A democracia pertence a todos. A palavra mais poderosa é 'Nós'.
Quase uma década após deixarem a Casa Branca, Barack e Michelle Obama inauguram em Chicago um centro presidencial que é, ao mesmo tempo, museu, biblioteca digitalizada e espaço comunitário vivo. Com 850 milhões de dólares investidos e 7,8 hectares no coração do South Side, o complexo torna-se o mais caro da história das bibliotecas presidenciais americanas. A escolha do Juneteenth para a abertura ao público não é acidental — ela inscreve o projeto numa longa conversa sobre liberdade, memória e o que uma democracia deve a todos os seus cidadãos.
- Após anos de atrasos e quase mil milhões de dólares gastos, o centro presidencial Obama abre finalmente as suas portas num bairro que o casal prometeu não abandonar.
- A data escolhida para a abertura ao público — o Juneteenth — transforma a inauguração num ato político e simbólico, ligando o legado Obama à história da emancipação negra nos EUA.
- O edifício principal, apelidado de 'Obamalisk', abriga desde uma réplica da Sala Oval doada por Shonda Rhimes até um retrato inédito do casal pintado por uma artista nigeriana, desafiando o modelo austero das bibliotecas presidenciais tradicionais.
- O projeto pode ser o último do seu género: Biden luta para financiar o seu e Trump planeia um centro com hotel, sinalizando o fim de uma era na forma como os EUA preservam a memória dos seus presidentes.
Quase uma década depois de deixarem a Casa Branca, Barack e Michelle Obama abrem as portas do seu centro presidencial em Chicago. A cerimónia oficial decorre a 18 de junho, mas o público só entra na sexta-feira — deliberadamente no Juneteenth, data que assinala a libertação dos últimos escravos nos EUA em 1865. A escolha reforça o fio condutor de todo o complexo: a história dos direitos civis e a promessa de uma democracia mais inclusiva.
O que se inaugura não é uma simples biblioteca. É um campus de 7,8 hectares que custou 850 milhões de dólares, tornando-se o mais caro da história das bibliotecas presidenciais americanas. O edifício principal, um bloco de oito andares que alguns apelidam de 'Obamalisk' pela semelhança com um obelisco, foi desenhado pelos arquitetos Tod Williams e Billie Tsien e inspirado na forma de quatro mãos unidas. No interior, o museu percorre os oito anos de presidência e a biblioteca reúne mais de 30 milhões de páginas de registos, completamente digitalizados.
O espaço é também uma galeria de arte: na entrada, um retrato inédito do casal pintado pela artista nigeriana Njideka Akunyili Crosby; nas fachadas, citações do discurso de Obama no 50.º aniversário das Marchas de Selma. As exposições incluem uma coleção de vestidos de Michelle e uma réplica da Sala Oval construída para a série Scandal e doada pela sua criadora, Shonda Rhimes. No topo, o Sky Room Nelson Mandela oferece uma vista panorâmica sobre o South Side de Chicago.
O campus estende-se para além do museu, com campo de basquetebol, horta e espaços comunitários — um lugar pensado para todas as idades. Este investimento marca também um ponto de viragem: pode ser a última biblioteca presidencial construída segundo o modelo tradicional, num momento em que Biden enfrenta dificuldades de financiamento e Trump planeia erguer a sua num terreno em Miami com um hotel incluído.
Quase uma década depois de deixarem a Casa Branca, Barack e Michelle Obama abrem finalmente as portas do seu centro presidencial em Chicago. A cerimónia oficial acontece esta quinta-feira, 18 de junho, mas o público terá acesso apenas a partir de sexta-feira — deliberadamente no Juneteenth, o dia que marca a libertação dos últimos escravos nos Estados Unidos, em 1865, no Texas. A escolha da data não é casual. Ela reforça o fio condutor que atravessa todo o complexo: a história dos direitos civis e a promessa de uma democracia mais inclusiva.
O que se inaugura não é uma simples biblioteca presidencial. É um campus de 7,8 hectares — mais do que dez campos de futebol — que custou 850 milhões de dólares, tornando-se a mais cara biblioteca presidencial da história americana. O edifício principal, um bloco de oito andares de cimento que alguns apelidam de "Obamalisk" por sua semelhança com um obelisco, foi desenhado pelos arquitetos Tod Williams e Billie Tsien. Apesar da aparência austere, a forma foi inspirada em quatro mãos unidas — um detalhe que resume a filosofia do projeto. No interior, o museu convida os visitantes a explorar a ascensão do casal e os oito anos de presidência, de janeiro de 2009 a janeiro de 2017. A biblioteca propriamente dita, com mais de 30 milhões de páginas de registos, foi completamente digitalizada.
O espaço é também uma galeria de arte. Na entrada, um novo retrato do casal pintado pela artista nigeriana Njideka Akunyili Crosby — o primeiro em que ambos aparecem juntos. Pelas paredes do museu, duas citações de um discurso que Obama proferiu em 2015, no 50.º aniversário das Marchas de Selma a Montgomery, ecoam em duas das fachadas principais. "Vocês são a América. Sem as amarras do hábito e da convenção", lê-se numa delas. A outra reforça a ideia de que a democracia pertence a todos: "A palavra mais poderosa na nossa democracia é 'Nós'. 'Nós, o Povo'. 'Nós Venceremos'. 'Sim, Nós Podemos'".
As exposições cobrem a história das mudanças sociais nos EUA e a vida da família na Casa Branca. Há uma coleção de vestidos de Michelle Obama e uma réplica da Sala Oval — a mesma que foi construída para a série Scandal e doada pela sua criadora, Shonda Rhimes. No topo do edifício, o Sky Room Nelson Mandela oferece uma vista panorâmica da zona sul de Chicago, começando no Parque Jackson onde o complexo foi construído.
Mas o centro presidencial vai além das paredes do museu. O campus inclui um campo de basquetebol, espaços para eventos comunitários e uma horta. Trata-se de um projeto pensado para todas as idades, um lugar onde as pessoas possam aprender, brincar e trabalhar, como o próprio Obama descreveu nas redes sociais.
O investimento de 850 milhões de dólares — cerca de 730 milhões de euros — marca um ponto de viragem na história das bibliotecas presidenciais americanas. Pode ser, inclusive, a última construída segundo o modelo tradicional. Joe Biden enfrenta dificuldades em angariar fundos para a sua, enquanto Donald Trump planeia erguer a sua num terreno que lhe foi oferecido em Miami, com a intenção de incluir um hotel. O centro de Obama, portanto, não é apenas um monumento ao seu legado. É também um reflexo de como a América escolhe preservar e contar as histórias dos seus líderes.
Citações Notáveis
Vocês são a América. Sem as amarras do hábito e da convenção. Sem o peso do que é, prontos para conquistar o que deveria ser.— Barack Obama, discurso gravado nas fachadas do centro presidencial
Michelle e eu construímos o Centro Presidencial Obama para ser um lugar onde pessoas de todas as idades possam aprender, brincar e trabalhar.— Barack Obama, nas redes sociais
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Porque é que a data de abertura ao público — o Juneteenth — importa tanto nesta história?
Porque não é acidental. O Juneteenth marca o dia em que os últimos escravos nos EUA foram libertados, em 1865. Escolher essa data para abrir um centro presidencial é uma declaração sobre o que Obama quer que este lugar represente — não apenas um arquivo do seu tempo na Casa Branca, mas um espaço ligado à história dos direitos civis.
E o edifício em si? Parece ser apenas um bloco de cimento cinzento.
É verdade que à primeira vista parece austero. Mas os arquitetos revelaram que a forma foi inspirada em quatro mãos unidas. É um detalhe pequeno, mas diz tudo sobre a intenção — a ideia de que a democracia é um projeto coletivo, não individual.
850 milhões de dólares é uma quantia extraordinária. Como se compara com outras bibliotecas presidenciais?
É a mais cara de toda a história americana. E pode ser a última construída desta forma. Os sucessores de Obama estão a enfrentar desafios diferentes — Biden tem dificuldades em angariar fundos, Trump quer incluir um hotel na sua.
O que torna este centro diferente de uma biblioteca presidencial tradicional?
Não é apenas um arquivo. Tem um museu, uma galeria de arte, um campo de basquetebol, uma horta, espaços para a comunidade. É um campus de 7,8 hectares. A biblioteca propriamente dita — mais de 30 milhões de páginas — foi completamente digitalizada. O espaço físico é sobre experiência e comunidade, não apenas sobre guardar documentos.
Há algo que te surpreenda naquilo que escolheram incluir?
A réplica da Sala Oval que foi construída para a série Scandal e doada por Shonda Rhimes. É um detalhe que mostra como este lugar mistura história oficial com cultura popular, arquivo com arte. E a coleção de vestidos de Michelle — não é apenas moda, é também uma forma de contar a história através do pessoal, do íntimo.