de eficiência energética, incluindo a primeira unidade de secagem elétrica de papel da empresa e sistemas de recuperação de calor residual.
Paulo Pereira da Silva, presidente do Conselho de Administração, sublinhou que a empresa não apenas reduziu emissões como ganhou competitividade. Recordou que nos últimos doze anos a Renova investiu mais de 150 milhões de euros na unidade de Zibreira, num ciclo contínuo de modernização que este projeto vem reforçar.
O secretário de Estado da Energia, Jean Barroca, presente na cerimónia, defendeu que a descarbonização é um fator real de competitividade — visível nas decisões de investimento das empresas e na modernização das suas unidades produtivas. A Renova, com 650 trabalhadores e presença em mais de 70 países, faturou 248 milhões de euros em 2023, com 60% proveniente de mercados internacionais. Para os seus responsáveis, este projeto é mais uma demonstração de que ser uma marca portuguesa no mundo e ser uma marca sustentável não são objetivos contraditórios.
A Renova abriu as portas da sua fábrica em Torres Novas na segunda-feira para mostrar ao mundo aquilo que onze milhões de euros e uma aposta clara na energia renovável conseguem fazer. A empresa, que fabrica papel desde 1939 junto à nascente do rio Almonda, inaugurou um projeto de descarbonização que reduziu as emissões de dióxido de carbono da sua unidade industrial em 50,6% — um resultado que superou até as expectativas iniciais.
No coração deste investimento está uma central de biomassa. Onde antes a fábrica queimava gás natural para produzir o vapor necessário aos seus processos, agora queima resíduos de biomassa, uma fonte de energia renovável que corta pela metade o consumo de gás natural. O projeto, batizado Descarbonizar@Renova, foi apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência com 5,8 milhões de euros, mas a Renova colocou mais dinheiro seu na mesa — um total de 11 milhões para transformar a fábrica de Zibreira, no concelho de Torres Novas, no distrito de Santarém.
Paulo Pereira da Silva, presidente do Conselho de Administração da Renova, não escondeu a satisfação durante a cerimónia de inauguração. Descreveu o projeto como um passo gigantesco na transição energética e sublinhou que a empresa conseguiu não apenas reduzir emissões, mas também ganhar competitividade. A poupança de energia, a redução da pegada de carbono e a coerência que isto traz aos produtos da marca — tudo isto, disse, acompanha a estratégia de inovação da empresa. Pereira da Silva lembrou ainda que este investimento é apenas mais uma etapa de um ciclo contínuo de modernização. Nos últimos doze anos, a Renova investiu mais de 150 milhões de euros na unidade de Zibreira, expandindo capacidade produtiva, melhorando logística, automatizando processos e reforçando eficiência energética.
O projeto inicial previa uma redução de 43% das emissões, o que equivaleria a cerca de 54 mil toneladas de dióxido de carbono por ano. Filipe Almeida, diretor do projeto, explicou que a empresa conseguiu ultrapassar este objetivo. A central de biomassa foi apenas uma das sete medidas de eficiência energética implementadas. A Renova instalou também a sua primeira unidade de secagem elétrica de papel, reforçou sistemas de recuperação de calor residual e aumentou a monitorização ambiental dos processos industriais — tudo contribuindo para a meta de neutralidade carbónica.
A cerimónia contou com a presença de Jean Barroca, secretário de Estado da Energia, que viu no projeto um bom exemplo da ligação entre política energética e política industrial. Barroca defendeu que a descarbonização não deve ser encarada como uma ideia abstrata, mas como um fator real de competitividade. Ganhou forma, disse, nas decisões de investimento das empresas, na modernização das unidades produtivas e na redução de consumos. O governante sublinhou também como o investimento público pode potenciar a modernização da indústria nacional, criando valor e tornando a economia mais competitiva.
A Renova emprega 650 trabalhadores e está presente em mais de 70 países. Em 2023, fechou com uma faturação de 248 milhões de euros, 60% da qual proveniente dos mercados internacionais. A empresa compete com grandes multinacionais globais e regista cerca de dez milhões de atos de compra mensais em todo o mundo. Para Pereira da Silva, é possível ser uma marca portuguesa no mundo — e este projeto de descarbonização é mais uma prova de que a competitividade não se opõe à sustentabilidade, mas caminha lado a lado com ela.
Citações Notáveis
Com este projeto demos um passo gigantesco na transição energética e na descarbonização— Paulo Pereira da Silva, presidente do Conselho de Administração da Renova
A descarbonização industrial não pode ser uma ideia abstrata. Ganha forma nas decisões de investimento das empresas, na modernização das unidades produtivas e na redução de consumos— Jean Barroca, secretário de Estado da Energia
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
O que torna este projeto diferente de outros investimentos em energia renovável que vemos por aí?
A Renova não apenas instalou uma central de biomassa. Fez sete coisas em simultâneo — secagem elétrica, recuperação de calor, monitorização. Ultrapassou a meta que tinha prometido. Isso não é marketing; é execução.
Mas por que é que uma empresa de papel em Torres Novas deveria importar-se com isto?
Porque a Renova compete com multinacionais em 70 países. Se não descarbonizar, perde clientes. A sustentabilidade tornou-se um critério de compra. Este projeto custa dinheiro agora, mas economiza energia todos os dias.
O PRR pagou metade. A empresa pagou a outra metade. Isso é um risco?
É um aposto. A empresa investiu 150 milhões em Zibreira nos últimos doze anos. Conhece o sítio, conhece o negócio. Sabe que a eficiência energética traz retorno.
E se o preço do gás natural cair drasticamente?
Mesmo assim, a biomassa é mais barata a longo prazo. E há algo mais: a empresa reduz a dependência de um combustível fóssil. Isso é segurança estratégica.
O secretário de Estado disse que isto é um exemplo. Exemplo para quem?
Para outras indústrias que ainda pensam que descarbonização é um custo puro. A Renova mostrou que é um investimento que melhora competitividade.