Enquanto a poupança rende menos de 7%, o Tesouro Selic acompanha a própria Selic
Com o terceiro corte consecutivo da Selic desde agosto, o Banco Central sinalizou, de forma unânime, que o ciclo de afrouxamento monetário segue seu curso — levando a taxa básica de 12,75% para 12,25% ao ano. Para o investidor de renda fixa, essa trajetória descendente convida a uma reflexão antiga: nem todo porto seguro oferece o mesmo abrigo. Entre poupança, títulos públicos, letras isentas e CDBs, a diferença de retorno ao longo dos anos pode representar muito mais do que números — representa escolhas sobre risco, liquidez e confiança.
- A Selic recuou mais um degrau, e os rendimentos da renda fixa encolhem junto — quem depende de juros altos para viver sente o aperto.
- A poupança, ainda a mais popular entre os brasileiros, continua sendo a lanterna da fila: R$ 10 mil rendem apenas R$ 10.719 em um ano, bem abaixo das alternativas.
- CDBs a 110% do CDI e LCIs/LCAs a 90% do CDI superam a caderneta com folga, mas exigem atenção ao prazo de carência e ao risco de crédito da instituição emissora.
- O Tesouro Selic aparece como alternativa de baixo risco e liquidez diária, transformando R$ 10 mil em R$ 10.990 após um ano, já líquido de taxas e impostos.
- O mercado projeta Selic em 11,75% até o fim de 2023, o que pressiona ainda mais os retornos futuros e torna a escolha do produto certo cada vez mais decisiva.
Na quarta-feira, 1º de novembro, o Banco Central reduziu a Selic de 12,75% para 12,25% ao ano — decisão unânime do Copom e terceiro corte desde agosto, quando a taxa iniciou sua queda a partir de 13,75%. O mercado já projeta que ela encerre 2023 em 11,75%, segundo o boletim Focus.
Para quem investe em renda fixa, a pergunta imediata é: quanto rende R$ 10 mil agora? A poupança, a mais popular das aplicações, segue sendo a menos eficiente. Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a caderneta paga 0,5% ao mês mais a TR — e como a TR também cai com a Selic, o retorno encolhe ainda mais. Resultado: R$ 10 mil viram R$ 10.719 em um ano, ante R$ 10.822 quando a Selic estava em 12,75%.
O Tesouro Selic oferece desempenho superior: os mesmos R$ 10 mil chegam a R$ 10.990 após um ano, já descontados taxas e impostos, e a R$ 13.395 em três anos. LCIs e LCAs a 90% do CDI, isentas de Imposto de Renda, alcançam R$ 11.093 em um ano e R$ 13.579 em três. Já CDBs a 110% do CDI — mesmo após o desconto do IR — transformam R$ 10 mil em R$ 11.103 em um ano e R$ 13.807 em três.
A ressalva é importante: os produtos mais rentáveis costumam ter carência ou vencimento fixo, sem liquidez diária, e os melhores retornos geralmente vêm de instituições com risco de crédito mais elevado. CDBs, LCIs, LCAs e poupança contam com a proteção do FGC até R$ 250 mil por instituição; os títulos públicos, embora sem essa cobertura, carregam o risco soberano do governo federal. A decisão final depende do equilíbrio entre segurança, rentabilidade e necessidade de acesso ao dinheiro.
Na quarta-feira, 1º de novembro, o Banco Central fez o que o mercado esperava: reduziu a taxa Selic em meio ponto percentual, levando-a de 12,75% para 12,25% ao ano. Foi uma decisão unânime do Comitê de Política Monetária, o terceiro corte desde agosto, quando a taxa começou sua trajetória descendente a partir de 13,75%, patamar onde havia permanecido durante um ano inteiro. Os analistas do mercado já projetam que a Selic termine 2023 em 11,75% ao ano, segundo o boletim Focus mais recente.
Para quem toma empréstimo, a notícia é bem-vinda. Para quem vive de investimentos em renda fixa, porém, o cenário muda. Os rendimentos encolhem. A pergunta que muitos fazem agora é simples: com a Selic em 12,25%, quanto meu dinheiro vai render?
A poupança, historicamente a aplicação mais popular entre os brasileiros, continua sendo a menos atrativa. Desde 2012, quando a taxa básica supera 8,5% ao ano, a caderneta rende 0,5% ao mês — ou 6,17% ao ano — mais a variação da Taxa Referencial. Enquanto a Selic não cair abaixo desse patamar, esse será o cálculo. Mesmo assim, com a Selic mais baixa agora, a TR também diminui, o que reduz ainda mais o retorno da poupança. Dez mil reais aplicados na caderneta se transformariam em 10.719 reais após um ano, segundo cálculos de Camilla Dolle, head de renda fixa da XP. Há alguns meses, quando a Selic estava em 12,75%, o mesmo valor chegaria a 10.822 reais. Em dois anos, o montante na poupança seria 11.490 reais, e em três anos, 12.316 reais.
O Tesouro Selic, título público disponível no Tesouro Direto, oferece um caminho bem diferente. Os mesmos dez mil reais se transformariam em 10.990 reais após um ano, já descontadas taxas e impostos. Em dois anos, chegariam a 12.177 reais, e em três, a 13.395 reais. A diferença em relação à poupança é significativa: enquanto a caderneta rende menos de 7% ao ano, o Tesouro Selic acompanha a própria Selic.
As letras de crédito imobiliário e do agronegócio — LCI e LCA — também são isentas de Imposto de Renda, como a poupança, e carregam os mesmos riscos de crédito das instituições emissoras. A principal diferença está na carência: há um período de 90 dias após a aplicação antes que os primeiros saques possam ser feitos, e alguns papéis só permitem resgate na data de vencimento. Um investimento de dez mil reais em LCIs ou LCAs que paguem 90% do CDI alcançaria 11.093 reais após um ano, 12.311 reais em dois anos e 13.579 reais em três.
Os CDBs, embora tributados pelo Imposto de Renda, podem render mais que a poupança. Um CDB que pague 110% do CDI — indicador que caminha muito próximo da própria Selic — transformaria dez mil reais em 11.103 reais após um ano, 12.431 reais em dois anos e 13.807 reais em três, já com o desconto do imposto. Entre outubro e novembro, a taxa média dos CDBs pós-fixados variava entre 99,31% e 102,45% do CDI, dependendo do prazo, mas havia papéis oferecendo até 130% do CDI.
Há, porém, detalhes importantes a considerar. Os CDBs, LCIs e LCAs com melhor rentabilidade geralmente não têm liquidez diária — ou seja, o dinheiro só pode ser resgatado no vencimento, não a qualquer momento. Além disso, os retornos mais atraentes costumam vir de instituições com risco de crédito mais elevado. Todos esses produtos — CDBs, LCIs, LCAs e poupança — são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos até 250 mil reais por instituição, funcionando como um seguro em caso de problemas. Os títulos públicos não têm essa proteção, mas como são emitidos pelo governo federal, seu risco é considerado entre os mais baixos do mercado. A escolha entre segurança, rentabilidade e liquidez depende do perfil e das necessidades de cada investidor.
Citas Notables
A poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial desde 2012, quando a Selic supera 8,5% ao ano— Camilla Dolle, head de renda fixa da XP
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que a poupança rende tão pouco agora que a Selic caiu?
Desde 2012, quando a Selic fica acima de 8,5%, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial. O problema é que a TR é calculada com base na própria Selic. Quando a Selic cai, a TR cai junto, então o rendimento da poupança encolhe duas vezes.
Mas a poupança é segura, não é?
É segura no sentido de que está coberta pelo FGC até 250 mil reais. Mas o risco de crédito é o mesmo das LCIs e LCAs — você está exposto à saúde financeira do banco. A diferença real é que a poupança rende menos.
Então por que as pessoas ainda colocam dinheiro lá?
Hábito, principalmente. A poupança é simples, não tem carência, permite saques a qualquer momento. Mas quem quer rentabilidade deveria olhar para o Tesouro Selic ou CDBs com melhor remuneração.
E se eu quiser o melhor rendimento possível?
Um CDB a 110% do CDI rende bem mais que a poupança, mesmo com o Imposto de Renda. Mas aí você perde liquidez — o dinheiro fica preso até o vencimento. É um trade-off.
Qual é o risco real de investir em CDB?
Depende de quem emite. Os CDBs com melhor rentabilidade vêm de bancos menores, com risco de crédito mais alto. Por isso é importante verificar a nota de crédito da instituição antes de investir.
E o Tesouro Selic? Parece a melhor opção.
É uma boa escolha para quem quer segurança e rentabilidade. Rende junto com a Selic, tem liquidez diária e o risco é praticamente zero porque é emitido pelo governo. A desvantagem é que não é isento de IR como a poupança.