Ninguém pode ficar em casa. Vamos em massa às urnas
Castillo e Fujimori, líderes do primeiro turno com 18,9% e 13,4% respectivamente, disputam a presidência peruana pelos próximos cinco anos. Autoridades implementaram votação escalonada e horários especiais para idosos e grupos de risco, com protocolos rigorosos de prevenção à pandemia.
- 25.287.954 eleitores inscritos no Peru e no exterior
- Pedro Castillo (Peru Livre) com 18,9% e Keiko Fujimori (Força Popular) com 13,4% no primeiro turno
- 16.341 peruanos aptos a votar no Brasil em 59 mesas eleitorais
- Primeiros resultados divulgados a partir das 21h (horário de Brasília)
Mais de 25 milhões de peruanos votam neste domingo para escolher entre Pedro Castillo (Peru Livre) e Keiko Fujimori (Força Popular) como próximo presidente, com medidas de distanciamento contra covid-19.
Neste domingo, 6 de junho, mais de 25 milhões de peruanos se dirigem às urnas para escolher o próximo presidente do país. A disputa é entre dois nomes que emergiram como favoritos na primeira rodada de votações: Pedro Castillo, apoiado pelo partido Peru Livre, e Keiko Fujimori, da legenda Força Popular. O vencedor sucederá Francisco Sagasti e governará pelos próximos cinco anos. Castillo havia conquistado 18,9% dos votos válidos em abril, enquanto Fujimori ficou em segundo com 13,4%, criando um cenário de segundo turno que polariza o país.
A Oficina Nacional de Processos Eleitorais registrou 25.287.954 eleitores inscritos para participar da votação de hoje, tanto no território peruano quanto em 3.440 urnas distribuídas no exterior, incluindo 59 mesas eleitorais no Brasil, onde 16.341 peruanos estão habilitados a votar. As cidades brasileiras com maior concentração de votantes são São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, mas o processo se estende também por Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Rio Branco e Salvador.
Com a pandemia de covid-19 ainda presente, as autoridades peruanas implementaram protocolos rigorosos para evitar aglomerações. A recomendação central é a votação escalonada, com eleitores orientados a comparecer em horários específicos conforme o número de seu documento de identidade. Grupos vulneráveis — idosos, gestantes e pessoas em situação de risco — recebem orientação para votar entre 14h e 16h no horário local. Os cidadãos foram instruídos a usar duas máscaras, levar caneta própria, confirmar o local de votação antes de sair de casa e manter distanciamento social, além de higienizar as mãos e objetos com álcool 70%.
Piero Corvetto, chefe da Onpe, fez um apelo direto aos peruanos nesta manhã: "Ninguém pode ficar em casa. Vamos em massa às urnas", disse, reforçando a importância da participação eleitoral mesmo diante dos desafios sanitários. Seu chamado reflete a urgência de legitimar o processo através da participação ampla.
As autoridades eleitorais ofereceram garantias sobre a integridade do pleito. Jorge Luis Salas Arenas, presidente do Jurado Nacional de Elecciones — o tribunal eleitoral peruano — afirmou esta manhã que não há risco de fraudes. Em mensagem dirigida tanto aos peruanos quanto à comunidade internacional, Arenas garantiu que os órgãos eleitorais atuarão "com a mais estrita imparcialidade, respeitando à vontade dos cidadãos do país". O processo está sendo monitorado de perto por observadores internacionais e por representantes de partidos políticos peruanos. Ambos os candidatos à presidência já declararam publicamente que respeitarão os resultados das urnas.
Os primeiros resultados começam a ser divulgados a partir das 21h no horário de Brasília. A votação de hoje representa um momento crítico para o Peru, com duas visões políticas distintas em disputa e a comunidade internacional acompanhando o desenrolar do processo eleitoral.
Citas Notables
Ninguém pode ficar em casa. Vamos em massa às urnas— Piero Corvetto, chefe da Onpe
Os órgãos eleitorais procederão com a mais estrita imparcialidade, respeitando à vontade dos cidadãos do país— Jorge Luis Salas Arenas, presidente do Jurado Nacional de Elecciones
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que essa eleição peruana importa tanto para o resto do mundo?
Porque o Peru é uma economia importante na América do Sul, e a escolha entre Castillo e Fujimori representa duas trajetórias políticas radicalmente diferentes — uma mais à esquerda, outra ligada a um legado de direita. Os observadores internacionais estão atentos.
Castillo saiu na frente no primeiro turno, mas com apenas 18,9%. Isso significa que a maioria votou em outros candidatos?
Exatamente. Numa eleição com múltiplos candidatos, é comum o primeiro colocado ter uma porcentagem modesta. Castillo e Fujimori foram os dois mais votados, mas juntos representam apenas um terço do eleitorado. Isso mostra uma população fragmentada politicamente.
E as medidas contra a covid? Parecem bem pensadas.
Sim, mas também revelam a tensão real: como fazer uma eleição legítima e segura simultaneamente? Votar é um direito, mas a pandemia ainda mata. A votação escalonada por número de documento tenta resolver isso, mas exige disciplina e confiança no sistema.
Fujimori é parente do ex-presidente Alberto Fujimori, certo?
Sim, ela é filha dele. Isso carrega peso político — seu pai governou nos anos 1990 com métodos autoritários, e há quem o veja como responsável por violações de direitos humanos. Outros o creditam com estabilidade econômica. Keiko herda essa ambiguidade.
E Castillo, quem é?
Um professor rural, apoiado pela esquerda. Representa uma mudança radical em relação ao establishment político peruano. Para seus apoiadores, é esperança; para seus críticos, é risco.
Os resultados saem hoje à noite?
A partir das 21h no horário de Brasília. Será uma noite longa para o Peru.