Presidência brasileira dos BRICS começa forte com entrada da Indonésia, diz Pepe Escobar

Um ataque contra o Irã é um ataque contra os BRICS
Analista alerta sobre o risco de escalada militar no Oriente Médio envolver todo o bloco.

Com a adesão da Indonésia — sétima maior economia mundial — os BRICS iniciam 2025 representando 42% do PIB global e metade da humanidade, sob a presidência de um Brasil que herda tanto a promessa de um mundo multipolar quanto o peso de coordenar um bloco cada vez mais visado pelas potências ocidentais. O analista Pepe Escobar celebra o momento como uma inflexão histórica: o Sudeste Asiático entra na órbita do grupo, ampliando a geometria de um projeto que desafia a arquitetura financeira e geopolítica construída após a Segunda Guerra. A expansão, porém, não chega sem sombras — o Irã permanece membro vulnerável, e Washington, sob Trump, tende a enxergar cada avanço do bloco como uma ameaça à sua hegemonia.

  • A entrada da Indonésia nos BRICS é descrita como uma 'bomba geopolítica e geoeconômica', abrindo o bloco para toda uma região estratégica que permanecia fora de sua órbita.
  • Com 42% do PIB mundial e quase metade da população do planeta, os BRICS acumulam massa crítica suficiente para construir instituições financeiras que rivalizam com o FMI e o Banco Mundial.
  • O segundo mandato de Trump promete guerra híbrida e comercial contra a China — mas analistas alertam que o alvo real é o Sul Global inteiro, colocando o projeto multipolar sob pressão direta.
  • O Irã, membro do bloco, pode se tornar o ponto de ruptura: um ataque coordenado por EUA e Israel seria, na prática, uma agressão contra os BRICS, com risco de resposta conjunta de Rússia e China.
  • O Brasil assume a presidência do bloco num momento de máxima tensão, com o desafio de coordenar países de interesses divergentes e propor soluções sem acirrar os conflitos que se acumulam no horizonte.

A Indonésia tornou-se membro pleno dos BRICS no início de 2025, e o analista geopolítico Pepe Escobar não hesitou em classificar o momento como uma 'bomba geopolítica e geoeconômica gigantesca'. Para ele, a adesão do maior país do Sudeste Asiático representa o começo ideal para a presidência brasileira do bloco — um sinal de que o projeto de multipolarismo avança com força renovada.

A Indonésia não é uma incorporação simbólica. Como sétima maior economia mundial em paridade de poder de compra, sua entrada amplia o alcance dos BRICS em comércio exterior, segurança energética e política multilateral, abrindo o bloco para uma região estratégica que até então permanecia fora de sua influência. Os números do conjunto já impressionam: quase 42% do PIB global e metade da população do planeta, massa suficiente para sustentar alternativas reais ao FMI e ao Banco Mundial.

Escobar lê 2025 como um ano de confrontação crescente. Sob Trump, os Estados Unidos devem intensificar a pressão sobre a China e, mais amplamente, sobre o Sul Global — uma disputa pela hegemonia num mundo que resiste à unipolaridade. Nesse cenário, os BRICS funcionam como rota de escape e de voz para países que buscam autonomia frente às estruturas ocidentais.

O Brasil, porém, carrega um fardo considerável. Presidir o bloco num período de grandes eventos internacionais e tensões crescentes exige coordenar países com agendas nem sempre convergentes. O caso mais delicado é o Irã: qualquer ação militar de EUA e Israel contra Teerã seria, na prática, um golpe contra o próprio bloco, com potencial de arrastar Rússia e China para uma resposta conjunta de consequências imprevisíveis.

O que emerge é um quadro de expansão e vulnerabilidade simultâneas. A adesão indonésia renova o fôlego dos BRICS e consolida sua trajetória rumo a um mundo menos centrado no Ocidente — mas a postura de confronto de Washington permanece a grande incógnita que pode definir, ou desfazer, o projeto multipolar em construção.

A Indonésia acaba de se tornar membro pleno dos BRICS, e para o analista geopolítico Pepe Escobar, o timing não poderia ser melhor. O bloco — que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de Egito, Etiópia, Emirados Árabes, Irã e Arábia Saudita — entra em 2025 com uma expansão que Escobar descreve como uma "bomba geopolítica e geoeconômica gigantesca". Em seu programa Pepe Café, o jornalista celebrou a adesão do maior país do Sudeste Asiático como o "começo da melhor maneira possível" para o comando brasileiro do bloco.

A Indonésia não é um membro qualquer. É a sétima maior economia do mundo quando medida por paridade de poder de compra, um peso considerável que amplia significativamente o alcance dos BRICS em questões de comércio exterior, segurança energética e política multilateral. Para Escobar, a decisão conjunta de incorporar Jacarta abre o bloco para toda a região do Sudeste Asiático, um território geopoliticamente estratégico que até então permanecia fora da órbita do grupo. Essa expansão territorial e econômica marca um ponto de inflexão no equilíbrio de poder global.

Os números ajudam a entender por que Escobar vê isso como significativo. Os BRICS já representam quase 42% do PIB mundial em paridade de poder de compra e abrigam quase metade da população do planeta. Essa massa crítica de poder econômico e demográfico não é simbólica — ela permite que o bloco construa instituições financeiras alternativas ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Mundial, estruturas que historicamente serviram aos interesses ocidentais. Para as elites norte-americanas, essa movimentação soa como uma ameaça direta à arquitetura monetária global que moldou o pós-guerra.

Escobar enxerga 2025 como um ano de confrontação intensificada. Sob o segundo mandato de Donald Trump, os Estados Unidos devem travar uma guerra híbrida e comercial contra a China, mas o analista argumenta que o alvo real é mais amplo: todo o Sul Global. Essa não é uma disputa declarada, mas uma competição pela hegemonia em um mundo que se recusa a permanecer unipolar. Os BRICS, nessa leitura, representam o caminho seguro rumo ao multipolarismo — uma alternativa que muitos países buscam para ter voz ativa na definição dos rumos da política e da economia globais.

O Brasil, porém, enfrenta um desafio considerável. Como presidente do bloco durante um período marcado por grandes eventos internacionais e possíveis novas tensões geopolíticas, Brasília precisa coordenar ações conjuntas de países com interesses nem sempre alinhados. Especialistas já questionam a antecipação da cúpula dos BRICS para o meio do ano, argumentando que isso reduz a margem de manobra brasileira. Ainda assim, a expectativa é que o país exerça um papel protagonista capaz de fomentar uma mudança de jogo internacional.

Um cenário particularmente delicado envolve o Irã, membro dos BRICS que pode enfrentar ações coordenadas de Estados Unidos e Israel. Escobar alerta que um ataque contra Teerã seria, na prática, um ataque contra o bloco inteiro. Se isso ocorrer, Rússia e China poderiam reagir em conjunto, abrindo uma frente de conflito imprevisível que desestabilizaria ainda mais a geopolítica global. Essa possibilidade não é especulação — é um cenário que analistas levam a sério.

O panorama que emerge é complexo e contraditório. Enquanto os BRICS expandem seus domínios incorporando países-chave como a Indonésia, surge a perspectiva de uma nova onda de conflitos regionais e disputas comerciais globais. A esperança de Escobar é que a construção de maior cooperação entre os países do Sul Global ajude a neutralizar os efeitos das chamadas "guerras eternas" — conflitos que, sob Trump 2.0, tendem a se intensificar em regiões estratégicas como a Ásia e o Oriente Médio. A presidência brasileira, nesse contexto, carrega a responsabilidade de propor soluções que beneficiem o bloco sem acirrar ainda mais as tensões globais.

O que vem a seguir dependerá de como Washington responde a esse rearranjo de poder. A adesão indonésia renova o fôlego dos BRICS e reforça sua trajetória em direção a um mundo menos centrado no Ocidente. Mas a postura de confronto dos Estados Unidos permanece uma incógnita — e uma ameaça potencial ao projeto de multipolarismo que o bloco tenta construir.

A decisão conjunta dos BRICS é absolutamente crucial porque abre o bloco para o Sudeste da Ásia
— Pepe Escobar
Uma guerra não declarada contra a China é, na verdade, uma guerra contra o Sul Global inteiro
— Pepe Escobar
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que a entrada da Indonésia é tão importante agora, neste momento específico?

Model

Porque a Indonésia é a sétima maior economia do mundo e abre os BRICS para todo o Sudeste Asiático. Não é apenas um país — é uma porta de entrada para uma região inteira que estava fora do jogo.

Inventor

Mas os BRICS já eram poderosos antes. O que muda com a Indonésia?

Model

Muda a geografia do poder. Agora o bloco tem presença real na Ásia do Sul, não apenas na Ásia do Leste. É a diferença entre ter influência em um continente e ter influência em vários.

Inventor

Escobar fala em "guerra contra o Sul Global inteiro". Isso não é dramatização?

Model

Não é dramatização se você olha para os números. Os BRICS representam 42% do PIB mundial e metade da população. Quando você tem esse peso, qualquer confronto comercial ou militar é, de fato, contra você.

Inventor

E o Brasil? Como fica nessa presidência?

Model

O Brasil está em uma posição incômoda. Precisa coordenar países com interesses diferentes — Rússia, China, Irã — enquanto Trump intensifica pressões. É um jogo de equilíbrio em um tabuleiro que está se movimentando.

Inventor

O Irã é o ponto mais perigoso?

Model

Sim. Se Estados Unidos e Israel atacarem Teerã, Rússia e China podem reagir juntos. Isso não é apenas um conflito regional — é um conflito que envolve o bloco inteiro e pode desestabilizar tudo.

Inventor

Então a presidência brasileira é mais sobre sobrevivência do que sobre liderança?

Model

É sobre ambos. O Brasil precisa manter o bloco coeso enquanto propõe soluções que beneficiem o Sul Global. Se conseguir, muda o jogo. Se não conseguir, o bloco se fragmenta.

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