Ratinho se defende de acusações de transfobia: "Crítica política, não preconceito"

Mulheres trans e cisgênero foram alvo de comentários discriminatórios que questionam identidade e capacidade de representação política, gerando danos morais coletivos segundo a deputada.
Crítica política não é preconceito. É jornalismo.
Ratinho se defende após comentários sobre Erika Hilton, argumentando que questionar capacidade para cargo é direito legítimo.

Ratinho afirmou que suas críticas à eleição de Erika Hilton para presidência da Comissão da Mulher são jornalismo, não preconceito, questionando capacidade de mulher trans representar pautas femininas. Erika Hilton respondeu nas redes sociais descartando críticas de 'transfóbicos' e reafirmando sua identidade como mulher, enquanto acionava Ministério Público Federal para investigação.

  • Ratinho questionou se Erika Hilton, mulher trans, deveria presidir Comissão da Mulher da Câmara
  • Erika Hilton acionou Ministério Público Federal pedindo ação civil pública e indenização por danos morais coletivos
  • SBT divulgou nota repudiando discriminação e afirmando estar analisando declarações internamente

Apresentador Ratinho nega transfobia após comentários sobre deputada trans Erika Hilton, classificando como crítica política. Hilton acionou Ministério Público pedindo indenização por danos morais coletivos.

Na terça-feira à noite, durante seu programa no SBT, o apresentador Ratinho fez uma série de comentários sobre a deputada federal Erika Hilton logo após ela ser eleita para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Os comentários questionavam se uma mulher trans poderia ocupar esse cargo e incluíam afirmações sobre o que, na visão dele, definiria uma mulher — menstruação, útero, entre outros marcadores biológicos.

Ratinho disse na ocasião que não tinha nada contra pessoas trans, mas que achava que "deveria deixar uma mulher" no cargo. Depois, em tom mais reflexivo, perguntou se Erika Hilton realmente entendia dos problemas e desafios de quem nasceu mulher, comparando a situação hipotética de uma mulher trans defendendo pautas masculinas. "Está certo, vamos nos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar", concluiu.

Após a repercussão negativa, Ratinho se pronunciou em defesa própria. Afirmou que suas falas fazem parte de crítica política legítima e negou qualquer intenção discriminatória. "Defendo a população trans. Mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política não é preconceito. É jornalismo. E não vou ficar em silêncio", declarou. Para ele, havia uma diferença fundamental entre questionar a capacidade de alguém para um cargo e fazer preconceito contra sua identidade.

Erika Hilton respondeu nas redes sociais com tom contundente. Descartou as críticas como vindas do "esgoto da sociedade" e afirmou que a opinião de "transfóbicos e imbecis" era a última coisa que lhe importava. Reafirmou sua identidade como mulher e destacou que sua eleição para a presidência da comissão era resultado de sua própria luta e história. "Podem espernear. Podem latir", escreveu, em referência ao sobrenome do apresentador.

Mas Hilton não parou em palavras. Acionou o Ministério Público Federal para investigar o caso e pediu a abertura de uma ação civil pública com pedido de indenização por danos morais coletivos. Segundo ela, os comentários de Ratinho não atingiam apenas mulheres trans, mas também mulheres cisgênero que não menstruam mais ou nunca menstruaram. Prometeu levar o caso adiante e afirmou que "Ratinho e o SBT pagarão por seus atos".

O SBT, por sua vez, divulgou uma nota oficial repudiando qualquer tipo de discriminação e preconceito. A emissora afirmou que as declarações de Ratinho não representam sua posição institucional e que estão sendo analisadas internamente pela direção. A empresa reafirmou seus princípios e valores, dizendo que espera que todos os colaboradores os respeitem.

O caso agora segue em duas frentes: a investigação do Ministério Público Federal e a análise interna do SBT sobre as consequências para o apresentador. Erika Hilton deixou claro que não se trata apenas de uma disputa pessoal, mas de uma questão que afeta mulheres trans e cisgênero de forma mais ampla. A deputada encerrou sua resposta com uma afirmação simples e direta: "Eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato."

Defendo a população trans. Mas defendo também o direito de questionar quem governa. Crítica política não é preconceito. É jornalismo.
— Ratinho
Não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbecis é a última coisa que me importa.
— Erika Hilton
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

O que exatamente Ratinho disse que gerou tanta reação?

Model

Ele questionou se uma mulher trans deveria presidir a Comissão da Mulher, usando argumentos sobre características biológicas — menstruação, útero — como definidoras de mulher. Disse que respeitava pessoas trans, mas que achava que "deveria deixar uma mulher" no cargo.

Inventor

E ele vê isso como preconceito ou como crítica legítima?

Model

Para Ratinho, é crítica política pura. Ele insiste que questionar a capacidade de alguém para um cargo é jornalismo, não transfobia. Mas essa distinção é exatamente o que está em disputa.

Inventor

Como Erika Hilton respondeu?

Model

Com força. Descartou as críticas como vindas de "transfóbicos e imbecis" e reafirmou sua identidade como mulher. Mas não parou em palavras — acionou o Ministério Público e pediu indenização por danos morais coletivos.

Inventor

Por que ela pediu danos morais coletivos e não apenas pessoais?

Model

Porque argumenta que os comentários não atingem apenas ela, mas todas as mulheres trans e também mulheres cisgênero que não menstruam ou nunca menstruaram. É uma questão maior que uma disputa pessoal.

Inventor

E o SBT, como se posicionou?

Model

Rapidamente se distanciou. Divulgou nota repudiando discriminação e preconceito, afirmou que as declarações não representam a emissora e disse que está analisando internamente. Basicamente, deixou Ratinho em posição delicada.

Inventor

Qual é o ponto de fundo aqui?

Model

Se crítica política a uma escolha profissional pode ser separada de questionamentos sobre identidade de gênero. Ou se, quando você questiona se alguém é "realmente" mulher, você já está fazendo preconceito, não importa como chame.

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