Porto Sudeste atrai Vale, Gerdau e fundos estrangeiros em venda de US$ 5 bi

Uma máquina de gerar caixa que atrai bilhões em disputa
O Porto Sudeste produz mais de US$ 300 milhões em EBITDA anualmente e desperta interesse de fundos globais e produtoras de minério.

O que nasceu do colapso de um império empresarial está prestes a se tornar um dos maiores negócios de infraestrutura do Brasil. O Porto Sudeste, em Itaguaí, erguido sobre as ruínas do projeto de Eike Batista e reconstruído por Mubadala e Trafigura, atrai hoje ofertas de até cinco bilhões de dólares de fundos globais e produtoras de minério. A disputa pelo ativo revela algo mais profundo: a corrida silenciosa pelo controle das artérias logísticas que movem a economia brasileira de commodities.

  • Com mais de US$ 300 milhões em EBITDA anual e capacidade para 50 milhões de toneladas, o Porto Sudeste é um dos ativos de infraestrutura mais cobiçados do país neste momento.
  • Dois consórcios poderosos se enfrentam: GIP-BlackRock com Vale e Gerdau de um lado, e Stonepeak com M Resources do outro — propostas vinculantes devem chegar ainda em julho.
  • A disputa não é apenas financeira: produtoras de minério querem garantir canais próprios de escoamento, enquanto fundos estrangeiros buscam consolidar presença em infraestrutura brasileira.
  • O porto diversifica operações para petróleo e gás, ampliando sua atratividade e sinalizando que o ativo vai além do minério de ferro.
  • Goldman Sachs, UBS e Bradesco BBI assessoram o processo, indicando a escala e a sofisticação da transação em curso.

Um porto concebido por Eike Batista para escoar minério de suas próprias minas está prestes a ser vendido por cinco bilhões de dólares. Quando o império de Eike desabou, o Mubadala Capital assumiu o projeto via reestruturação de dívida, e a Trafigura entrou para financiar os investimentos que levaram à inauguração em 2015. Uma década depois, os dois sócios decidiram vender.

O terminal é uma máquina de geração de caixa: mais de US$ 300 milhões em EBITDA esperados neste ano, movimentando cerca de 25 milhões de toneladas anuais de minério de ferro e outros granéis. Conectado a Minas Gerais pela Ferrovia do Aço, o porto ocupa posição estratégica na logística de commodities do sudeste brasileiro.

O interesse vem de dois consórcios distintos. A Global Infrastructure Partners, controlada pela BlackRock desde 2024, se uniu à Vale e à Gerdau para estudar a aquisição. Do outro lado, a Stonepeak — fundo americano com US$ 88 bilhões sob gestão — se associou à australiana M Resources. A GIP já tem presença crescente no Brasil, com investimentos em data centers, energia renovável e parques eólicos. A Stonepeak, por sua vez, demonstrou apetite por ativos portuários ao adquirir participação no Tecon Santos no início do ano.

Além do minério, o Porto Sudeste investe na expansão para petróleo e gás, diversificando receitas e reforçando sua relevância estratégica. Assessorado por Goldman Sachs, UBS e Bradesco BBI, o processo de venda é menos um encerramento do projeto original e mais um novo capítulo na disputa pelo controle da logística de commodities no Brasil.

Um porto que começou como sonho de um empresário falido está prestes a trocar de mãos por cinco bilhões de dólares. O Porto Sudeste, instalado em Itaguaí na Baía de Sepetiba, foi concebido originalmente por Eike Batista para escoar minério de suas minas. Quando o negócio desabou, o Mubadala Capital herdou o projeto através de uma reestruturação de dívida. A Trafigura entrou depois para financiar os investimentos que permitiram a inauguração em 2015. Agora, uma década depois, os dois sócios decidiram vender.

O terminal é uma máquina de gerar caixa. Neste ano deve produzir mais de trezentos milhões de dólares em EBITDA, movimentando cerca de vinte e cinco milhões de toneladas anuais de minério de ferro e outros granéis sólidos e líquidos. Sua capacidade total alcança cinquenta milhões de toneladas por ano. Conectado a Minas Gerais pela Ferrovia do Aço, o porto se tornou peça estratégica na logística de commodities do sudeste brasileiro. As propostas vinculantes devem chegar ainda este mês.

O interesse é intenso e vem de dois lados. A Global Infrastructure Partners, controlada pela BlackRock, formou um consórcio com a Vale e a Gerdau para estudar a oportunidade. Do outro lado, a Stonepeak, um fundo americano com oitenta e oito bilhões sob gestão, se associou à M Resources, uma empresa australiana de commodities. A disputa reflete uma realidade maior: fundos estrangeiros querem consolidar presença no Brasil, enquanto produtoras de minério buscam garantir canais próprios para escoar sua produção.

A Global Infrastructure Partners é um ator relativamente novo no Brasil. A BlackRock a comprou em 2024 e desde então ela tem expandido agressivamente. No ano passado adquiriu participação na Aligned, que opera data centers, e virou sócia da Vale na Aliança, uma geradora de energia renovável. Também controla a Atlas Renewable, que opera parques eólicos e solares na América Latina. A Stonepeak, por sua vez, já demonstrou apetite por ativos portuários. Em janeiro anunciou a compra de vinte e cinco por cento da participação da CMA CGM no Tecon Santos, uma transação global envolvendo dez terminais portuários que custou dois bilhões e quatrocentos milhões de dólares.

O Porto Sudeste não é apenas um terminal de minério. A administração está investindo para expandir sua capacidade operacional no setor de petróleo e gás, diversificando receitas e aumentando sua relevância estratégica. Esse movimento de diversificação, combinado com a posição geográfica privilegiada e a conexão ferroviária com o interior, torna o ativo particularmente atraente para quem quer consolidar operações de commodities no Brasil.

O processo de venda é assessorado por três grandes bancos: Goldman Sachs, UBS e Bradesco BBI. A movimentação dos interessados evidencia o apetite robusto por infraestrutura brasileira neste momento. Não é apenas sobre comprar um porto. É sobre garantir acesso a fluxos de minério, diversificar portfólios de infraestrutura em um país com demanda crescente, e posicionar-se em um mercado onde a produção de commodities segue sendo motor econômico. A venda do Porto Sudeste, portanto, é menos um desfecho para o projeto de Eike Batista e mais um capítulo na reconfiguração de quem controla a logística de commodities brasileira.

A movimentação dos interessados evidencia o apetite por ativos de infraestrutura no Brasil, com players estrangeiros querendo consolidar sua presença local e produtoras de commodities buscando garantir alternativas para escoar sua produção.
— Fonte que acompanha o processo
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que um fundo como a BlackRock, através da GIP, estaria interessado em um porto específico no Brasil?

Model

Porque infraestrutura portuária gera fluxo de caixa previsível e de longo prazo. Um porto que movimenta vinte e cinco milhões de toneladas de minério por ano não é um ativo volátil. É uma máquina de gerar receita.

Inventor

Mas por que agora? O porto existe desde 2015.

Model

Porque o Brasil virou alvo. Fundos estrangeiros estão consolidando presença aqui. A GIP comprou data centers, entrou em energia renovável com a Vale. O Porto Sudeste é a próxima peça do quebra-cabeça.

Inventor

E a Vale e a Gerdau? Por que elas querem comprar seu próprio porto?

Model

Porque garantem controle sobre como sua produção sai do país. Não dependem mais de terceiros. É segurança de supply chain.

Inventor

Cinco bilhões é muito dinheiro para um porto que movimenta apenas metade de sua capacidade.

Model

Verdade. Mas o potencial está lá. Petróleo e gás estão chegando. A ferrovia conecta direto a Minas Gerais. Quem compra está apostando no crescimento, não apenas na operação atual.

Inventor

O que acontece com Eike Batista nessa história?

Model

Ele saiu há muito tempo. Quando quebrou, perdeu o ativo. O Mubadala pegou a dívida e transformou em participação. Agora o Mubadala vende. Eike não ganha nada disso.

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