Próximo passo da China pode determinar se preços do petróleo vão disparar

A China não está sob nenhuma pressão imediata
Pesquisador explica por que a China consegue reduzir drasticamente importações de petróleo enquanto outros países sofrem com preços altos.

Em um mercado global de energia marcado por tensões geopolíticas no Golfo Pérsico e perturbações nas refinarias russas, é a China — e não a Opep — quem exerce o poder mais decisivo sobre os preços do petróleo. Ao reduzir suas importações em quase um terço, Pequim amorteceu uma alta que, de outra forma, poderia ter sido severa. A singularidade energética chinesa — carvão abundante, renováveis, veículos elétricos e ferrovias de alta velocidade — confere ao país uma autonomia que poucos possuem. O próximo movimento de Pequim será, para o restante do mundo, a diferença entre estabilidade e turbulência nos postos de combustível.

  • Conflitos no Golfo Pérsico e drones ucranianos atacando refinarias russas criaram condições para uma crise energética global — mas os preços subiram apenas cerca de 7%, muito abaixo do esperado.
  • A China, ao cortar importações em quase um terço, funcionou como um amortecedor involuntário do mercado, deixando analistas e governos intrigados com a magnitude e os mecanismos dessa redução.
  • Trump reativou um bloqueio naval ao Irã e declarou os EUA 'Guardiões do Estreito de Ormuz', anunciando uma taxa de 20% sobre cargas que passem pela rota — elevando ainda mais a tensão geopolítica.
  • Sinais recentes apontam que a China está retomando compras, com petroleiros sendo entregues conforme programado — o que pode pressionar os preços globais de forma significativa nas próximas semanas.
  • Mesmo com petróleo bruto relativamente disponível, refinarias danificadas mantêm o preço da gasolina e do diesel elevados, expondo uma vulnerabilidade estrutural que vai além da oferta de crude.

Durante décadas, a Opep foi o árbitro do mercado global de petróleo. Hoje, esse papel pertence à China. Ao reduzir suas importações em quase um terço em relação ao ano anterior, Pequim impediu que tensões no Golfo Pérsico e perturbações nas refinarias russas se traduzissem em uma crise de preços ainda mais grave. O mercado observa, intrigado: a China não movimentou suas reservas estratégicas de forma visível, nem explicou completamente a queda abrupta nas compras.

A resposta está na estrutura energética única do país. A China pode substituir derivados de petróleo por carvão na produção química, gera grande parte de sua eletricidade por fontes renováveis, lidera o mercado global de veículos elétricos e opera a maior rede ferroviária de alta velocidade do mundo. Como resumiu Ben Cahill, do Atlantic Council: 'Eles não estão sob nenhuma pressão imediata.' Essa autonomia é o que torna Pequim tão poderosa — e tão imprevisível — para o mercado global.

O cenário geopolítico, porém, permanece volátil. Trump reativou um bloqueio naval ao Irã e declarou que os EUA serão os 'Guardiões do Estreito de Ormuz', anunciando uma taxa de 20% sobre toda carga que passe pela passagem. Enquanto isso, refinarias danificadas na Rússia e no Golfo processam menos do que o normal, mantendo o preço da gasolina e do diesel elevados mesmo sem escassez de petróleo bruto.

Agora, sinais indicam que a China pode estar retomando compras em volumes maiores. Se isso se confirmar, os preços globais de combustível poderão subir de forma expressiva. Se Pequim mantiver a cautela, o mercado pode permanecer relativamente estável apesar das turbulências. O próximo capítulo desta história será escrito não em Riad ou Washington — mas em Pequim.

Durante décadas, a Opep controlou o mercado global de petróleo simplesmente abrindo ou fechando as torneiras. Mas nos últimos meses, quem realmente tem determinado se os preços sobem ou descem não é um cartel de produtores — é a China, o maior comprador de petróleo do mundo, e suas decisões sobre quanto quer importar.

O cenário é complexo. No Golfo Pérsico, a tensão entre Estados Unidos e Irã tornou a passagem pelo Estreito de Ormuz mais arriscada e cara. A Rússia, um dos maiores exportadores globais, proibiu vendas de diesel para o exterior para proteger seus próprios estoques, enquanto ataques de drones ucranianos danificaram severamente suas refinarias. Tudo isso deveria ter feito os preços dispararem. Mas não dispararam — pelo menos não tanto quanto poderiam ter. A razão é a China.

Na primavera do Hemisfério Norte, a China reduziu drasticamente suas compras de petróleo, cortando importações em quase um terço em relação ao ano anterior. Esse movimento foi tão significativo que impediu uma alta ainda maior nos preços globais. O mercado permanece intrigado sobre como exatamente a China conseguiu fazer isso. Ela não usou suas vastas reservas estratégicas de forma visível — analistas monitoram essas reservas por satélite e não viram movimentação significativa. Suas refinarias processaram menos petróleo que o normal, e o país proibiu exportações de derivados de petróleo, mas isso também não explica completamente a queda tão abrupta nas importações.

A resposta está na estrutura energética chinesa. O país possui vastos recursos de carvão que pode usar em lugar de derivados de petróleo para produção química. Gera grande parte de sua eletricidade de fontes renováveis. É o maior mercado de veículos elétricos do mundo. Possui a maior rede ferroviária de alta velocidade do planeta, reduzindo a necessidade de transporte por combustíveis fósseis. Como disse Ben Cahill, pesquisador sênior do Atlantic Council: "Eles não estão sob nenhuma pressão imediata". A China tem opções que a maioria dos países não tem.

Agora, porém, há sinais de que essa situação pode mudar. A Agência Internacional de Energia observou recentemente que a China está aumentando seus esforços de compra e que os petroleiros estão sendo entregues conforme programado — indicadores de um "interesse renovado" em adquirir mais petróleo. Se a China voltar a comprar em volumes normais, os preços poderão subir significativamente. Se continuar reduzindo, o mercado global pode manter-se relativamente estável apesar das turbulências geopolíticas.

O cenário atual é frágil. Na segunda-feira, o presidente Trump anunciou que estava reimplementando um bloqueio naval aos portos do Irã e deixou claro que os Estados Unidos não cederão o controle do Estreito de Ormuz. Mais provocativamente, Trump publicou nas redes sociais que os EUA serão conhecidos como "O GUARDIÃO DO ESTREITO DE ORMUZ" e cobrarão uma taxa de 20% de toda carga enviada pela passagem. Desde maio, forças armadas americanas têm ajudado navios a navegar pelo estreito, e centenas de milhões de barris foram transportados dessa forma até junho.

Por enquanto, o mundo tem petróleo suficiente. Os preços estão apenas cerca de 7% acima dos níveis anteriores à guerra. Mas há uma distinção crucial: carros e caminhões não funcionam com petróleo bruto — funcionam com gasolina e diesel refinados. E as refinarias, danificadas no Golfo e na Rússia, estão processando muito menos do que o normal. É por isso que abastecer continua mais caro que antes, apesar de o petróleo bruto não estar em falta. O próximo movimento da China — se aumentar ou manter reduzidas suas importações — pode ser o fator que determina se essa situação se estabiliza ou se desmorona.

Eles não estão sob nenhuma pressão imediata
— Ben Cahill, pesquisador sênior do Atlantic Council
A capacidade da China de gerir o mercado, aumentando ou diminuindo as compras de petróleo, tem sido uma das maiores surpresas da guerra
— Analistas de mercado
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que a China consegue reduzir importações tão drasticamente quando outros países não conseguem?

Model

Porque a China não depende apenas de petróleo. Tem carvão em abundância, energia renovável em larga escala, veículos elétricos, ferrovias de alta velocidade. Quando o preço sobe, ela tem alternativas reais. A maioria dos países não tem.

Inventor

Mas se a China volta a comprar normalmente, o que acontece?

Model

Os preços sobem. Simples assim. A China é tão grande que suas decisões de compra movem o mercado global inteiro. Ela não está sob pressão, então pode esperar. Quando decidir que precisa, o mercado vai sentir.

Inventor

Trump está cobrando 20% pela passagem pelo Estreito. Isso não afeta os preços?

Model

Afeta, mas indiretamente. O que realmente importa é se os navios conseguem passar. Trump está garantindo que passem — por enquanto. O que muda os preços é a demanda, e a demanda depende de quem está comprando. Neste momento, é a China que tem a caneta.

Inventor

Então a Opep perdeu o controle?

Model

Não perdeu completamente, mas dividiu. A Opep controla quanto sai do Golfo. Mas a China controla quanto entra no mercado. Quando você tem dois atores com esse poder, nenhum deles controla tudo.

Inventor

O que você está observando para saber se a situação vai piorar?

Model

As compras chinesas. Se começarem a aumentar, os preços vão subir. Se a Rússia conseguir reparar suas refinarias, mais diesel volta ao mercado. Se o Estreito ficar realmente bloqueado, tudo muda. Por enquanto, estamos em equilíbrio instável.

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