Planalto Mirandês exige VMER devido à distância dos hospitais

Populações em territórios afastados enfrentam risco de vida devido à falta de acesso rápido a serviços de emergência médica.
Tem de haver um socorro rápido e imediato nesses territórios mais afastados
A CIM defende que populações remotas precisam de acesso imediato a emergência médica, não apenas de helicópteros ocasionais.

No coração de Trás-os-Montes, onde as estradas longas separam as aldeias dos hospitais, a distância tornou-se uma questão de vida ou morte. A Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes levou ao Ministro da Saúde uma exigência antiga e urgente: que o Estado coloque uma Viatura Média de Emergência e Reanimação no Planalto Mirandês, reconhecendo que a geografia não pode continuar a ser uma sentença. Manuel Pizarro prometeu visitar Bragança em fevereiro — um gesto que a região espera que se converta em respostas concretas.

  • Quando uma emergência médica acontece no Planalto Mirandês, os minutos perdidos a caminho do hospital mais próximo podem custar uma vida.
  • O helicóptero do INEM em Macedo de Cavaleiros existe, mas a sua disponibilidade é incerta — e a incerteza, nestes territórios, tem consequências fatais.
  • Além da falta de meios de emergência, os médicos de família estão a reformar-se sem que ninguém os substitua, aprofundando o vazio de cuidados básicos.
  • Os autarcas traçaram uma linha vermelha: o encerramento da maternidade e dos serviços de Obstetrícia nunca será aceite pela CIM.
  • O Ministro da Saúde comprometeu-se a visitar a região em fevereiro, mas a promessa deixa em aberto se as soluções serão as que o território realmente precisa.

Os concelhos do Planalto Mirandês vivem há muito com uma realidade que se torna cada vez mais difícil de ignorar: a distância aos hospitais do distrito de Bragança é tão grande que, em situações de emergência, pode determinar a diferença entre a vida e a morte. Foi com esta urgência que a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes se reuniu com o Ministro da Saúde, Manuel Pizarro, no Porto, exigindo a instalação de uma VMER na região.

Jorge Fidalgo, presidente da CIM, explicou o problema com clareza: os três hospitais do distrito ficam demasiado longe dos concelhos do planalto, criando um vazio de cobertura que afecta directamente a capacidade de socorro rápido. Vinhais foi citado como exemplo paradigmático. Embora exista um helicóptero do INEM estacionado em Macedo de Cavaleiros, Fidalgo alertou que este meio nem sempre está disponível quando é necessário.

A reunião revelou ainda outras fragilidades. Os médicos de saúde geral e familiar estão a reformar-se sem que as vagas sejam preenchidas, e a Unidade Local de Saúde do Nordeste enfrenta carências em várias especialidades. Num ponto, a CIM foi categórica: o encerramento da maternidade e dos serviços de Obstetrícia é uma linha que não aceitará ver cruzada, sabendo o que significaria para uma grávida ter de percorrer dezenas de quilómetros no momento mais crítico.

Manuel Pizarro comprometeu-se a visitar Bragança na primeira quinzena de fevereiro para verificar pessoalmente as situações e apresentar soluções. A região aguarda — com a esperança de que as respostas estejam à altura das necessidades, e não apenas dos limites do orçamento.

Os concelhos do Planalto Mirandês enfrentam um problema que não é novo, mas que se torna cada vez mais urgente: quando alguém precisa de ajuda médica de emergência, a distância até ao hospital mais próximo pode ser fatal. A Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes levou esta preocupação directamente ao ministro da Saúde, exigindo a instalação de uma Viatura Média de Emergência e Reanimação (VMER) na região, um equipamento que poderia reduzir significativamente o tempo de resposta em situações críticas.

Jorge Fidalgo, presidente da CIM, explicou o cerne do problema durante uma reunião com Manuel Pizarro no Porto na segunda-feira passada: os três hospitais que servem o distrito de Bragança ficam demasiado afastados dos concelhos do Planalto Mirandês. Esta realidade geográfica cria um vazio de cobertura de emergência que afecta directamente a capacidade de prestar socorro rápido. Vinhais é um exemplo que Fidalgo citou, um concelho onde a distância já compromete a qualidade do atendimento de emergência.

A solução que a CIM defende é clara: ou a instalação de uma VMER dedicada à zona, ou outras medidas que garantam resposta imediata às populações mais afastadas. Embora exista um helicóptero do INEM estacionado em Macedo de Cavaleiros, Fidalgo sublinhou que nem sempre este meio está disponível quando é necessário. A realidade é que em territórios remotos, a diferença entre ter acesso a cuidados de emergência em minutos ou em horas pode determinar se alguém sobrevive.

Mas o problema vai além da falta de equipamento de emergência. Durante a mesma reunião, os autarcas levantaram questões igualmente preocupantes sobre recursos humanos. Muitos médicos de saúde geral e familiar estão a reformar-se no distrito, e ninguém está a preencher essas vagas. A situação tende a piorar nos próximos anos, deixando ainda mais pessoas sem acesso a cuidados básicos de saúde. Além disso, a Unidade Local de Saúde do Nordeste enfrenta carências em várias especialidades médicas, uma situação que os autarcas consideram inaceitável.

Um ponto particularmente sensível foi a maternidade e os serviços de Obstetrícia. Fidalgo foi claro: a CIM nunca aceitará o encerramento destes serviços. Para uma mulher grávida numa zona rural, perder o acesso a cuidados obstétricos especializados significa ter de viajar dezenas de quilómetros no momento mais crítico, um risco que ninguém deveria ter de correr.

Manuel Pizarro ouviu as reclamações e fez uma promessa: visitará Bragança na primeira quinzena de fevereiro para reunir com a CIM, verificar pessoalmente as situações e apresentar as soluções que pretende implementar. É um compromisso que deixa em aberto a questão de se as respostas serão aquelas que a região realmente precisa, ou se serão soluções que o ministério consegue oferecer dentro das suas limitações orçamentais e de recursos.

O que dificulta a prestação de socorro nestes concelhos, tal como sucede em Vinhais
— Jorge Fidalgo, presidente da CIM
Nunca aceitaremos o encerramento da maternidade e dos serviços de Obstetrícia
— Jorge Fidalgo
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Porque é que a distância até ao hospital é tão crítica neste caso? Não há outras formas de as pessoas chegarem lá?

Model

A distância não é apenas uma questão de inconveniente. Numa emergência médica — um enfarte, um acidente grave, uma complicação no parto — cada minuto conta. Se demora 45 minutos a chegar ao hospital em vez de 10, a pessoa pode não sobreviver. Uma VMER é um hospital móvel que chega até si.

Inventor

Mas existe um helicóptero do INEM. Porque não resolve o problema?

Model

Porque um helicóptero não pode estar em todo o lado ao mesmo tempo. Tem outras emergências, outras regiões a servir. E há dias em que o tempo não permite voos. Uma VMER é terrestre, está sempre disponível, e pode sair em segundos.

Inventor

Os autarcas mencionaram também a falta de médicos. Isso é um problema separado ou está ligado?

Model

Está tudo ligado. Se não há médicos de clínica geral, as pessoas não têm acesso a cuidados básicos. Quando precisam de emergência, já estão mais frágeis. E se não há obstetras, uma mulher grávida tem de sair da sua região para ter um filho. É um sistema que se desmorona por falta de pessoas.

Inventor

O ministro prometeu uma visita em fevereiro. Isso significa que algo vai mudar?

Model

Significa que o problema foi ouvido ao mais alto nível. Mas uma visita e uma promessa não são a mesma coisa que uma VMER instalada ou médicos contratados. Tudo depende do que o ministério consegue fazer com o orçamento que tem.

Inventor

E se nada mudar até fevereiro?

Model

Então as pessoas continuam a viver com o risco de que uma emergência médica seja uma sentença de morte simplesmente porque nasceram longe de um hospital.

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