Petróleo dispara 3,5% após retomada de ataques entre EUA e Irã

A era dos acordos unilaterais acabou. Cumpram a palavra ou paguem o preço.
Negociador iraniano responde ao colapso do cessar-fogo e retorno dos ataques entre EUA e Irã.

Brent abriu a US$ 78,69 no domingo, alta de 3,53%, impulsionado pelo fechamento do estreito de Hormuz anunciado pela Guarda Revolucionária iraniana. Preços caíram desde junho (US$ 100) após cessar-fogo, mas voltaram a subir com retorno da instabilidade no Oriente Médio na semana passada.

  • Brent subiu 3,53% no domingo, fechando a US$ 78,69, impulsionado pelo fechamento do Hormuz
  • Preços caíram de US$ 100 em junho para US$ 76,01 em 10 de julho após cessar-fogo
  • Irã bloqueou o estreito de Hormuz no sábado; disparou tiro de advertência e imobilizou navios
  • Negociações em Mascate no sábado falharam em resolver gestão do estreito
  • Conflito iniciado em 28 de fevereiro; cessar-fogo durou menos de um mês

Contratos futuros do Brent subiram 3,53% após ataques entre EUA e Irã e fechamento do estreito de Hormuz, revertendo queda de preços desde acordo de paz em junho.

O preço do petróleo Brent saltou 3,53% na abertura dos negócios de domingo, 12 de julho, fechando a primeira hora do pregão cotado a US$ 78,69 o barril. A alta abrupta reverteu semanas de queda e refletiu uma realidade geopolítica que havia parecido resolvida apenas um mês antes: os Estados Unidos e o Irã voltaram aos ataques, e Teerã anunciou o fechamento do estreito de Hormuz, uma das artérias mais críticas do comércio global de petróleo.

Desde junho, quando os dois países assinaram um cessar-fogo que foi celebrado como vitória diplomática do presidente Donald Trump, os preços haviam caído consistentemente. Em junho, o Brent era negociado em torno de US$ 100; na sexta-feira anterior, 10 de julho, havia recuado para US$ 76,01. Aquele acordo prometia reabrir o estreito e encerrar uma guerra que começara em 28 de fevereiro. Mas a trégua não resistiu. Na semana anterior, Trump declarou publicamente que considerava o acordo provisório como encerrado, reabrindo a possibilidade de novas negociações — ou de nenhuma negociação.

No sábado, 11 de julho, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou o fechamento do estreito de Hormuz. Trump respondeu em rede social afirmando que o estreito "está aberto", mesmo enquanto o tráfego na região despencava após Teerã atingir dois petroleiros. A contradição entre as declarações públicas e a realidade operacional no terreno refletia a profundidade da ruptura. O Irã emitiu alertas para que navios não circulassem sem autorização. Durante a noite de sábado, disparou um tiro de advertência contra uma embarcação em rota não autorizada. No domingo, uma segunda embarcação foi imobilizada.

Ao longo do domingo, as forças dos dois países trocaram ataques com mísseis e drones. O Irã atacou instalações americanas em Kuwait, Bahrein e Jordânia. Pela primeira vez desde abril, o Qatar — um mediador crucial nas negociações de cessar-fogo — foi alvo dos ataques. Os Emirados Árabes Unidos, que também não eram atingidos desde maio, afirmaram ter interceptado mísseis e drones iranianos. A mídia iraniana relatou ataques americanos ao redor do porto de Bandar Abbas e na ilha de Qeshm, ambas localizadas no estreito.

A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, controlada pelo Irã, declarou que a passagem estava bloqueada devido ao que chamou de "movimentos ilegais recentes das forças militares dos Estados Unidos na região". Disse que as permissões seriam retomadas quando a "estabilidade e a calma forem restabelecidas" — uma formulação vaga que deixava em aberto quanto tempo duraria o bloqueio.

Os mercados reagiram com volatilidade. O WTI (West Texas Intermediate), usado nos Estados Unidos, subiu 3,93% na semana, encerrando sexta-feira cotado a US$ 71,41. A alta semanal foi a maior desde a semana de 10 de maio, quando o WTI havia subido mais de 10%. Na semana anterior, com o retorno da instabilidade, o Brent havia subido 5,39% após quatro semanas consecutivas de queda.

Negociações em Mascate, realizadas no sábado, focaram especificamente na gestão do estreito de Hormuz. Mas falharam. O Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou os Estados Unidos de terem pressionado Omã para impedir que se chegasse a um resultado. Mohammad Baqer Qalibaf, principal negociador iraniano, publicou no X no domingo: "a era dos acordos unilaterais acabou. Nós avisamos: cumpram a palavra ou paguem o preço. A realidade está batendo à porta."

Trump deixou em aberto uma nova rodada de negociações para encerrar os conflitos. O que estava resolvido há semanas agora era novamente incerto. E o preço do petróleo, que havia caído enquanto a paz parecia possível, voltava a subir enquanto a guerra retornava.

A era dos acordos unilaterais acabou. Nós avisamos: cumpram a palavra ou paguem o preço. A realidade está batendo à porta.
— Mohammad Baqer Qalibaf, principal negociador do Irã
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que o preço do petróleo sobe quando há conflito no Oriente Médio? Não deveria ser o oposto?

Model

Porque o Hormuz é um gargalo. Um terço do petróleo marítimo do mundo passa por ali. Quando há risco de bloqueio ou ataques a navios, os compradores ficam nervosos. Pagam mais caro para garantir suprimento.

Inventor

Mas Trump disse que o estreito está aberto. Por que os mercados não acreditaram nele?

Model

Porque as ações falam mais alto que as palavras. O Irã estava disparando tiros de advertência contra navios, imobilizando embarcações. Ninguém estava navegando livremente. A declaração de Trump soava como negação da realidade que estava acontecendo.

Inventor

O cessar-fogo durou apenas um mês. Como um acordo tão frágil foi celebrado como vitória?

Model

Porque na época parecia real. Ambos os lados assinaram. Havia esperança de que a guerra de cinco meses finalmente terminaria. Mas Trump nunca fechou completamente a porta para novas negociações, e o Irã tinha suas próprias condições. Quando as coisas ficaram tensas novamente, não havia base sólida para sustentar a paz.

Inventor

O Qatar e os Emirados foram atacados pela primeira vez. O que isso muda?

Model

Muda tudo. Até então, esses países eram considerados mediadores neutros. O Irã os poupava. Agora que estão sendo atacados, sua capacidade de negociar fica comprometida. Eles têm que se defender, não mediar.

Inventor

E as negociações em Mascate? Havia esperança de que funcionassem?

Model

Havia. Focaram especificamente no Hormuz, que é o ponto de estrangulamento real. Mas os EUA pressionaram Omã para bloquear um acordo. Talvez Trump quisesse manter a pressão, ou talvez não acreditasse que o Irã negociaria de boa fé. De qualquer forma, a oportunidade passou.

Inventor

O que vem agora?

Model

Incerteza. O Irã diz que o bloqueio continua até haver "estabilidade e calma". Trump deixa em aberto novas negociações. Ninguém sabe se haverá uma terceira tentativa de cessar-fogo ou se isso vai virar uma guerra prolongada. E enquanto isso, o preço do petróleo fica preso nessa volatilidade.

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