Presidente promulga reforma do Ensino Superior com fusões e integração de privadas

A lei abre portas que estavam fechadas há duas décadas
O novo regime jurídico permite fusões, integrações e ofertas de cursos que antes eram proibidas.

Com a promulgação presidencial de um decreto que reescreve o Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, Portugal abre hoje uma nova era na arquitetura do seu sistema académico. Fronteiras que resistiram durante décadas — entre universidades e politécnicos, entre público e privado, entre formação teórica e técnica — tornam-se agora permeáveis por vontade da lei. É um momento em que o Estado reconhece que a rigidez das categorias pode ser, ela própria, um obstáculo ao conhecimento.

  • Uma lei aprovada com divisão política clara — direita a favor, esquerda contra — reescreve as regras do ensino superior português que vigoravam desde 2007.
  • Universidades e politécnicos podem agora fundir-se, e instituições privadas podem ser absorvidas pelo setor público, abrindo disputas sobre financiamento e autonomia.
  • O Instituto Politécnico do Porto já se transforma em Universidade Técnica do Porto, tornando-se o primeiro caso concreto da nova flexibilidade legal.
  • A palavra 'Reitor' passa a ser a designação única para toda a liderança do ensino superior, apagando simbolicamente a hierarquia entre os dois subsistemas.
  • As fusões e integrações não acontecem automaticamente — o verdadeiro teste será nas negociações, orçamentos e decisões institucionais que se seguem.

O Presidente da República promulgou hoje um decreto que transforma as regras estruturais do ensino superior em Portugal. A lei, aprovada pelo parlamento em maio com os votos favoráveis de PSD, CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal — e a oposição de PS, Bloco de Esquerda, Livre e PCP — substitui o regime jurídico em vigor desde 2007 e abre possibilidades que até agora estavam vedadas por lei.

Entre as mudanças mais significativas está a possibilidade de fusão entre universidades e politécnicos, a integração de instituições privadas no setor público e a criação de uma nova categoria híbrida: as universidades politécnicas. As próprias universidades ganham ainda autorização para oferecer Cursos Técnicos Superiores Profissionais, um domínio que pertencia exclusivamente aos politécnicos.

Junto ao decreto principal, foi também assinado um diploma que transforma o Instituto Politécnico do Porto em Universidade Técnica do Porto — um exemplo imediato e concreto do que a nova lei permite. Outra mudança de alcance simbólico: a designação 'Reitor' passa a ser universal em todo o ensino superior, substituindo a figura de 'Presidente' nos politécnicos e esbatendo a hierarquia histórica entre os dois subsistemas.

O que a lei autoriza e o que as instituições farão com essa autorização são questões distintas. Fusões exigem negociação e planeamento; a integração de privadas em públicas levanta interrogações sobre financiamento e autonomia; a entrada das universidades no terreno da formação técnica pode gerar competição ou complementaridade. O próximo capítulo pertence às próprias instituições.

O Presidente da República assinou hoje um decreto que reescreve as regras fundamentais do ensino superior português. A lei, aprovada pelo parlamento em maio, abre caminho para transformações estruturais que há décadas pareciam intocáveis: universidades e politécnicos podem agora fundir-se, instituições privadas podem ser absorvidas pelo setor público, e as próprias universidades ganham permissão para oferecer cursos técnicos profissionais — um território que até agora pertencia exclusivamente aos politécnicos.

Anténio José Seguro assinou não apenas o decreto principal, mas também um diploma complementar que transforma o Instituto Politécnico do Porto em Universidade Técnica do Porto, um exemplo prático da nova flexibilidade que a lei permite. O documento substitui o regime jurídico que vigorava desde 2007, trazendo consigo alterações à Lei de Bases do Sistema Educativo, à lei de financiamento do ensino superior e ao regime de avaliação das instituições.

A aprovação no parlamento em 8 de maio revelou as linhas de divisão política do país. O PSD, CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal votaram a favor. PS, Livre, Bloco de Esquerda e Comunistas votaram contra. O PAN e o JPP abstiveram-se. A votação refletiu perspetivas diferentes sobre como modernizar um sistema que muitos veem como rígido demais, com estruturas que não acompanham as necessidades do mercado de trabalho.

O novo modelo mantém a distinção entre o subsistema universitário e o politécnico — não se trata de uma fusão forçada de tudo numa única categoria. Mas abre portas que estavam fechadas. Os institutos politécnicos podem agora transformar-se em universidades politécnicas, uma categoria híbrida que reconhece a especialização técnica sem negar o estatuto universitário. As universidades, por sua vez, deixam de estar confinadas ao ensino teórico e podem descer ao terreno da formação profissional de nível superior.

Uma mudança aparentemente administrativa, mas significativa: a palavra "Reitor" torna-se a designação única para quem lidera qualquer instituição de ensino superior, seja ela universidade ou politécnico. Até agora, os politécnicos tinham presidentes. Agora todos têm reitores — um sinal de que a hierarquia simbólica entre os dois subsistemas está a desaparecer.

O que isto significa na prática ainda está por se ver. As fusões não acontecem por decreto — exigem negociação, planeamento, decisões sobre orçamentos e pessoal. A integração de privadas em públicas levanta questões sobre financiamento e autonomia. A permissão para universidades oferecerem cursos técnicos pode criar competição com os politécnicos ou complementaridade, dependendo de como for implementada. O próximo capítulo será escrito pelas próprias instituições, que agora têm ferramentas legais que antes não tinham.

O novo modelo permite a fusão entre universidades e politécnicos e até a integração de instituições privadas em públicas
— Decreto do RJIES
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Porque é que uma lei sobre nomes e estruturas de instituições importa tanto?

Model

Porque nomes e estruturas definem poder e possibilidades. Se um politécnico não pode ser universidade, fica preso a um papel. Se uma universidade não pode oferecer cursos técnicos, deixa de lado uma parte do mercado. A lei abre as portas; o que as instituições fazem com elas é outra história.

Inventor

Mas isto não é apenas deixar que tudo se funda e desapareça a diferença entre universidades e politécnicos?

Model

Não, porque a lei mantém a distinção. O que muda é que a distinção deixa de ser uma prisão. Um politécnico pode agora ser uma universidade politécnica — técnica, mas com o estatuto que isso implica. É mais flexibilidade, não eliminação.

Inventor

E as instituições privadas? Porque é que alguém quer integrar uma privada numa universidade pública?

Model

Porque há privadas com qualidade, com alunos, com reputação. Se uma privada está em dificuldades financeiras ou quer ganhar estabilidade, a integração pode fazer sentido. Para a pública, ganha alunos, talvez infraestruturas. É uma opção, não uma obrigação.

Inventor

A votação no parlamento foi muito dividida. Isto significa que a lei é frágil?

Model

Significa que há visões diferentes sobre o futuro do ensino superior. Mas a lei passou. Agora o teste é se funciona na prática — se as instituições conseguem usar estas ferramentas de forma sensata, se os alunos ganham com isto, se o sistema fica mais forte.

Inventor

E se ninguém se fundir? Se tudo ficar como está?

Model

Então a lei fica como uma possibilidade não usada. Mas raramente é assim. Quando as regras mudam, as instituições encontram formas de as usar. Pode levar tempo, mas vai haver movimento.

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