Acaba-se o comissário para a paz porque não haverá mais processos de falsa paz
A Colômbia, nação que carrega décadas de conflito armado em sua memória, vive mais uma inflexão histórica: o presidente eleito Abelardo de la Espriella anunciou o encerramento dos diálogos de paz com grupos armados ilegais, revertendo o legado central do governo Petro antes mesmo de tomar posse. A decisão extingue a assessoria presidencial para a paz e impõe um ultimato de um mês para que guerrilhas se rendam à Justiça sem concessões — um gesto que ressoa como o fechamento abrupto de uma janela que o país levou décadas para entreabrir.
- Com posse marcada para 7 de agosto, de la Espriella já age como se o poder fosse seu: o anúncio do fim dos diálogos chega antes mesmo de ele assumir o cargo, sinalizando urgência e ruptura imediata.
- A extinção da assessoria para a paz e a eliminação de mais de 200 cargos na Presidência revelam uma reestruturação profunda do Estado colombiano, com funções sendo transferidas para os ministérios do Interior e da Defesa.
- O ultimato de um mês para que grupos armados se entreguem sem 'concessões inaceitáveis' coloca guerrilhas e organizações narcotraficantes diante de uma escolha binária: rendição ou confronto.
- A promessa de extinguir a JEP — tribunal criado pelo acordo de paz de 2016 para julgar crimes do conflito de cinquenta anos — ameaça desmantelar a arquitetura institucional que sustentou o desarmamento das FARC.
- O país que começava a experimentar uma paz frágil enfrenta agora o risco real de retomada de confrontos armados e novas violações de direitos humanos, enquanto o mundo observa se o ultimato será respondido com rendição ou resistência.
Abelardo de la Espriella, presidente eleito da Colômbia de perfil ultradireitista, anunciou o encerramento dos diálogos de paz com grupos armados ilegais antes mesmo de assumir o cargo, previsto para 7 de agosto. A declaração representa uma ruptura frontal com a política do presidente Gustavo Petro, que apostou no diálogo como caminho para o desarmamento de guerrilhas e organizações narcotraficantes.
Em comunicado nas redes sociais, de la Espriella foi categórico: a assessoria presidencial para a paz será extinta. 'Acaba-se o comissário para a paz porque não haverá mais processos de falsa paz no meu governo', afirmou. A medida integra um plano mais amplo de reestruturação da Presidência, com a eliminação de mais de 200 cargos — uma economia estimada em cerca de 3,1 milhões de dólares — e a transferência de funções para os ministérios do Interior e da Defesa.
Dois meses antes, o presidente eleito já havia estabelecido um ultimato: grupos armados teriam um mês para se entregar à Justiça, sem concessões. Agora, com a vitória consolidada, reafirma que seu objetivo é 'a segurança do povo e o desmonte total do perverso sistema de impunidade'. A ofensiva inclui ainda a promessa de extinguir a Jurisdição Especial para a Paz, a JEP — instituição criada pelo acordo de 2016 que desarmou as FARC e que de la Espriella classifica como 'tribunal de vingança'.
A virada é de 180 graus em relação ao legado de Petro. A questão que paira sobre a Colômbia agora é se os grupos armados responderão ao ultimato ou se a mudança de postura do Estado acenderá novos focos de conflito num país que, após décadas de guerra civil, apenas começava a experimentar os primeiros passos de uma paz possível.
Abelardo de la Espriella, o presidente eleito da Colômbia, anunciou segunda-feira passada que encerrará os diálogos de paz em andamento entre o governo atual e grupos armados ilegais. A declaração marca uma ruptura radical com a política do presidente Gustavo Petro, primeiro governante de esquerda na história do país, e sinaliza uma mudança abrupta de direção quando de la Espriella assumir o cargo em 7 de agosto.
Em comunicado nas redes sociais, o ultradireitista foi direto: a assessoria presidencial para a paz será extinta. "Acaba-se o comissário para a paz porque não haverá mais processos de falsa paz no meu governo", afirmou. A medida faz parte de um plano mais amplo de reestruturação da Presidência que inclui a eliminação de mais de 200 cargos. De la Espriella argumenta que essa redução economizará cerca de 10 bilhões de pesos, aproximadamente 3,1 milhões de dólares. Algumas das funções serão transferidas para os ministérios do Interior e da Defesa.
Dois meses antes do discurso de segunda-feira, de la Espriella já havia estabelecido um ultimato: grupos armados ilegais teriam um mês para se entregar à Justiça. Na ocasião, deixou claro que não ofereceria "concessões inaceitáveis" — uma crítica velada às negociações do governo Petro, que buscava o desarmamento de guerrilhas e organizações narcotraficantes através do diálogo. Agora, com a vitória eleitoral consolidada, ele reafirma que seu objetivo será "a segurança do povo e o desmonte total do perverso sistema de impunidade que reina neste momento".
Mas a ofensiva política vai além da extinção da assessoria para a paz. De la Espriella prometeu durante a campanha que eliminaria a Jurisdição Especial para a Paz, a JEP, instituição que ele classifica como um "tribunal de vingança" que profere sentenças com "assimetria". A JEP foi criada pelo acordo de paz de 2016 que resultou no desarmamento das FARC, a maior guerrilha do país. Seu papel é julgar as violações mais graves de direitos humanos cometidas durante o conflito de cinquenta anos por atores armados de todos os lados.
A reversão de políticas representa uma virada de 180 graus em relação ao legado de Petro. Enquanto o governo que deixa o poder apostou em negociações diretas com grupos ilegais, de la Espriella aposta em confrontação e segurança. A questão que paira agora é se grupos armados responderão ao ultimato ou se a mudança de postura do Estado colombiano acenderá novos focos de conflito. O país que passou décadas em guerra civil e apenas recentemente começou a experimentar processos de paz enfrenta agora uma incerteza profunda sobre seu futuro.
Citações Notáveis
O objetivo será a segurança do povo e o desmonte total do perverso sistema de impunidade que reina neste momento— Abelardo de la Espriella
Não fará concessões inaceitáveis às políticas de desarmamento de guerrilhas e grupos narcotraficantes— Abelardo de la Espriella
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que de la Espriella chama a JEP de "tribunal de vingança"? Qual é a crítica real?
Ele vê a JEP como assimétrica — acredita que pune atores de um lado do conflito de forma desproporcional. Para ele, é um instrumento de revanchismo, não de justiça equilibrada.
E os grupos armados que ainda estão ativos? O que acontece com eles agora?
Têm um mês para se entregar. Depois disso, de la Espriella promete segurança total e desmonte da impunidade. Mas ninguém sabe se vão se render ou se vão se reorganizar.
Petro tentou diálogos. De la Espriella quer confrontação. Isso não pode explodir?
Pode, sim. Cinquenta anos de conflito não desaparecem porque um presidente muda de estratégia. Grupos armados têm estrutura, recursos, território. A pergunta é se vão aceitar o ultimato ou se vão lutar.
A JEP julgava crimes de guerra. Se ela desaparecer, quem julga?
Essa é a questão central. De la Espriella quer transferir essas funções para a Justiça ordinária, mas a JEP foi criada justamente porque a Justiça ordinária não conseguia lidar com a escala e complexidade dos crimes do conflito.
Quanto custa eliminar 200 cargos?
Economiza 10 bilhões de pesos, cerca de 3 milhões de dólares. Para um país em crise, é dinheiro. Mas é também um sinal: de la Espriella quer um Estado menor, mais enxuto, focado em segurança.
Qual é o risco maior aqui?
Que a Colômbia volte a um ciclo de violência. O acordo de 2016 foi frágil, mas era algo. Agora, com a JEP ameaçada e os diálogos encerrados, não há mais espaço para negociação. Só confrontação.