O mesmo respeito deve ser dispensado aos representantes eleitos
Em Sorriso, no coração do Mato Grosso, um gesto protocolar transformou-se em símbolo das fraturas que percorrem a direita brasileira: o prefeito Alei Fernandes abandonou um evento do PL Mulher após sentir-se preterido no palanque onde Michelle Bolsonaro discursava. O que o partido classifica como mal-entendido cerimonial, o prefeito interpreta como desrespeito institucional — e o episódio revela, com clareza incômoda, que as alianças políticas são tão frágeis quanto os convites que as sustentam.
- O prefeito de Sorriso saiu visivelmente irritado de um evento ao qual havia sido pessoalmente convidado por Michelle Bolsonaro, após não ser chamado ao palanque de autoridades.
- Vídeos nas redes sociais registraram Fernandes gesticulando e discutindo com organizadores antes de deixar o local com a esposa, transformando o constrangimento em espetáculo público.
- O PL Mulher atribuiu o incidente a um protocolo mal comunicado, afirmando que Michelle convidaria o prefeito pessoalmente numa segunda etapa — que nunca aconteceu porque o casal já havia partido.
- Fernandes negou ter sido informado sobre qualquer protocolo e criticou o diretório local do PL, reafirmando respeito à ex-primeira-dama mas exigindo reciprocidade institucional.
- O episódio se soma a tensões preexistentes: dias antes, o prefeito havia participado de um ato ao lado de um ministro do PSD, gerando desconfiança entre bolsonaristas locais que fizeram discursos sobre 'falsos representantes da direita'.
No sábado passado, em Sorriso, um evento do PL Mulher terminou em constrangimento quando o prefeito Alei Fernandes abandonou o local visivelmente irritado. Convidado pela própria Michelle Bolsonaro, ele percebeu que não havia sido chamado ao palanque de autoridades — onde o senador Wellington Fagundes e outros filiados ao PL tomavam seus lugares enquanto ele, uma vereadora e dois vereadores permaneciam na plateia.
Fernandes discutiu com os organizadores antes de sair acompanhado da esposa. Em nota, a Prefeitura de Sorriso apontou que as autoridades foram chamadas nominalmente ao palco, mas os representantes eleitos do município foram ignorados. O prefeito declarou nas redes sociais que o mesmo respeito dispensado à ex-primeira-dama deveria ser estendido aos mandatários eleitos pela população local.
O PL Mulher de Mato Grosso classificou o ocorrido como um simples mal-entendido de protocolo: apenas filiados ao partido seriam chamados num primeiro momento, e Michelle convidaria o prefeito pessoalmente em seguida. Segundo o partido, o casal partiu antes que essa etapa se concretizasse. Fernandes, porém, negou ter sido informado sobre esse protocolo.
O incidente não surgiu do nada. Dias antes, Fernandes havia participado de um ato ao lado do ministro Carlos Fávaro, do PSD, gerando desconforto entre bolsonaristas da região. No próprio evento, integrantes do PL fizeram discursos pedindo 'cuidado com falsos representantes da direita' — falas lidas como críticas veladas ao prefeito. Michelle manteve a programação, discursou contra o governo federal e convocou mulheres conservadoras à união, enquanto as tensões sobre o alinhamento político de Fernandes seguiam sem resposta.
No sábado passado, em Sorriso, no interior de Mato Grosso, um evento do PL Mulher terminou em constrangimento político quando o prefeito da cidade, Alei Fernandes, abandonou o palco onde Michelle Bolsonaro discursava. Fernandes havia sido convidado pela própria ex-primeira-dama, mas saiu do local visivelmente irritado após perceber que não havia sido chamado para integrar o palanque de autoridades ao lado dela.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram o prefeito gesticulando e discutindo com os organizadores do evento antes de deixar o local acompanhado de sua esposa, Mara Fernandes. Do lado de fora, ele reclamou com membros do partido, alegando desrespeito institucional. Em nota divulgada pela Prefeitura de Sorriso, Fernandes apontou que durante a formação do palanque as autoridades foram chamadas nominalmente — incluindo o senador Wellington Fagundes — mas o prefeito do município, uma vereadora do PL e dois vereadores não foram convidados a compor o dispositivo.
O encontro reunia lideranças da direita mato-grossense e contava com a presença de senadores, prefeitos e parlamentares aliados a Jair Bolsonaro. Diante da reação de Fernandes, o PL Mulher de Mato Grosso classificou o ocorrido como um simples "mal-entendido". A organização explicou que conforme o protocolo do cerimonial, apenas autoridades filiadas ao PL seriam chamadas no primeiro momento, e que Michelle Bolsonaro convidaria pessoalmente o prefeito e sua esposa em seguida, como gesto de "deferência e carinho". Segundo o partido, o casal teria deixado o local antes que essa segunda etapa acontecesse. "Infelizmente, eles se retiraram sem ouvir as instruções da organização", afirmou o PL Mulher em comunicado.
Fernandes rebateu a versão do partido. Ele negou ter sido informado sobre o protocolo que seria seguido e reiterou seu apreço por Michelle Bolsonaro, mas criticou duramente o diretório local do PL. "Reiteramos nosso apreço e respeito à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, ressaltando, contudo, que o mesmo respeito deve ser dispensado aos representantes eleitos pela população do município", declarou o prefeito em publicação nas redes sociais.
O episódio não ocorreu em vácuo político. Dias antes, Fernandes havia participado de um ato de entrega de moradias em Cuiabá ao lado do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que é filiado ao PSD. Esse gesto gerou incômodo entre bolsonaristas da região. Durante o evento em Sorriso, integrantes do PL chegaram a fazer discursos pedindo "cuidado com falsos representantes da direita", falas que foram interpretadas como críticas indiretas ao prefeito e seu alinhamento político.
Apesar do constrangimento, Michelle Bolsonaro manteve a programação e proferiu um discurso de tom ideológico, criticando o governo federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Janja. Ela reforçou pautas conservadoras e convocou mulheres "de direita" a se unirem em defesa da família. O incidente deixa em aberto questões sobre o alinhamento político do prefeito e as tensões que atravessam a direita mato-grossense.
Notable Quotes
Reiteramos nosso apreço e respeito à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, ressaltando, contudo, que o mesmo respeito deve ser dispensado aos representantes eleitos pela população do município— Alei Fernandes, prefeito de Sorriso
Infelizmente, eles se retiraram sem ouvir as instruções da organização— PL Mulher de Mato Grosso
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que um prefeito sairia de um evento com Michelle Bolsonaro se havia sido convidado por ela mesma?
Porque não foi chamado ao palco. Havia um palanque de autoridades, e ele não estava nele — enquanto senadores e outros estavam. Para um prefeito, isso é uma humilhação pública.
Mas o partido diz que era só protocolo, que ele seria chamado depois.
Talvez fosse verdade. Mas ninguém o informou disso. Ele entrou esperando ser reconhecido como autoridade local e não foi. A raiva vem dessa falta de comunicação.
E por que o partido teria feito isso?
Porque Fernandes não é do PL — é do União Brasil. E dias antes ele havia aparecido com um ministro do PSD. Para bolsonaristas, isso é traição. O partido estava mandando um recado.
Então não foi um mal-entendido?
Provavelmente foi intencional disfarçado de protocolo. O partido quer que prefeitos se alinhem completamente. Fernandes se recusou.
E agora? Que consequências isso tem?
Isso aprofunda a divisão na direita local. Fernandes fica isolado, o PL fica com a imagem de desrespeitoso. Ninguém sai ganhando.