Qdenga, nova vacina contra dengue, chega a laboratórios privados de BH

Minas Gerais experienced 139 dengue-related deaths by mid-2023, more than double the previous year's toll.
Waiting to get sick first leaves you exposed to the virus
Qdenga differs from older vaccines by protecting people before they've ever had dengue.

Em um momento em que Minas Gerais contabiliza 139 mortes por dengue em 2023 — mais do que o dobro do ano anterior — chega às clínicas privadas de Belo Horizonte a Qdenga, vacina capaz de proteger mesmo quem nunca teve a doença. Aprovada pela Anvisa em março, ela representa um avanço científico genuíno: duas doses com vírus atenuados das quatro cepas do dengue, conferindo 80,2% de eficácia. Mas sua chegada ilumina também uma tensão antiga na saúde brasileira — entre o que a ciência torna possível e o que o sistema torna acessível.

  • Minas Gerais registrou 139 mortes por dengue até junho de 2023, mais que o dobro de todo o ano anterior, criando uma demanda urgente por proteção.
  • A Qdenga rompe uma barreira importante: ao contrário da Dengvaxia, protege pessoas que nunca tiveram dengue, ampliando significativamente o público elegível entre 4 e 60 anos.
  • Com doses entre R$ 441 e R$ 465 e sem previsão de entrada no SUS, o acesso à vacina permanece restrito a quem pode pagar — aprofundando a desigualdade em meio à crise.
  • Laboratórios privados como São Marcos e Lustosa já disponibilizam o imunizante com opções de parcelamento, sinalizando uma demanda que o sistema público ainda não consegue atender.
  • Grupos vulneráveis — gestantes, pessoas com HIV e imunossuprimidos — seguem excluídos da vacinação, exigindo atenção redobrada às medidas preventivas tradicionais.

Os laboratórios privados de Belo Horizonte passaram a oferecer a Qdenga, vacina contra a dengue que representa uma mudança significativa no combate à doença. Diferente da Dengvaxia — restrita a quem já teve dengue —, a Qdenga protege pessoas sem infecção prévia, com indicação para a faixa etária de 4 a 60 anos. A novidade chega em meio a um cenário alarmante: Minas Gerais registrou 139 mortes pela doença até o fim de junho de 2023, mais que o dobro de todo o ano de 2022.

O mecanismo da vacina é baseado em duas doses, aplicadas com intervalo de três meses, contendo versões enfraquecidas das quatro cepas do vírus. Ao reconhecer esses vírus atenuados, o organismo produz anticorpos que permitem uma resposta imediata caso haja exposição futura ao dengue real. A eficácia combinada do esquema é de 80,2%. A vacina não oferece proteção contra Zika ou Chikungunya, transmitidos pelo mesmo mosquito Aedes aegypti, e é contraindicada para gestantes, mulheres em amamentação e pessoas com condições imunossupressoras.

Aprovada pela Anvisa em março, a Qdenga ainda não integra o SUS e não há prazo definido para isso. No setor privado, o Laboratório São Marcos cobra R$ 465 por dose — R$ 900 o esquema completo, parcelável em até sete vezes. O Laboratório Lustosa pratica R$ 441 por dose, em até cinco parcelas. A chegada da vacina às clínicas particulares evidencia tanto o avanço científico quanto a persistente desigualdade no acesso à saúde no Brasil — enquanto a epidemia avança, a proteção disponível ainda depende, sobretudo, da capacidade de pagar.

Belo Horizonte's private laboratories now stock Qdenga, a dengue vaccine that marks a shift in how the disease can be prevented. Unlike the existing Dengvaxia, which only works for people who have already had dengue, Qdenga protects those with no prior infection—anyone between four and sixty years old. The vaccine arrives at a moment when Minas Gerais is reeling from dengue's grip. By the end of June 2023, the state had recorded 139 deaths from the disease, more than double the entire toll from 2022.

The vaccine works through a straightforward biological mechanism. Two doses, spaced three months apart, deliver weakened versions of all four dengue virus strains. When injected, these attenuated viruses prompt the immune system to recognize them as foreign invaders and begin manufacturing antibodies in response. If the vaccinated person later encounters the actual virus in the wild, their immune system recognizes it immediately and can neutralize the threat before infection takes hold. The combined two-dose regimen shows 80.2 percent efficacy against dengue infection.

Qdenga received approval from Brazil's National Health Surveillance Agency in March, but it remains absent from the public health system. There is no timeline for its incorporation into the SUS, the universal health service that would make it available free to all Brazilians. For now, access depends entirely on private payment. At Laboratório São Marcos, a single dose costs 465 reais, with the full two-dose package priced at 900 reais and available in installments across seven credit card payments. Laboratório Lustosa charges 441 reais per dose, payable in up to five installments.

The vaccine does carry restrictions. People living with HIV and other immunosuppressive conditions cannot receive it, nor can pregnant women or those currently breastfeeding. Interestingly, people who have already had dengue can still be vaccinated—the shot provides no additional protection against Zika or Chikungunya, the other viruses transmitted by the same Aedes aegypti mosquito that carries dengue.

The arrival of Qdenga in private clinics reflects both medical progress and the persistent inequality in Brazil's health landscape. While the vaccine offers genuine protection to those who can afford it, millions remain vulnerable. The surge in deaths across Minas Gerais underscores the urgency of broader vaccination access, a question that will likely intensify as the disease continues its seasonal cycle and the gap between what is available and what is accessible becomes harder to ignore.

The vaccine is composed of weakened versions of all four dengue virus strains, which the immune system learns to recognize and fight
— José Geraldo Ribeiro, epidemiologist at Hermes Pardini laboratory
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Why does it matter that Qdenga works on people who've never had dengue?

Model

Because dengue is unpredictable. You don't know when you'll encounter it, and waiting to get sick first before you can be vaccinated leaves you exposed. This vaccine closes that window.

Inventor

The numbers from Minas Gerais are striking—139 deaths by June. Does that explain why the vaccine is arriving now?

Model

It's part of the picture. The surge creates demand, but the vaccine was already in development. What's telling is that it's in private labs while people are dying. The timing highlights the access problem.

Inventor

Can someone who's already had dengue use it?

Model

Yes, and that's practical. Many people in endemic areas have had it. The vaccine doesn't hurt them, and it protects against the strains they might not have encountered yet.

Inventor

What about the price—465 reais a dose?

Model

For context, that's significant money for most Brazilians. Two doses means nearly 1,000 reais out of pocket. It's not prohibitive for the middle class, but it's a real barrier for poorer families, which is exactly where dengue hits hardest.

Inventor

Why isn't it in the SUS yet?

Model

No timeline has been announced. That's the real story. The vaccine exists, it works, but the public system hasn't committed to it. That's a policy decision, not a medical one.

Quer a matéria completa? Leia o original em O Tempo ↗
Fale Conosco FAQ