Por que sentimos mais fome no inverno? Hormônios explicam o apetite aumentado

O corpo não está traindo você no inverno — está seguindo um script antigo
Entender a fisiologia do apetite aumentado permite trabalhar com o corpo, não contra ele.

A cada inverno, o corpo humano repete um roteiro antigo escrito pela evolução: diante do frio, ele queima mais energia para manter a temperatura interna e reduz hormônios como a serotonina e a leptina, que regulam a saciedade. O resultado é uma fome mais intensa e uma atração por alimentos calóricos — não uma fraqueza de vontade, mas uma resposta fisiológica profundamente enraizada. O desafio contemporâneo está em reconhecer esse impulso sem ser dominado por ele, especialmente quando o sedentarismo do inverno amplifica o que a biologia já iniciou.

  • O frio força o organismo a gastar mais energia apenas para manter a temperatura corporal estável, disparando sinais de fome que chegam ao cérebro com urgência real.
  • Com menos luz solar, a produção de serotonina e leptina cai, deixando o corpo sem seus principais reguladores de saciedade e criando um ciclo de desejo por carboidratos e alimentos densos.
  • O especialista Marcelo Bechara alerta que o verdadeiro risco não está na fome em si, mas na combinação perigosa entre apetite elevado e inatividade física típica dos meses frios.
  • Ganho de peso e desconforto metabólico surgem quando o comportamento natural vira excesso — e os efeitos se estendem muito além do inverno.

Quando o frio chega, muita gente percebe uma fome diferente — mais persistente, mais voltada para alimentos quentes e calóricos. Não se trata de falta de disciplina. O organismo está respondendo a um desafio básico de sobrevivência: manter a temperatura interna estável consome mais energia, e esse processo — chamado termorregulação — envia sinais contínuos ao cérebro pedindo mais combustível.

Há ainda outro mecanismo em jogo. Com os dias mais curtos e menos exposição solar, o corpo reduz a produção de serotonina e leptina — hormônios que regulam o bem-estar e a saciedade. Sem eles em níveis adequados, o organismo fica em estado de alerta permanente, buscando alimentos ricos em carboidratos e calorias como estratégia evolutiva para acumular energia.

O médico Marcelo Bechara, especialista em hormonologia e longevidade, descreve esse comportamento como uma resposta fisiológica pura — e não o problema em si. O problema surge quando esse impulso natural se combina com o sedentarismo típico do inverno. Sair menos, mover-se menos e comer mais é uma equação que leva a ganho de peso e consequências metabólicas que persistem além da estação.

Compreender essa dinâmica muda a relação com o próprio corpo. A fome do inverno é real, os hormônios estão de fato alterados, o gasto energético é genuinamente maior. Reconhecer isso permite responder com consciência: manter o movimento mesmo com frio, escolher alimentos que satisfazem sem descontrolar — não lutar contra a biologia, mas navegar com ela.

Quando o inverno chega e as temperaturas caem, muita gente sente uma fome diferente — mais intensa, mais constante, especialmente por alimentos quentes e reconfortantes. Não é fraqueza, não é só na cabeça. O corpo está fazendo exatamente o que deveria fazer.

Quando o frio aperta, o organismo enfrenta um desafio básico de sobrevivência: manter a temperatura interna estável. Para isso, gasta mais energia. Muito mais energia. Esse esforço contínuo de manter o calor corporal — um processo chamado termorregulação — dispara uma cascata de sinais que chegam ao cérebro pedindo combustível. O apetite aumenta porque o corpo está, literalmente, queimando mais calorias só para existir.

Mas há outro mecanismo em jogo, igualmente importante. Durante os meses mais frios, quando os dias ficam mais curtos e a exposição à luz solar diminui, o corpo reduz a produção de hormônios cruciais para o bem-estar e a sensação de saciedade. A serotonina cai. A leptina cai. Esses hormônios são como os guardiões do apetite — quando estão em níveis adequados, dizem ao cérebro que você já comeu o suficiente. Quando desaparecem, o corpo fica confuso, sempre pedindo mais.

O médico especialista em hormonologia e longevidade Marcelo Bechara descreve isso como uma resposta fisiológica pura. Quando o frio chega e os dias escurecem, o organismo não apenas gasta mais energia — ele também muda suas preferências alimentares. Passa a buscar alimentos densos em calorias, ricos em carboidratos, doces. É uma estratégia evolutiva: o corpo está tentando acumular energia rápida para enfrentar o período difícil. Faz sentido biológico.

O problema, segundo Bechara, não está nesse impulso natural. O problema começa quando esse comportamento se transforma em excesso, especialmente quando acompanhado de sedentarismo. Durante o inverno, as pessoas tendem a sair menos, se mexer menos, passar mais tempo dentro de casa. Quando você combina um apetite aumentado com uma atividade física reduzida, o resultado é previsível: ganho de peso, desconforto metabólico, e uma série de consequências que se estendem para além da estação fria.

Entender essa dinâmica é o primeiro passo. O corpo não está traindo você no inverno — está seguindo um script antigo, escrito pela evolução. A questão é como você responde a esse script. Reconhecer que a fome é real, que os hormônios estão realmente mudando, que o gasto energético é genuinamente maior — isso permite tomar decisões mais conscientes. Não se trata de lutar contra o corpo, mas de trabalhar com ele, mantendo movimento mesmo quando faz frio, escolhendo alimentos que satisfazem sem descontrolar.

É uma resposta fisiológica do organismo. Durante períodos mais frios, o corpo tende a buscar fontes rápidas de energia e conforto, aumentando a vontade de consumir alimentos mais calóricos, principalmente doces e carboidratos. O problema acontece quando esse comportamento vira excesso e vem acompanhado de sedentarismo.
— Dr. Marcelo Bechara, especialista em hormonologia e longevidade
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o corpo não consegue simplesmente manter o apetite igual o ano todo?

Model

Porque o inverno é um desafio antigo. Manter a temperatura corporal em um ambiente frio exige energia real — não é uma ilusão. O corpo está queimando mais calorias só para existir, então pede mais combustível.

Inventor

E a serotonina? Por que ela cai especificamente no inverno?

Model

Está ligado à luz solar. Menos luz significa menos estímulo para produzir serotonina. É um mecanismo que evoluiu para nos fazer buscar alimento e energia quando os recursos naturais ficam escassos.

Inventor

Então ganhar peso no inverno é inevitável?

Model

Não inevitável, mas natural. O apetite aumentado é real. O que muda tudo é o que você faz com esse apetite — se você continua se movendo, escolhendo bem, ou se entrega ao sedentarismo.

Inventor

Qual é o ponto de virada? Quando a fome normal vira problema?

Model

Quando o comportamento se torna excesso sem compensação. Um pouco mais de comida no inverno é esperado. Muito mais comida, menos movimento, semanas seguidas — aí você está criando um problema que vai além da estação.

Inventor

Isso significa que pessoas em climas frios estão sempre lutando contra isso?

Model

Estão sempre navegando isso. Mas conhecer o mecanismo muda o jogo. Você não está fraco ou sem disciplina — você está respondendo a sinais reais do corpo. A questão é responder com inteligência.

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