Planos de saúde: reajustes suspensos em 2020 chegam nas contas de janeiro

Milhões de usuários de planos de saúde enfrentam aumento nas mensalidades e risco de cancelamento de cobertura em caso de inadimplência superior a 60 dias.
O boleto de janeiro será significativamente maior do que o de dezembro
Reajustes suspensos em 2020 chegam concentrados nas mensalidades de janeiro, aumentando a pressão financeira sobre milhões de usuários.

O que foi adiado em nome do alívio nem sempre desaparece — apenas aguarda. A ANS autorizou que operadoras de planos de saúde cobrem, a partir de janeiro de 2021, os reajustes suspensos durante toda a pandemia de 2020, diluídos em até 12 parcelas mensais. Milhões de brasileiros que dependem de planos individuais ou de pequenas empresas encontram agora boletos mais pesados, lembrando que proteção tem custo, e que custos adiados raramente somem.

  • Os boletos de janeiro chegaram mais altos do que o esperado, surpreendendo usuários que haviam se acostumado com mensalidades congeladas durante todo o ano de 2020.
  • Planos individuais acumularam até oito meses sem reajuste, e agora enfrentam a correção máxima de 8,14% somada à primeira parcela da recomposição retroativa — um impacto duplo em uma única fatura.
  • Autônomos, profissionais liberais e funcionários de pequenas empresas são os mais afetados, enquanto trabalhadores de grandes corporações nunca chegaram a ter seus reajustes suspensos.
  • Usuários que não conseguirem pagar correm risco real de perder a cobertura após 60 dias de inadimplência, com o contrato podendo ser rescindido pela operadora.
  • Há saídas: negociar o parcelamento diretamente com a operadora, recorrer à portabilidade para planos mais baratos ou registrar reclamações na ANS pelo 0800 701 9656 em caso de cobrança indevida.

Os boletos de janeiro trouxeram uma surpresa desagradável para milhões de brasileiros: a cobrança dos reajustes de planos de saúde que haviam sido suspensos durante todo o ano de 2020. A ANS tomou a decisão de congelar os aumentos no auge da pandemia para proteger o orçamento das famílias, mas autorizou que as operadoras retomassem a cobrança a partir deste mês, parcelada em até 12 vezes.

A suspensão valeu para três categorias: planos individuais, coletivos por adesão e empresariais com até 29 funcionários. Quem trabalhava em grandes empresas, com 30 ou mais colaboradores, nunca deixou de pagar os reajustes normalmente. Isso significa que autônomos e funcionários de pequenas e médias empresas são os mais impactados agora.

Os planos individuais enfrentam situação ainda mais pesada. Como a ANS adiou a divulgação do percentual máximo de correção que deveria ter sido aplicado em maio, esses usuários acumularam oito meses sem reajuste. O percentual máximo autorizado para janeiro é de 8,14%, cobrado junto com a primeira parcela da recomposição retroativa — tornando o boleto de janeiro consideravelmente maior que o de dezembro.

Os documentos de cobrança devem discriminar claramente cada componente: mensalidade reajustada, valor da recomposição e o número da parcela em curso. É possível negociar um parcelamento diferente com a operadora, mas a iniciativa precisa partir do próprio usuário. Quem trocar ou cancelar o plano durante esse período ainda assim deverá pagar os valores suspensos.

O risco de perder a cobertura é concreto: inadimplência superior a 60 dias autoriza a rescisão do contrato. Para quem receber cobranças que considere indevidas, o caminho passa pela operadora, depois pela ANS, pelo consumidor.gov.br, pelo Procon e, em último caso, pelo Judiciário — onde o Código de Defesa do Consumidor garante reembolso em dobro de valores cobrados irregularmente.

Os boletos de janeiro chegaram com uma cobrança que muitos brasileiros não esperavam encontrar. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) autorizou que as operadoras de planos de saúde incluíssem, a partir deste mês, os reajustes que haviam sido suspensos durante todo o ano de 2020 — uma decisão tomada no auge da pandemia para aliviar o orçamento das famílias. Agora, milhões de usuários enfrentam uma conta maior nas mensalidades, com a cobrança dos aumentos anuais e das mudanças de faixa etária que ficaram congeladas.

A suspensão de 2020 atingiu três categorias de planos: os individuais, os coletivos por adesão e os empresariais com até 29 funcionários. Quem tinha cobertura oferecida por grandes empresas, com 30 ou mais colaboradores, não foi afetado pela medida. Isso significa que a maioria dos trabalhadores em grandes corporações continuou pagando normalmente, enquanto milhões de autônomos, profissionais liberais e funcionários de pequenas e médias empresas tiveram seus reajustes congelados — e agora precisam arcar com a conta.

A forma como a cobrança será feita traz algum alívio, mas também complexidade. Os reajustes suspensos entre setembro e dezembro de 2020 serão divididos em 12 parcelas iguais, começando em janeiro. Para os planos individuais, a situação é ainda mais pesada: como a ANS adiou a divulgação do percentual máximo de correção que deveria ter sido aplicado em maio, esses usuários acumularam oito meses sem reajuste, não apenas quatro. O percentual máximo autorizado para janeiro é de 8,14%, e esse valor será cobrado junto com a primeira parcela da recomposição dos meses anteriores. Tudo isso significa que o boleto de janeiro será significativamente maior do que o de dezembro.

Os boletos devem vir com discriminação clara: o valor da mensalidade reajustada, o valor relativo à recomposição e a informação de qual parcela está sendo cobrada — "parcela 1/12", por exemplo. A ANS orienta que consumidores entrem em contato com as operadoras para esclarecer dúvidas sobre os percentuais específicos. Existe a possibilidade de negociar um número diferente de parcelas, desde que haja concordância entre as partes, mas essa negociação exige iniciativa do próprio usuário.

Para quem não conseguir arcar com o aumento, existem caminhos. A portabilidade permite trocar de plano dentro da mesma operadora ou migrar para outra empresa, sem cumprir novos períodos de carência — desde que o plano não esteja cancelado e o usuário não esteja em atraso. O Guia ANS de Planos de Saúde, disponível no site da agência, lista os planos compatíveis. Mas há uma armadilha: se o beneficiário trocar ou cancelar o plano durante o período de cobrança dos valores suspensos, ainda assim terá que pagar a diferença, embora possa negociar o parcelamento.

O risco de perder a cobertura é real. A inadimplência superior a 60 dias, consecutivos ou não nos últimos 12 meses, autoriza a operadora a rescindir o contrato. Antes disso, a empresa deve alertar o consumidor até o 50º dia de atraso sobre o débito e a possibilidade de cancelamento. Em planos coletivos, as regras dependem do que está escrito no contrato.

Para quem receber uma cobrança que acredita ser indevida, o caminho começa na operadora. Se não resolver, é possível registrar queixa na ANS pelo site ou pelo telefone 0800 701 9656. Existem também as plataformas de intermediação de conflitos do governo federal (consumidor.gov.br) e o Procon. A última alternativa é o Judiciário, onde o Código de Defesa do Consumidor garante reembolso em dobro do valor cobrado indevidamente. O que começou como um alívio temporário em 2020 agora se transforma em pressão financeira para milhões de brasileiros que dependem de cobertura de saúde suplementar.

A operadora deve alertar o consumidor até o 50º dia de inadimplência sobre o débito e a possibilidade de cancelamento
— Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
A troca do plano ou o cancelamento do contrato durante o período de cobrança dos valores suspensos não isentam o beneficiário do pagamento dos valores que deixaram de ser cobrados em 2020
— Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a ANS decidiu suspender os reajustes em 2020 e não simplesmente cancelá-los?

Model

A suspensão foi uma medida de proteção temporária durante a pandemia, reconhecendo que as famílias estavam em dificuldade. Mas as operadoras precisavam ser ressarcidas em algum momento — a ideia era apenas adiar, não perdoar.

Inventor

Então quem pagou o custo real dessa suspensão durante 2020?

Model

As operadoras. Elas deixaram de cobrar aumentos que teriam direito, absorvendo a perda. Agora estão recuperando esse dinheiro, e o consumidor é quem sente o impacto concentrado em janeiro.

Inventor

Por que os planos de grandes empresas não foram afetados?

Model

Porque esses planos têm dinâmica diferente — geralmente têm negociações anuais entre a empresa e a operadora. A ANS focou em proteger indivíduos e pequenos grupos, que têm menos poder de barganha.

Inventor

Se alguém não conseguir pagar em janeiro, qual é realmente a saída?

Model

A portabilidade é a mais viável — trocar para um plano mais barato na mesma operadora ou em outra. Mas exige que o usuário não esteja em atraso. Se já está atrasado, fica preso.

Inventor

E se a pessoa mudar de plano, fica livre da dívida dos reajustes suspensos?

Model

Não. A ANS deixou claro que trocar ou cancelar o plano não isenta do pagamento. A operadora pode parcelar, mas a cobrança persiste.

Inventor

Qual é o maior risco aqui para o consumidor?

Model

Perder a cobertura por inadimplência. Sessenta dias de atraso e a operadora pode cancelar. Em um país onde saúde pública está sobrecarregada, ficar sem plano é ficar sem rede de segurança.

Contact Us FAQ