Petro acusa Trump de apoiar "traficantes de droga" na Colômbia

Aprende a estar na oposição como nós estivemos durante 50 anos
Petro aconselha Maduro sobre como aceitar a derrota política, marcando distância de antigos aliados da esquerda.

No palácio presidencial de Bogotá, o presidente cessante Gustavo Petro acusou Donald Trump de romper um acordo de não interferência ao declarar apoio 'total e irrestrito' ao candidato de extrema-direita Abelardo de la Espriella, que venceu a primeira volta das presidenciais colombianas. Para Petro, o gesto americano não é apenas ingerência eleitoral — é a legitimação de uma linhagem política que, segundo ele, sempre esteve entrelaçada com o paramilitarismo e o tráfico de droga. A segunda volta, marcada para 21 de junho, transforma-se assim num campo de batalha onde as alianças internacionais pesam tanto quanto os votos.

  • Trump declarou apoio 'total e irrestrito' a de la Espriella, advogado milionário apelidado de 'O Tigre' que defendeu paramilitares acusados de narcotráfico nos tribunais colombianos.
  • Petro respondeu com acusações diretas: Trump estaria a aliar-se a 'genocidas e traficantes de droga', violando um acordo de não interferência alegadamente assinado em fevereiro na Casa Branca.
  • A tensão entre os dois presidentes já vinha de longe — Trump chamou Petro de 'barão do narcotráfico', e Petro retorquiu que é a direita colombiana que 'sempre esteve ligada ao narcotráfico'.
  • Para contrariar a narrativa americana, Petro apresentou dados sobre a redução de plantações de coca durante o seu governo, segurando uma barra de chocolate produzida por agricultores que substituíram a coca pelo cacau.
  • Com a segunda volta marcada para 21 de junho, a Colômbia aproxima-se de uma escolha que definirá não só o seu rumo interno, mas também o alinhamento do país com Washington e o seu papel na guerra às drogas.

Donald Trump anunciou o seu apoio 'total e irrestrito' a Abelardo de la Espriella, o candidato de extrema-direita que venceu a primeira volta das presidenciais colombianas, cuja segunda volta está marcada para 21 de junho. A declaração provocou uma resposta furiosa do presidente cessante Gustavo Petro, que em entrevista à France-Press no palácio de Bogotá acusou Trump de se aliar a 'genocidas e traficantes de droga' — e de violar um acordo de não interferência que os dois teriam assinado em fevereiro.

De la Espriella, empresário milionário apelidado de 'O Tigre', tem um historial que alimenta essas acusações: defendeu paramilitares acusados de narcotráfico nos tribunais colombianos. Petro descreve-o como representante do 'fascismo mafioso', numa acusação que ecoa décadas de denúncias da esquerda colombiana sobre os laços entre grupos paramilitares, o tráfico de droga e o genocídio contra movimentos progressistas nos anos 1980 e 1990.

As relações entre Petro e Trump já eram tensas: o republicano chamou o presidente colombiano de 'barão do narcotráfico', e Petro retorquiu que é a direita no seu país que 'sempre esteve ligada ao narcotráfico'. Para sustentar o seu argumento, Petro apresentou dados sobre a redução das plantações de coca durante o seu mandato, segurando simbolicamente uma barra de chocolate feita por agricultores que trocaram a coca pelo cacau.

Petro, primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, está impedido constitucionalmente de se recandidatar. Mas não se calou. Distanciou-se também de antigos aliados: afirmou nunca ter regressado à Venezuela após conhecer Hugo Chávez, e revelou ter dito pessoalmente a Nicolás Maduro — hoje preso nos Estados Unidos — que aprendesse 'a estar na oposição'. A segunda volta de 21 de junho será, assim, muito mais do que uma eleição: é um teste às alianças que moldarão o futuro da Colômbia.

Donald Trump anunciou na terça-feira seu apoio "total e irrestrito" a Abelardo de la Espriella, o candidato de extrema-direita que venceu a primeira volta das eleições presidenciais colombianas. A segunda volta está marcada para 21 de junho. A decisão provocou uma resposta furiosa de Gustavo Petro, o presidente cessante da Colômbia, que acusou Trump de se aliar a "genocidas e traficantes de droga".

Em entrevista à agência France-Press na quinta-feira, no palácio presidencial de Bogotá, Petro foi direto: os aliados de Trump na Colômbia vêm do regime narco-paramilitar. Ele acusou o presidente americano de contribuir para levar o crime ao poder político, descrevendo de la Espriella como representante do "fascismo mafioso". A acusação não é nova — a esquerda colombiana há décadas aponta grupos paramilitares como envolvidos tanto no tráfico de droga quanto em genocídio contra movimentos de esquerda durante o auge do conflito que devastou o país nas décadas de 1980 e 1990.

De la Espriella, empresário milionário e advogado apelidado de "O Tigre", tem um histórico que alimenta essas acusações. Ele defendeu paramilitares acusados de tráfico de droga nos tribunais colombianos — um país que é o maior produtor mundial de cocaína. Apesar disso, ou talvez por causa disso, recebeu com satisfação o apoio de Trump, prometendo estabelecer relações "como nunca antes" com os Estados Unidos, que segundo ele desempenha um papel decisivo na luta contra o crime e o narcoterrorismo.

Petro alegou que Trump violou um acordo de não interferência nas eleições colombianas que os dois teriam assinado durante uma visita à Casa Branca em fevereiro. As relações entre os dois líderes estão tensas desde o retorno de Trump à presidência. O magnata republicano chamou Petro de "barão do narcotráfico", enquanto o presidente colombiano retorquiu que é a direita na Colômbia que "sempre esteve ligada ao narcotráfico".

Petro, que se tornou o primeiro presidente de esquerda da história do país em 2022, está constitucionalmente impedido de se candidatar a um segundo mandato. Mas isso não o silenciou. Ele criticou a política americana como "ideológica", dividindo o mundo entre aqueles que pensam como os Estados Unidos e aqueles que não pensam. Para ilustrar seu ponto, segurando uma barra de chocolate feita por agricultores que substituíram plantações de coca por cacau, apresentou dados que, segundo ele, comprovam a diminuição da área de cultivo de coca durante sua presidência.

O presidente colombiano também se distanciou de antigos aliados. Antigo guerrilheiro do movimento M-19 e ex-aliado da Venezuela, Petro marcou distância do presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro, que está preso nos Estados Unidos após ser capturado em janeiro durante uma operação militar americana em Caracas. Petro disse que conheceu Hugo Chávez quando ele estava no poder, entre 1999 e 2013, mas nunca mais voltou à Venezuela depois disso, percebendo "um declínio político". Ele afirmou que falou com Maduro após a reeleição contestada de 2024 e lhe disse pessoalmente: "Aprende a estar na oposição como nós estivemos durante 50 anos na Colômbia".

A segunda volta das eleições colombianas em 21 de junho será um teste de força entre essas visões radicalmente diferentes do país e de suas alianças internacionais.

Os seus aliados na Colômbia vêm do regime narco-paramilitar; são genocidas traficantes de droga
— Gustavo Petro, presidente cessante da Colômbia
Lamento que os indivíduos e os governos que alegam combater o narcotráfico estejam a contribuir para levar o crime ao poder político na Colômbia
— Gustavo Petro
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que Petro está tão furioso com Trump neste momento específico?

Model

Porque Trump não apenas apoiou um candidato — apoiou publicamente alguém que Petro vê como ligado aos mesmos grupos paramilitares que mataram pessoas de esquerda durante décadas. É pessoal e político ao mesmo tempo.

Inventor

Mas Trump diria que está apenas apoiando um candidato que promete combater o narcotráfico.

Model

Sim, mas Petro argumenta que de la Espriella defendeu paramilitares acusados de tráfico nos tribunais. Então há uma contradição aparente — como alguém que combate o narcotráfico pode ter defendido traficantes?

Inventor

Petro menciona um acordo de não interferência assinado em fevereiro. Isso era vinculativo?

Model

Não está claro na fonte, mas Petro claramente acreditava que era. O fato de ele trazer isso à tona sugere que sente que Trump quebrou uma promessa feita pessoalmente.

Inventor

E quanto ao distanciamento de Maduro? Isso parece uma mudança.

Model

É. Petro está sinalizando que não é um aliado automático da esquerda latino-americana — que ele tem seus próprios critérios. Maduro perdeu legitimidade aos seus olhos.

Inventor

O que Petro está tentando fazer ao mostrar a barra de chocolate e os dados sobre coca?

Model

Está dizendo: olhem, eu realmente estou combatendo o narcotráfico, ao contrário do que Trump diz. Está usando evidência concreta para contestar a narrativa de que ele é o problema.

Quieres la nota completa? Lee el original en PÚBLICO ↗
Contáctanos FAQ