O sedentarismo é o nosso novo cigarro
Sedentarismo é fator de risco principal; exercício físico regular e movimento constante são essenciais para prevenir problemas circulatórios e musculares. Doença arterial periférica afeta 10-25% da população acima de 55 anos e aumenta risco de infarto e AVC em 60%, frequentemente assintomática.
- Doença arterial periférica afeta 10-25% da população acima de 55 anos
- 70-80% dos portadores de DAP são assintomáticos
- Risco 60% maior de infarto e AVC em quem tem DAP
- Lipedema é doença crônica do tecido adiposo que causa dor e comprometimento funcional
Dores, peso e fadiga nas pernas podem indicar problemas circulatórios, hormonais, articulares ou metabólicos que exigem avaliação médica especializada para diagnóstico correto.
Aquela sensação de peso nas pernas ao final do dia, aquela fadiga que não passa mesmo depois de descansar — muitas vezes a gente acha que é só cansaço, resultado de um dia corrido ou de ter ficado em pé demais. Mas quando a dor, o inchaço e a sensação de câimbra começam a aparecer com frequência, o corpo está tentando dizer algo mais importante. Pode ser um aviso de problemas circulatórios, alterações nos ossos e articulações, inflamações, desequilíbrios metabólicos ou até mudanças hormonais que exigem atenção médica real.
A cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, explica que nem toda dor muscular nas pernas é preocupante. Aquela sensação que vem depois de um treino intenso, aquela fadiga que aparece durante ou até 24 horas após o exercício — isso é normal. Acontece porque o ácido lático se acumula nos músculos ou porque há pequenas lesões nas fibras musculares. Com descanso adequado, passa sozinha. Mas se essa dor muscular fica frequente, aí é hora de procurar um médico para investigar se há algum problema circulatório ou musculoesquelético importante, ou se o volume de treino está sendo exagerado.
O paradoxo é que não fazer exercício é muito pior do que fazer. O sedentarismo é uma das principais causas de cansaço nos membros inferiores. Lamaita compara o sedentarismo ao cigarro — é um risco silencioso que o corpo humano não foi desenhado para suportar. O ser humano precisa estar em movimento, e ficar imóvel está ligado a várias doenças, incluindo trombose. Uma hora de exercício por dia é bom, mas se você passa o resto do tempo sentado, o risco continua alto. A dor nesse caso vem da fraqueza muscular e da circulação deficiente.
Quando o inchaço aparece no tornozelo, é sinal de que algo merece investigação. O ortopedista Marcos Cortelazo, especialista em joelho e traumatologia esportiva, é claro: quase sempre que vemos inchaço no tornozelo, há alguma doença envolvida. Se for uma questão ortopédica, gelo, repouso e anti-inflamatórios ajudam. Se for circulatória ou cardiovascular, meias elásticas podem auxiliar, mas a avaliação com um especialista é fundamental. A artrite e a artrose também causam dor nas pernas — a primeira é uma inflamação das articulações, a segunda é o desgaste da cartilagem. Ambas limitam o movimento e deixam os membros inferiores cansados.
Quando a dor aparece ao caminhar, especialmente em distâncias curtas, pode ser doença arterial periférica (DAP). Essa condição prejudica a circulação sanguínea porque há acúmulo de placas de gordura e perda de flexibilidade nas paredes dos vasos arteriais que levam sangue para os membros. A DAP afeta entre 10% e 25% das pessoas acima de 55 anos, e a incidência aumenta com a idade. O problema é que 70% a 80% dos portadores não têm sintomas, o que atrasa o diagnóstico precoce — justamente quando o tratamento é mais eficaz. Quem tem DAP corre risco 60% maior de entupimentos nas artérias que irrigam o cérebro e o coração, aumentando o perigo de infarto e AVC. Os sinais de alerta incluem fadiga e fisgadas na panturrilha, câimbra ao caminhar, perda de pelos nas pernas, unhas fracas, coloração esbranquiçada dos membros inferiores e infecções recorrentes nos pés.
Outras condições vasculares também explicam o cansaço. Na trombose, um coágulo se forma e causa dor e inchaço. Nas varizes, a sensação de cansaço aparece ao final do dia porque o sangue tem dificuldade de retornar ao coração, criando aquela sensação de peso. O lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nos membros inferiores, causando dor e comprometimento funcional. O cirurgião plástico Rafael Erthal, fundador da clínica Blue especializada em lipedema, explica que o tratamento envolve abordagem multidisciplinar: dieta anti-inflamatória, atividade física regular, terapias compressivas, drenagem linfática e, em casos indicados, cirurgia. Técnicas modernas como a Lipedefinition tratam não apenas o volume, mas também o contorno corporal, ajudando a diminuir dor e volume enquanto devolvem forma harmônica.
A causa também pode ser hormonal. Mulheres no climatério precisam de avaliação hormonal porque aquelas que não praticam atividade física ao longo da vida podem desenvolver sensação de peso nas pernas e dor, especialmente ao final do dia. A ginecologista Patricia Magier, formada pela Universidade Federal Fluminense, reforça a importância de investigar tanto as causas circulatórias quanto metabólicas. Para mulheres na menopausa, a reposição hormonal ajuda na circulação e na prevenção de doenças cardiovasculares, principalmente porque o estrogênio está relacionado à produção de óxido nítrico, que mantém o tônus vascular funcionante.
No fim, existem outras causas menos óbvias para o cansaço nas pernas, como neuropatias e anemia. A recomendação é clara: bons hábitos de vida são fundamentais. Atividade física regular, boa alimentação e, quando orientado pelo médico cirurgião vascular, uso de meias elásticas. Nenhuma dessas sensações deve ser ignorada — cada uma delas é um sinal que merece investigação adequada.
Citas Notables
Se o cansaço é algo mais rotineiro, ele pode significar um problema de saúde que precisa ser avaliado— Dra. Aline Lamaita, cirurgiã vascular
Normalmente todo inchaço do tornozelo deve ser adequadamente investigado, pois raríssimas vezes não guarda relação com nenhum problema de saúde— Dr. Marcos Cortelazo, ortopedista
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Por que as pessoas costumam ignorar o cansaço nas pernas? Parece tão comum.
Porque a gente normaliza. Achamos que é só cansaço do dia, resultado de estar em pé demais. Mas quando vira rotina, deixa de ser normal.
E qual é o maior risco de ignorar esses sinais?
O diagnóstico atrasado. Especialmente na doença arterial periférica — 70% das pessoas não têm sintomas, então quando finalmente sentem algo, a doença já pode estar avançada. E isso aumenta o risco de infarto e AVC em 60%.
Então o sedentarismo é realmente tão perigoso quanto dizem?
Sim. Os médicos comparam com cigarro. O corpo humano foi desenhado para se mover. Ficar imóvel o tempo todo causa fraqueza muscular e circulação deficiente — é um risco silencioso.
E se alguém já tem dor, o exercício ajuda ou piora?
Ajuda, mas com cuidado. A dor pós-treino é normal e passa com descanso. O problema é quando fica frequente — aí precisa de avaliação para saber se há algo circulatório ou musculoesquelético envolvido.
Lipedema é algo que muita gente conhece?
Não. É uma doença crônica do tecido adiposo que causa dor real e compromete a qualidade de vida. O tratamento é multidisciplinar — dieta, exercício, terapias compressivas e, às vezes, cirurgia especializada.
E a menopausa? Realmente causa cansaço nas pernas?
Sim. Mulheres que não construíram massa muscular ao longo da vida sentem mais peso e dor, especialmente ao final do dia. A reposição hormonal ajuda porque o estrogênio melhora a circulação vascular.