Leilão da Oi Soluções termina vazio com valuation de R$ 1,4 bi rejeitado

O negócio vale metade do que foi proposto
Analista de mercado sobre o descompasso entre a avaliação de R$ 1,4 bilhão e a queda de receitas da Oi Soluções.

Na tarde desta quarta-feira, o leilão judicial da Oi Soluções encerrou sem que nenhuma das cinco empresas habilitadas — Claro, Vivo, TIM, V.tal e Sercomtel — apresentasse um único lance, deixando a Justiça registrar o resultado como 'audiência frustrada'. O preço mínimo de R$ 1,4 bilhão, calculado sobre projeções otimistas do início de 2025, perdeu contato com uma realidade em que as receitas caíram mais de 57% em um ano. O fracasso não é apenas aritmético: ele revela o peso acumulado de passivos jurídicos, restrições contratuais e uma regulação que ainda não encontrou seu caminho — lembrando que ativos em colapso raramente se vendem enquanto as incertezas que os cercam permanecem sem resposta.

  • Nenhuma das cinco empresas habilitadas fez qualquer oferta, transformando o leilão em uma sala vazia e forçando a Justiça a declarar audiência frustrada.
  • As receitas da Oi Soluções despencaram de R$ 140 milhões para R$ 60 milhões em um ano, tornando o preço mínimo de R$ 1,4 bilhão aproximadamente o dobro do que analistas consideram o valor real do negócio.
  • Um emaranhado jurídico afasta compradores: credores acionaram a Justiça para garantir que 50% das receitas sejam destinadas ao pagamento de dívidas, e potenciais interessados não conseguiram examinar os contratos a tempo.
  • A Anatel detém um veto silencioso sobre qualquer transação, pois ainda não concluiu a análise da venda da UPI STFC e quer negociar o resgate de garantias antes de autorizar novas transferências de ativos.
  • A juíza Simone Chevrand concedeu cinco dias para que a Oi, seu gestor e sua administração judicial apresentem um plano alternativo — o ônus da solução recai agora inteiramente sobre a operadora.

O leilão judicial da Oi Soluções terminou sem ofertas nesta quarta-feira. Claro, Vivo, TIM, V.tal e Sercomtel estavam habilitadas, mas nenhuma apresentou um lance. O preço mínimo era de R$ 1,4 bilhão. A Justiça registrou o resultado como 'audiência frustrada', e a juíza Simone Chevrand, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, concedeu cinco dias para que a Oi e suas administrações apresentem um plano alternativo.

O fracasso não foi acidental. O valor mínimo foi calculado com base na situação da empresa no início de 2025, em um cenário otimista que a realidade não confirmou. As receitas caíram de R$ 140 milhões para R$ 60 milhões em um ano — mais de 57% —, e analistas estimam que o negócio vale hoje aproximadamente metade do que foi posto em leilão.

Além do preço, um emaranhado jurídico afastou os interessados. Em maio, credores acionaram a Justiça para reafirmar que 50% das receitas da Oi Soluções devem ser destinadas ao pagamento de dívidas — uma cláusula do acordo de recuperação judicial vigente desde 2023. A ação, movida pelo UMB Bank como trustee dos credores, ainda não foi julgada, mas deixou em aberto questões críticas sobre cessão fiduciária. Alguns potenciais compradores relataram não ter conseguido examinar os contratos adequadamente antes do leilão.

A incerteza regulatória completa o quadro. A venda da UPI STFC, unidade de telefonia fixa negociada há três meses, ainda tramita na Anatel sem conclusão. Nos bastidores, a agência sinalizou que quer negociar o resgate de garantias que a Oi recuperou judicialmente em 2025 antes de autorizar qualquer transferência de ativos — um veto silencioso que paira sobre qualquer tentativa futura de venda. Enquanto essas camadas jurídicas e regulatórias não forem resolvidas, um novo leilão enfrentará os mesmos obstáculos que esvaziaram este.

O leilão judicial da Oi Soluções terminou sem ofertas nesta quarta-feira à tarde. Cinco empresas — Claro, Vivo, TIM, V.tal e Sercomtel — estavam habilitadas a participar. Nenhuma delas apresentou um lance sequer. O preço mínimo estabelecido era de R$ 1,4 bilhão. A Justiça registrou o resultado como "audiência frustrada".

A juíza Simone Chevrand, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, concedeu cinco dias para que a Oi, seu gestor judicial e sua administração judicial apresentem um plano alternativo. O ônus agora recai sobre a operadora: ela precisa demonstrar se ainda acredita que a venda é viável e, se sim, como proceder.

O fracasso do leilão não foi acidental. Segundo pessoas próximas ao processo, o preço de R$ 1,4 bilhão refletia a situação da Oi Soluções no início de 2025, baseado em um cenário otimista de crescimento e manutenção de contratos. A realidade divergiu drasticamente. Mês após mês, a carteira de clientes encolheu. As receitas despencaram de R$ 140 milhões para R$ 60 milhões em um ano — uma queda de mais de 57%. Analistas do mercado apontam que, neste patamar, o negócio vale aproximadamente metade do que foi colocado em leilão. O valuation simplesmente perdeu contato com a realidade operacional.

Mas o preço alto não foi o único obstáculo. Há um emaranhado jurídico que afasta compradores potenciais. Em maio deste ano, credores da Oi acionaram a Justiça para reafirmar uma cláusula do acordo de recuperação judicial: a Oi Soluções deve destinar 50% de suas receitas para pagar dívidas. O UMB Bank, que atua como trustee dos credores, moveu a ação. Embora ainda não tenha sido julgada, ela deixou em aberto uma questão crítica sobre cessão fiduciária — um mecanismo previsto no acordo de recuperação que vigora desde 2023. Na prática, o contrato restringe a geração futura de receitas dos negócios que estão na carteira. Alguns potenciais compradores reclamaram que não conseguiram examinar os detalhes do contrato adequadamente nem mesmo dias antes do leilão.

A incerteza regulatória adiciona outra camada de risco. Há três meses a Oi vendeu a UPI STFC, sua unidade de telefonia fixa, mas a transação ainda não foi concluída. O processo tramita na Anatel sem perspectiva clara de conclusão. A operadora ainda não se apresentou ao regulador para detalhar como será a transição. Isso importa porque a UPI STFC carrega obrigações perante o Tribunal de Contas da União relacionadas ao encerramento da concessão de telefonia fixa — a Oi é a única empresa com infraestrutura em milhares de localidades do país.

Há ainda uma questão de fundo entre a Oi e a Anatel. Em 2025, a operadora conseguiu recuperar judicialmente dinheiro que havia sido depositado junto à agência para garantir a continuidade de serviços essenciais caso ela não conseguisse se recuperar. Nos bastidores, comenta-se que a Anatel quer negociar um acordo sobre esse resgate antes de autorizar a transferência das UPIs — tanto a STFC quanto a Oi Soluções, se for vendida. Sem essa negociação, dificilmente a agência autorizará que as transações avancem. É um poder de veto silencioso que paira sobre qualquer tentativa de venda.

A Oi tem agora cinco dias para encontrar uma saída. Pode tentar reduzir o preço mínimo, buscar um comprador específico, ou reestruturar o ativo. Mas enquanto as incertezas jurídicas e regulatórias não forem resolvidas, qualquer novo leilão enfrentará os mesmos obstáculos que esvaziaram este.

Se muito, o negócio vale metade do que foi proposto
— Fonte do mercado
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que nenhuma das cinco empresas habilitadas apresentou sequer um lance?

Model

Porque o preço pedido não correspondia ao que o negócio realmente vale. As receitas caíram pela metade em um ano. Além disso, há riscos jurídicos e regulatórios que ninguém quer herdar.

Inventor

Que tipo de riscos jurídicos?

Model

A Oi Soluções prometeu destinar metade de suas receitas para pagar credores. Isso está em contrato, e credores já acionaram a Justiça para garantir que a promessa seja cumprida. Um comprador herdaria essa obrigação.

Inventor

E os riscos regulatórios?

Model

A Anatel não autorizou ainda a venda de outra unidade da Oi, a UPI STFC, que está pendente há três meses. Além disso, há uma questão de dinheiro que a Oi resgatou judicialmente da agência. A Anatel quer negociar isso antes de autorizar qualquer transferência.

Inventor

Então é um problema de confiança?

Model

É mais que isso. É um problema de visibilidade. Os compradores não conseguem ver claramente quais são suas obrigações futuras, quanto tempo levará para a Anatel autorizar a operação, ou se a agência vai bloquear tudo.

Inventor

A Oi pode tentar vender novamente?

Model

Pode, mas precisa resolver essas questões primeiro. Tem cinco dias para apresentar um plano. Sem resolver o jurídico e o regulatório, qualquer novo leilão enfrentará os mesmos problemas.

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