Plataforma de IA madeirense para detecção precoce de cancro da mama e próstata

Estamos a construir uma ferramenta que lhe devolve tempo e lhe dá mais um instrumento
O director executivo da Vipa.pt explica que a IA é um apoio à decisão clínica, não um substituto do médico.

Na Madeira, uma empresa regional deu início a um projecto que coloca a inteligência artificial ao serviço da vida humana mais vulnerável: aquela que ainda não sabe que está em risco. Com três milhões de euros e dois anos de trabalho pela frente, a Vipa.pt propõe-se ajudar médicos a detectar cancros da mama e da próstata em fases mais precoces — sem que nenhum dado sensível abandone o território insular. É uma aposta na soberania dos dados clínicos tanto quanto na soberania da saúde das pessoas.

  • O cancro da mama e da próstata continuam a ser dois dos diagnósticos mais prevalentes na Madeira, e cada dia de atraso num rastreio pode custar caro em termos de prognóstico.
  • A Vipa.pt lançou o SmartHealth com um investimento de três milhões de euros, aprovado pelo Banco Português de Fomento, para desenvolver uma plataforma de IA de apoio ao rastreio oncológico.
  • Toda a análise de dados clínicos e imagiológicos será processada localmente na Madeira, sem recurso a servidores externos, numa resposta directa às preocupações crescentes sobre privacidade e soberania dos dados de saúde.
  • A plataforma está a ser construída em parceria com a Universidade da Madeira e a Fundação Champalimaud, combinando engenharia regional com investigação científica de referência nacional.
  • Nos próximos 24 meses, a equipa desenvolverá os modelos de IA, realizará testes clínicos em ambiente piloto e preparará a integração com os serviços regionais de saúde.
  • O objectivo não é substituir o médico, mas libertar-lhe tempo e oferecer-lhe um instrumento adicional — uma distinção que define a filosofia de toda a iniciativa.

A empresa madeirense Vipa.pt lançou o SmartHealth, um projecto de inteligência artificial destinado à detecção precoce do cancro da mama e da próstata. Com um investimento elegível de três milhões de euros e uma duração de dois anos, a iniciativa foi aprovada pelo Banco Português de Fomento através da linha PRR para a reindustrialização da Madeira.

O traço mais distintivo do projecto é a sua arquitectura de dados: toda a análise clínica e imagiológica será realizada em território madeirense, sem recurso a servidores em nuvem pública. A decisão reflecte uma preocupação crescente com a protecção de informação sensível dos doentes e com a soberania dos dados clínicos.

A plataforma assenta em três pilares: análise de imagens mamográficas com geração de indicadores de risco, estratificação de risco para o cancro da próstata com base em marcadores como o PSA, e um assistente de geração de relatórios clínicos com modelos de linguagem executados localmente. O desenvolvimento conta com a parceria da Universidade da Madeira — responsável pela validação metodológica — e da Fundação Champalimaud, que apoiará a curadoria dos dados de treino.

Pedro Paixão, director executivo da Vipa.pt, sublinhou que a ferramenta não pretende substituir o médico, mas devolver-lhe tempo e oferecer-lhe um instrumento adicional de detecção precoce. A empresa está em contacto com as autoridades regionais de saúde para aceder a dados anonimizados e recrutar profissionais para a fase de testes clínicos, prevista para os próximos dois anos.

A empresa madeirense Vipa.pt deu hoje o pontapé de saída no SmartHealth, um projecto ambicioso que pretende colocar a inteligência artificial ao serviço da detecção precoce de dois dos cancros mais prevalentes na região — o da mama e o da próstata. O investimento elegível ronda os três milhões de euros, com uma duração prevista de dois anos, e foi aprovado pelo Banco Português de Fomento através da linha PRR dedicada à reindustrialização da Região Autónoma da Madeira.

O que distingue esta iniciativa é a forma como foi concebida: toda a análise de dados clínicos e imagiológicos ocorrerá em território madeirense, sem recurso a servidores em nuvem pública. A empresa justifica esta escolha com a necessidade de proteger informações sensíveis dos doentes e garantir a soberania dos dados clínicos — uma preocupação crescente em projectos de saúde digital. Nenhum ficheiro sairá da região; nenhuma informação pessoal será processada fora das fronteiras de Madeira.

O SmartHealth será desenvolvido em parceria com a Universidade da Madeira e com o Programa de Investigação em Cancro da Mama da Fundação Champalimaud, liderado pela professora Maria-João Cardoso. A plataforma terá três pilares principais: um sistema de análise de imagens mamográficas capaz de gerar indicadores de risco e sinalizar casos que exigem atenção prioritária; um módulo de estratificação de risco para o cancro da próstata, baseado em marcadores como o PSA e outras variáveis clínicas; e um assistente para geração de relatórios clínicos, utilizando modelos de linguagem executados localmente.

Pedro Paixão, director executivo da Vipa.pt, foi claro sobre o propósito da ferramenta: não se trata de substituir o médico, mas de lhe devolver tempo e de lhe oferecer um instrumento adicional para detectar casos em fases mais precoces. "Não estamos a construir uma tecnologia que substitui o médico. Estamos a construir uma ferramenta que lhe devolve tempo e lhe dá mais um instrumento de deteção precoce, num contexto em que cada dia conta", afirmou em comunicado. Paixão sublinhou também a importância da colaboração entre entidades regionais e nacionais — o financiamento do PRR, o conhecimento científico das universidades e fundações, e a capacidade de engenharia da empresa.

A Universidade da Madeira será responsável por reforçar as competências tecnológicas regionais e validar metodologicamente os modelos de IA. A Fundação Champalimaud fornecerá apoio técnico-científico na preparação e curadoria dos dados clínicos e imagiológicos que servirão para treinar e validar os algoritmos. Entretanto, a Vipa.pt está em contacto com as autoridades regionais de saúde para obter acesso a dados anonimizados e para recrutar profissionais de saúde que participem na fase de testes.

O projecto encontra-se ainda numa fase inicial de planeamento e preparação de dados. Nos próximos dois anos, a equipa deverá desenvolver os modelos de IA, integrar a plataforma, realizar validação clínica em ambiente piloto e preparar a disseminação dos resultados junto do ecossistema regional. O objectivo final é aumentar a eficiência dos programas de rastreio através da identificação precoce de casos de maior risco e da redução da carga administrativa associada à elaboração de relatórios — dois ganhos que, em saúde, podem fazer diferença significativa no tempo de resposta e na qualidade do atendimento.

Não estamos a construir uma tecnologia que substitui o médico. Estamos a construir uma ferramenta que lhe devolve tempo e lhe dá mais um instrumento de deteção precoce, num contexto em que cada dia conta
— Pedro Paixão, director executivo da Vipa.pt
Este projecto só existe porque conseguimos juntar, à volta da mesma ambição, o financiamento do PRR, o conhecimento científico da Universidade da Madeira e da Fundação Champalimaud, e a nossa capacidade de engenharia
— Pedro Paixão, director executivo da Vipa.pt
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Porque é que uma empresa de tecnologia em Madeira escolheu processar tudo localmente, em vez de usar a nuvem como fazem quase todas as outras?

Model

Porque estamos a falar de dados clínicos de pessoas reais. Quando um médico faz uma mamografia, essa imagem é sensível. O histórico de um doente é sensível. A lei europeia é clara sobre isto, mas há também uma questão de confiança — se os dados saem da região, há sempre uma sensação de perda de controlo.

Inventor

Mas isso não torna o projecto mais caro e mais lento?

Model

Sim, provavelmente. Mas o PRR financiou isto precisamente porque há uma aposta em reindustrializar a região. Não é apenas sobre tecnologia; é sobre criar capacidade local, empregos, conhecimento que fica cá.

Inventor

Como é que um algoritmo de IA ajuda realmente um médico a detectar cancro mais cedo?

Model

Pense numa mamografia. Um radiologista vê centenas delas por semana. O cansaço é real. Um modelo de IA treinado com milhares de imagens pode sinalizar áreas suspeitas que um olho humano cansado poderia perder. Não substitui o médico — o médico continua a tomar a decisão final — mas dá-lhe um segundo olhar, mais fresco.

Inventor

E no caso do cancro da próstata, como funciona?

Model

Ali o sistema usa dados clínicos — o PSA, a idade, o histórico familiar, outras variáveis. Agrupa os doentes por risco. Alguns precisam de vigilância imediata; outros podem esperar. Isto ajuda a priorizar recursos e a não deixar ninguém cair entre as malhas.

Inventor

Qual é o maior risco deste projecto?

Model

Que os dados não sejam bons o suficiente, ou que o modelo aprenda vieses que existem nos dados históricos. Por isso é que a Fundação Champalimaud está envolvida — para garantir que o que entra no treino é rigoroso e representativo.

Inventor

E se funcionar? O que muda?

Model

Muda tudo. Mais casos detectados cedo. Menos tempo perdido em burocracia. Mais confiança de que ninguém foi esquecido. E uma prova de que a tecnologia de ponta pode ser desenvolvida cá, não importada de fora.

Contact Us FAQ