Pfizer busca aprovação da primeira vacina contra bronquiolite para gestantes e idosos

O VSR é a principal causa de internação de crianças menores de quatro anos no Brasil, afetando especialmente recém-nascidos e bebês até seis meses de idade.
A primeira vacina que protege recém-nascidos desde o nascimento
A Pfizer descreve o imunizante Abysvo como inovação única para proteger bebês vulneráveis nos primeiros meses de vida.

Há vírus que escolhem os mais frágeis: os que ainda não têm voz própria e os que já viveram o suficiente para merecer proteção. O vírus sincicial respiratório é um desses — principal causa de internação de crianças menores de quatro anos no Brasil, e ameaça silenciosa para idosos. A Pfizer se prepara para pedir à Anvisa a aprovação da vacina Abysvo, já aceita nos Estados Unidos e na União Europeia, que protege recém-nascidos por meio da imunização de suas mães durante a gravidez e oferece escudo direto a pessoas acima de 60 anos. É um passo que pode fechar uma lacuna que o Brasil carrega há tempo demais.

  • O vírus sincicial respiratório é a principal razão pela qual crianças menores de quatro anos lotam hospitais brasileiros — e o país ainda não tem nenhuma vacina contra ele.
  • A Abysvo age com precisão: aplicada em gestantes entre a 32ª e 36ª semana, transfere anticorpos ao bebê pela placenta, protegendo-o nos meses em que é mais vulnerável, com eficácia de 82% contra casos graves.
  • Em idosos, a proteção é ainda mais expressiva — 85,7% contra formas graves —, ampliando o alcance de um imunizante que mira dois grupos historicamente desprotegidos.
  • O pedido formal à Anvisa deve ser feito nas próximas semanas, apoiado em dados de um estudo de fase 3 com mais de sete mil gestantes, quatro centros dos quais estavam no Brasil.
  • Enquanto a aprovação não chega, o palivizumabe — único recurso disponível — é oferecido gratuitamente pelo governo apenas a prematuros, deixando a maioria dos bebês vulneráveis sem cobertura pública.
  • Dados recentes da Fiocruz apontam aumento de casos respiratórios graves em crianças em estados como São Paulo, Espírito Santo e Roraima, com o VSR respondendo por um quinto desses registros.

A Pfizer está prestes a dar um passo inédito no Brasil: pedir à Anvisa a aprovação da vacina Abysvo contra o vírus sincicial respiratório, o agente por trás da bronquiolite que é a principal causa de internação de crianças menores de quatro anos no país. O imunizante já foi liberado nos Estados Unidos e na Europa e tem dois públicos-alvo: gestantes no terceiro trimestre e pessoas com mais de 60 anos.

A lógica da vacina é elegante. Aplicada entre a 32ª e 36ª semana de gravidez, ela induz a produção de anticorpos maternos que atravessam a placenta e chegam ao bebê antes mesmo do nascimento — protegendo-o justamente nos meses em que é mais suscetível ao vírus. A eficácia contra casos graves chega a 82% em crianças de até três meses e 69% naquelas com até seis meses. Em idosos, a proteção contra quadros graves alcança 85,7%.

Esses números vêm de um estudo clínico de fase 3 com mais de sete mil gestantes em dezoito centros ao redor do mundo, quatro deles no Brasil. Adriana Ribeiro, diretora médica da Pfizer no país, descreveu o Abysvo como a primeira opção capaz de proteger recém-nascidos desde o nascimento até os seis meses de vida contra esse vírus.

O cenário brasileiro torna a aprovação urgente. Não existe hoje nenhuma vacina contra o VSR disponível no país. O palivizumabe, recomendado pelas principais sociedades de pediatria, é oferecido gratuitamente pelo governo apenas a prematuros — deixando a maioria dos bebês sem cobertura pública. Ana Paula Burian, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, lembrou que a busca por uma vacina eficaz contra o VSR é antiga, mas que só agora se chegou a algo que realmente funciona.

Dados recentes do InfoGripe, da Fiocruz, mostram aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave em crianças em estados como São Paulo, Espírito Santo e Roraima — um quinto deles causados pelo VSR. A aprovação pela Anvisa, quando vier, representará uma proteção concreta para dois grupos que o sistema de saúde brasileiro ainda deixa expostos: os recém-nascidos e os idosos.

A Pfizer está prestes a solicitar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária a aprovação de uma vacina contra o vírus sincicial respiratório, o agente causador da bronquiolite que mata e hospitaliza crianças pequenas em números que fazem dela a principal razão pela qual menores de quatro anos entram em hospitais brasileiros. O imunizante, já liberado nos Estados Unidos e na Europa, tem um alvo duplo: gestantes no terceiro trimestre de gravidez e pessoas com mais de 60 anos.

A vacina funciona de forma elegante. Quando administrada em mulheres grávidas entre a 32ª e 36ª semana de gestação, ela estimula o corpo materno a produzir anticorpos que atravessam a placenta e protegem o recém-nascido nos primeiros meses de vida — justamente quando o bebê é mais vulnerável ao vírus. O imunizante, chamado Abysvo, mostrou-se capaz de prevenir 82% dos casos graves de doença respiratória em crianças de até três meses e 69% naquelas com até seis meses. Em idosos, a proteção contra quadros graves alcançou 85,7%.

Essas cifras vêm de um estudo clínico de fase 3 que envolveu mais de sete mil gestantes em dezoito centros de pesquisa espalhados pelo mundo, quatro deles no Brasil. Os dados demonstraram segurança e eficácia suficientes para justificar o pedido de aprovação que a Pfizer pretende fazer nas próximas semanas. Adriana Ribeiro, diretora médica da Pfizer no Brasil, descreveu o imunizante como a primeira e única opção disponível para proteger recém-nascidos desde o nascimento até os seis meses contra o vírus sincicial respiratório.

O contexto brasileiro torna essa aprovação particularmente relevante. Atualmente, o país não dispõe de nenhuma vacina contra o VSR. O medicamento palivizumabe, recomendado pelas principais sociedades de pediatria e imunizações, oferece proteção através de cinco injeções durante os meses de maior circulação viral, mas o governo o fornece gratuitamente apenas a bebês prematuros. A bronquiolite — inflamação das ramificações mais finas dos pulmões — é transmitida pelo ar através de partículas de saliva e tem maior incidência nos meses frios, embora circule durante todo o ano.

Ana Paula Burian, pediatra, infectologista e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, contextualizou a importância do desenvolvimento. A busca por uma vacina eficaz contra o VSR não é recente, explicou ela, mas até agora ninguém havia conseguido algo que funcionasse de verdade. A estratégia de vacinar gestantes também não é nova — o Brasil já faz isso para gripe, coqueluche, tétano e hepatite B. O que muda agora é a possibilidade de estender essa proteção materna a um vírus que causa desfechos graves em bebês muito pequenos.

Os dados epidemiológicos reforçam a urgência. O boletim InfoGripe da Fiocruz divulgado recentemente mostrou aumento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave em crianças de dois a quatorze anos em estados como Espírito Santo, Roraima e São Paulo. Um quinto desses casos é causado pelo VSR. A aprovação pela Anvisa, quando vier, preencherá uma lacuna importante na proteção de dois grupos particularmente vulneráveis: recém-nascidos e idosos, ambos enfrentando risco elevado de infecções respiratórias graves causadas por esse vírus.

Essa é a primeira e única imunização disponível para proteger os recém-nascidos imediatamente após o seu nascimento e até os seis meses de idade contra o VSR
— Adriana Ribeiro, diretora médica da Pfizer no Brasil
A busca por essa vacina é antiga, não se trata de uma modinha; o problema é que até agora ninguém tinha conseguido algo que funcionasse
— Ana Paula Burian, pediatra e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que levou tanto tempo para desenvolver uma vacina contra o VSR se ele é tão comum e causa tantas hospitalizações?

Model

O vírus é biologicamente desafiador. Ele tem características que dificultam a resposta imunológica tradicional. Tentativas anteriores de vacina, décadas atrás, até pioraram a doença em alguns casos. Isso deixou a comunidade científica cautelosa. Só recentemente a tecnologia permitiu uma abordagem que funciona de verdade.

Inventor

A estratégia de vacinar a mãe para proteger o bebê — isso é novo ou já fazem isso com outros vírus?

Model

Já fazem. Gripe, coqueluche, tétano, hepatite B — as gestantes recebem essas vacinas especificamente para passar anticorpos ao bebê. O que é novo aqui é aplicar essa lógica ao VSR, que é a principal causa de hospitalização de crianças pequenas no Brasil.

Inventor

E os idosos? Por que eles também precisam da vacina se já têm sistema imunológico formado?

Model

Porque o sistema imunológico envelhece. Acima dos 60 anos, a capacidade de responder a infecções respiratórias graves diminui significativamente. O VSR em um idoso pode virar pneumonia ou complicações sérias. A vacina oferece proteção direta, não dependendo de anticorpos maternos.

Inventor

O medicamento palivizumabe já existe e funciona. Por que a vacina é melhor?

Model

O palivizumabe é um anticorpo monoclonal — você recebe cinco injeções durante os meses de risco. É eficaz, mas caro, inconveniente e o governo só oferece para prematuros. Uma vacina é uma dose ou duas, mais simples, mais acessível potencialmente. Muda a escala de proteção possível.

Inventor

Qual é o risco de a Anvisa não aprovar?

Model

Baixo, dado que a vacina já passou por aprovação rigorosa nos EUA e Europa, e os dados de fase 3 são sólidos. Mas a Anvisa tem seus próprios critérios. O que importa agora é quanto tempo leva a aprovação e se o preço fica acessível para quem realmente precisa.

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