Quartas de final assombram brasileiros; 23% dos céticos preveem nova eliminação

Quartas de final deixaram de ser apenas uma fase; viraram um símbolo
O Brasil foi eliminado nessa fase quatro vezes em vinte anos, transformando coincidência em padrão.

Vinte e quatro anos após o último título, o Brasil chega à Copa de 2026 carregando não apenas a esperança do hexa, mas o peso acumulado de quatro eliminações consecutivas nas quartas de final. Uma pesquisa da Quaest, ouvindo mais de dois mil brasileiros, revela que a maioria — 53% — não acredita no título, e que o fantasma de uma fase específica do torneio se tornou o símbolo coletivo do que pode dar errado. Entre a fé e o ceticismo, o país assiste ao início do Mundial com os olhos abertos para suas próprias cicatrizes.

  • O trauma é preciso: França, Holanda, Bélgica e Croácia eliminaram o Brasil nas quartas de final em quatro das últimas cinco Copas, transformando uma fase do torneio em símbolo de fracasso nacional.
  • A maioria dos brasileiros — 53% — chega à Copa de 2026 sem acreditar no título, e 23% dos descrentes preveem exatamente o cenário que mais temem: mais uma queda nas quartas.
  • O ceticismo tem endereço: o Sul do país concentra o maior pessimismo, com 11% dos sulistas acreditando que o Brasil nem sai da fase de grupos — o pior cenário possível.
  • A fé religiosa, surpreendentemente, não divide opiniões: católicos e evangélicos compartilham as mesmas esperanças e os mesmos medos, com 36% de cada grupo acreditando no título.
  • O Nordeste resiste ao pessimismo e lidera a crença no hexa, revelando um Brasil internamente dividido entre a esperança tradicional e um ceticismo forjado pela repetição das derrotas.

Vinte e quatro anos separam o Brasil de seu último título mundial. Desde o penta de 2002, a seleção acumulou eliminações que deixaram marcas profundas — e uma fase em particular virou assombração: as quartas de final. França em 2006, Holanda em 2010, Bélgica em 2018, Croácia em 2022. Quatro vezes na mesma fase, em duas décadas. Com a Copa 2026 em curso no México, Canadá e Estados Unidos, uma pesquisa da Quaest mostra que esse fantasma ainda ronda o imaginário brasileiro.

O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 5 e 8 de junho, com margem de erro de dois pontos percentuais. Os números são diretos: 53% dos brasileiros não acreditam no hexa. Entre os descrentes, 23% preveem exatamente o que mais temem — nova eliminação nas quartas. Outros 10% acham que o Brasil cai ainda antes, nos primeiros jogos do mata-mata.

O ceticismo não é uniforme. O Sul se destaca pelo pessimismo: é a região com mais pessoas prevendo queda nas quartas e onde 11% acreditam que o Brasil nem sai da fase de grupos. O Nordeste, em contraste, é onde a crença no hexa é mais forte.

Um dado surpreendente: a fé religiosa não influencia as perspectivas. Católicos e evangélicos compartilham esperanças quase idênticas — 36% de cada grupo acredita no título, e cerca de 23% e 24%, respectivamente, temem nova eliminação nas quartas. A pesquisa capturou a voz de uma geração que viveu tanto a glória de 2002 quanto cada uma das derrotas que se seguiram — um país que ainda sonha com títulos, mas agora sonha com os olhos abertos para as próprias cicatrizes.

Vinte e quatro anos. Esse é o tempo que separa o Brasil de seu último título mundial. Desde o penta conquistado em 2002, a seleção acumulou eliminações que deixaram marcas profundas na memória coletiva do país — e uma delas, em particular, virou assombração: as quartas de final. França em 2006, Holanda em 2010, Bélgica em 2018, Croácia em 2022. Quatro vezes em vinte anos, o Brasil caiu na mesma fase. Agora, com a Copa do Mundo 2026 começando a ser disputada no México, Canadá e Estados Unidos, uma pesquisa da Quaest revela que esse fantasma continua assombrando os brasileiros.

O levantamento, divulgado nesta quinta-feira, ouviu 2.004 pessoas entre 5 e 8 de junho, com margem de erro de dois pontos percentuais. Os números são claros: 53% dos brasileiros não acreditam no hexa. Mas entre aqueles que desistiram da esperança, há um consenso perturbador. Vinte e três por cento desses descrentes preveem exatamente o que mais temem — mais uma eliminação nas quartas. Para outros 10%, o Brasil não consegue nem chegar tão longe: acreditam que a seleção cai em um dos dois primeiros jogos de mata-mata. Apenas 8% dos céticos imaginam que o Brasil chegue à semifinal, ainda que para ser derrotado ali.

O ceticismo não é uniforme no país. A região Sul se destaca pelo pessimismo. Lá, entre todos os brasileiros consultados, é onde mais pessoas acreditam que o Brasil não passa das quartas — justamente a fase que já eliminou a seleção quatro vezes. Há ainda um detalhe que revela o grau de desconfiança: 11% dos sulistas acham que o Brasil nem sai da fase de grupos, o pior cenário possível. Essa desconfiança regional contrasta com outras partes do país. O Nordeste, por exemplo, é a região que mais acredita no hexa.

Há, porém, um aspecto curioso nos dados. A pesquisa investigou se a fé religiosa influenciava as perspectivas dos brasileiros sobre a Copa. A resposta foi surpreendente: não. Católicos e evangélicos compartilham esperanças e medos praticamente idênticos. Trinta e seis por cento de cada um desses grupos acredita que o Brasil chega à final e se torna campeão. Quanto ao fantasma das quartas, o equilíbrio persiste: 23% dos católicos preveem nova eliminação nessa fase, enquanto entre os evangélicos o número é de 24%.

Quem respondeu a essa pesquisa? A maioria são mulheres — 53% do total — enquanto 47% eram homens. A faixa etária predominante é de 35 a 59 anos, representando 46% dos entrevistados. Essa é uma geração que vivenciou tanto a glória do penta quanto os fracassos subsequentes. Trinta e um por cento têm entre 16 e 34 anos, e 23% têm mais de 60 anos. Em outras palavras, a pesquisa capturou a voz de brasileiros que carregam na memória não apenas o título de 2002, mas também cada uma das quatro eliminações nas quartas que se seguiram.

O que esses números revelam é um país dividido entre a esperança tradicional e um ceticismo que cresceu com cada decepção. O Brasil segue sendo uma nação que sonha com títulos, mas agora sonha com os olhos abertos para as cicatrizes do passado. As quartas de final deixaram de ser apenas uma fase do torneio; viraram um símbolo do que pode dar errado. E enquanto a Copa 2026 começa, esse fantasma segue rondando a imaginação dos brasileiros.

36% de católicos e evangélicos acreditam que o Brasil chega à final e será campeão
— Pesquisa Quaest
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que as quartas de final se tornaram tão simbólicas para os brasileiros? Não é só uma fase como outra qualquer.

Model

Porque repetição cria padrão, e padrão cria medo. Quatro vezes em vinte anos é o suficiente para transformar uma coincidência em destino. As pessoas começam a acreditar que existe algo estrutural ali, algo que o Brasil não consegue superar.

Inventor

E por que o Sul é tão mais cético que o resto do país?

Model

Não está claro na pesquisa, mas é possível que seja uma questão de proximidade geográfica com a Argentina, que ganhou duas Copas recentemente. Ou simplesmente uma população que viu essas eliminações de forma mais visceral, mais pessoal.

Inventor

A religião não fazer diferença é surpreendente. Esperaríamos que a fé influenciasse a esperança.

Model

Talvez porque o futebol seja uma religião em si no Brasil. Católicos e evangélicos deixam suas diferenças de lado quando o assunto é a seleção. O ceticismo e a esperança transcendem a fé institucional.

Inventor

Qual é a idade média desses entrevistados e por que isso importa?

Model

A maioria tem entre 35 e 59 anos. Isso significa que viveram o penta, viram o Brasil ser campeão. Eles não são pessimistas por natureza; são pessimistas porque viram esperança virar decepção repetidamente.

Inventor

Se 53% não acreditam no hexa, isso significa que 47% ainda acreditam?

Model

Sim, mas nem todos os que acreditam acreditam da mesma forma. Alguns acham que o Brasil chega à final e vence. Outros acham que chega à semifinal. A esperança é fragmentada, graduada. Não é mais aquela certeza de antes.

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